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Suspensão de recomendação de compra do fundo JURO11

Escrito por Guilherme Cadonhotto, Felipe Arrais em RENDA FIXA

4 min de leitura

Suspensão de recomendação de compra do fundo JURO11

Neste pequeno relatório venho justificar a suspensão da recomendação de compra do fundo de infraestrutura presente em nossas carteiras recomendadas, o Sparta Infra FICF Inc de Inv Infra Renda Fixa CP, mais conhecido como JURO11.

Essa pausa se faz necessária dado o preço da cota de mercado estar significativamente mais alto frente a cota patrimonial, que reflete o "valor justo” dos ativos presentes no fundo.

No site da Sparta, a gestora do fundo, eles possuem uma tabela de sensibilidade interessante, que nos mostra qual a taxa média de retorno desse fundo dado o valor da sua cota de mercado. Veja na imagem abaixo:

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Fonte: Site Sparta Infra

Olhando a carteira de hoje, podemos concluir que o fundo volta a se tornar atrativo com a cota de mercado voltando a se aproximar do patamar de R$105,00.

Uma pergunta: "Vendo as minhas cotas atuais?"

Não vemos a necessidade de realizar esse movimento a todo momento, até porque essa diferença entre a cota de mercado e a cota patrimonial pode se dar através da elevação da cota patrimonial e não somente pela queda da cota de mercado.

Definir um preço máximo para a cota não é uma questão simples, afinal podemos ter as seguintes situações:

1 – Um fundo de Infraestrutura com uma cota patrimonial e de mercado em R$100,00 pode vender todos os seus ativos e comprar uma única debenture com uma taxa de IPCA+2,50%.

A cota nesse momento não será alterada, afinal, em termos financeiros o patrimônio do fundo permanece o mesmo. A diferença vai se dar no comportamento do seu patrimônio, através do desempenho dos ativos, no futuro.

Os ativos, e consequentemente o patrimônio do fundo, irão apresentar oscilar de acordo com sua taxa de remuneração, ou seja, IPCA+ 2,50%.

2 – O mesmo fundo de infraestrutura, no dia seguinte a aquisição da debenture a uma taxa de IPCA+2,50% pode vender todos esses ativos e montar uma carteira diversificada, com exposição a empresas diferentes e a dezenas de papeis diferentes onde a sua carteira de investimentos terá uma rentabilidade media de IPCA+ 6,50%.

Veja, na transição da situação 1 para a situação 2 não houve qualquer tipo de alteração na cota do fundo, isso porque não houve alteração no valor do patrimônio do fundo(considerando que as compras e vendas dos ativos foram feitas no mesmo valor).

Depois de ocorrida a situação 2, o fundo pode ser uma excelente opção de compra, e veja só, essa atratividade de nada tem relação com o valor da sua cota.

Por isso precisamos tomar cuidado ao definir um preço máximo de aquisição para a cota de um fundo de infraestrutura.

Claro que o exemplo utilizado é extremamente improvável de ocorrer, ainda mais nos fundos recomendados pela nossa equipe, que são significativamente estáveis e contam com uma excelente gestão com histórico de resultados comprovados.

Caso do JURO11 atualmente

O exemplo acima nos mostra o motivo pelo qual definir um preço máximo de compra fixo pode ser desvantajoso ao longo do tempo, mas no curto prazo ele pode sim nos ajudar a não adquirir ativos a preços não tão atrativos.

O caso do JURO11 foi um exemplo dessa situação. Durante poucos dias a cota de mercado do fundo chegou a subir levemente acima de R$110,00:

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Fonte: Google

Nesse nível de taxa a rentabilidade média no futuro poderia ser significativamente prejudicada. A taxa média descontada a taxa de administração do fundo estaria, nesse patamar citado acima, abaixo de IPCA+ 4,00% ao ano.

Se considerarmos a isenção do imposto de renda presente tanto em ganho de capital(valorização) quanto no pagamento de dividendos, características dos fundos de infraestrutura, vamos perceber que a taxa final era equivalente a um titulo publico indexado a inflação de prazo semelhante, porem o objetivo desse ativo não é entregar um retorno similar a um titulo publico, mas sim um retorno significativamente maior sem apresentar uma volatilidade muito alta.

Dito isso, nosso preço máximo de aquisição vai buscar refletir um “limite” de taxa mínima de aquisição para esse fundo.

A ideia de taxa mínima de aquisição vai ser de um premio mínimo de 0,15% ao ano frente a um titulo publico de mesmo prazo de vencimento. Isso significa que se a taxa de uma NTN-B, conhecida também como Tesouro IPCA+ estiver em IPCA+ 5,00% ao ano, a taxa média do fundo deverá ser no mínimo de IPCA_ 5,15%. Se considerarmos a isenção de imposto de renda presente no fundo, a rentabilidade final para o cliente deve ser significativamente maior.

Adicional a esse fator, há também a gestão ativa realizada pela gestora, a Sparta, que vem conseguindo, ao longo do tempo, realizar trocas constantes nos ativos se aproveitando de momentos de mercado propícios para isso.

Para concluir, ressaltamos que dado o portfólio atual do fundo e a taxa de remuneração de um titulo publico de mesmo indexador(IPCA) e mesmo prazo de vencimento, o preço máximo de compra do JURO11 estipulado é de R$104,50.

Ressaltamos que o fato de o fundo estar acima desse valor não significa que o ideal seja realizar a venda. Como os maiores investidores do Brasil e do mundo gostam de ressaltar, o ganho real de dinheiro está no processo de aquisição e espera, e não na troca constante de ativos da sua carteira.

Acompanhar todos os ativos da sua carteira para vende-los e recompra-los poucos reais mais barato além de ser trabalhoso, provavelmente não vai ser muito rentável, ou seja, uma estratégia muito ineficiente.

Lembrando que se o posicionamento nesse fundo não for mais interessante para nossa carteira nós iremos avisa-los através de um relatório, explicando em detalhes o motivo dessa retirada, mas para adiantar, acreditamos que isso esteja muito longe de acontecer.

Abraços

Guilherme Cadonhotto

Sobre os analistas

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de Estrategista da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como um grande especialista em Renda Fixa. Bacharel em Economia pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, além de ter mais de 10 anos na gestão de fundos de investimento de Renda Fixa, Crédito Privado e Multimercado, hoje ele ensina seus alunos e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.