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No relatório de hoje, vamos trazer os resultados da Telefônica Brasil/Vivo referentes ao primeiro trimestre de 2022 e os dados sobre a sinergia da recente aquisição dos ativos da Oi, que consolidou a empresa como líder do setor de telecomunicações. Segundo a companhia, as estimativas de sinergias a serem criadas são de R$ 5,4 bilhões.
Destaques: (i) base de clientes móveis atinge 85,3 milhões, o maior nível histórico; (ii) receita líquida somou R$ 11,3 bilhões, recuo de 1,3% em relação ao trimestre anterior e crescimento de 4,6% na comparação com o 1T21; (iii) Ebitda totalizou R$ 4,5 bilhões, queda de 8,6% versus o 4T21 e aumento de 1,3% na comparação anual; (iv) crescimento de 25,9% da receita da fibra (FTTH) ano contra ano; (v) lucro líquido de R$ 750 milhões, reduções de 71,5% perante o 4T21 e 20,4% versus o 1T21; e (vi) fluxo de caixa livre de R$ 2,6 bilhões (+257% versus 4T21 e +4,8% versus 1T21).
Aproveitando o assunto ações, vamos apresentar também o desempenho dessa categoria de ativos na nossa carteira recomendada Renda Total.
Antes de detalhar os resultados da Vivo, vamos conferir a trajetória e a estrutura atual da empresa.
O que é a Telefônica Brasil/Vivo (VIVT3)
A Vivo é consolidada a maior empresa de telefonia em número de assinantes do Brasil e da América Latina. Sua história começa em 2003, quando atuava inicialmente (ainda como Vivo, marca comercial da Telefônica Brasil) apenas no setor de telefonia celular. Após anos de aquisições e sucessivas fusões, se consolidou com 38% do market share do mercado móvel e 40% do market share de produtos pós-pagos.
A empresa oferece atualmente um portfólio diversificado de produtos: serviços de voz (fixo e móvel), dados móveis, banda larga fixa, ultra banda larga, TV por assinatura, tecnologia da informação e serviços digitais (como, por exemplo, serviços financeiros, de nuvem, de entretenimento e segurança).
Estrutura de governança
Fonte: Telefônica Brasil/Vivo
A Telefônica Brasil/Vivo faz parte do Novo Mercado, que é o mais alto nível de governança corporativa disponível para empresas listadas na B3.
As empresas integrantes do Novo Mercado garantem aos seus acionistas minoritários tag along de 100% das ações, o que significa que, em caso de alienação do controle da empresa, esses acionistas têm o direito de vender suas ações com o mesmo preço de oferta para a maioria acionista.
Atualmente, a Telefônica Brasil/Vivo tem como acionista majoritário o grupo espanhol Telefónica, com 74,20%. O restante do componente de capital são ações em circulação.
Resultados do 1T22
A receita líquida da companhia somou R$ 11,3 bilhões, recuo de 1,3% em relação ao trimestre anterior e crescimento de 4,6% na comparação com o 1T21, maior crescimento anual dos últimos sete anos.
Fonte: Telefônica Brasil/Vivo
A receita líquida móvel atingiu R$ 7,6 bilhões, crescimento de 6,1% em relação ao 1T21, com destaque para a receita com pós-pago (+5,9%), que representa 81% da receita de serviço móvel. No trimestre, a Vivo continuou aumentando sua base de clientes pós-pago, tanto pela migração de pré-pago para controle quanto pela portabilidade de outras operadoras. Além disso, a receita foi impactada positivamente pelo reajuste anual aplicado em parte da base de clientes do plano controle.
A receita de pré-pago aumentou 4,7% na comparação anual, alcançando R$ 1,3 bilhão, impulsionada pela maior recorrência nas recargas e pelo crescimento de 2,2% nos acessos de pré-pago.
A base de clientes móveis ficou em 85,3 milhões, maior nível histórico, com aumento de 7,1% em relação ao 4T21, sendo +2,2% na base de pré-pago e +10,6% na de pós-pago.
O ARPU (receita média por usuário) do pós-pago humano ficou em R$ 48,8/mês (-1,6% versus 1T21) – queda que foi compensada pelo crescimento da base de usuários – e o ARPU do pré-pago em R$ 12,4/mês (+3,0% vs 1T21). A Vivo encerrou o trimestre com um market share no negócio móvel de 33,0%, estável na comparação anual.
A receita core fixa somou R$ 2,7 bilhões, superior em 5,3% ao 4T21 e 11,9% acima do 1T21, representando 71,7% da receita líquida fixa, aumento de 6,4 p.p. na comparação anual. Destaque para o crescimento de 25,9% da receita da fibra (FTTH) em relação ao 1T21, explicado pelo reajuste de preços aplicado em uma parcela da base de clientes FTTH e pelo fato de a empresa ter levado sua rede de fibras a 65 novas cidades, adicionando 4,2 milhões de casas passadas e 1,1 milhão de casas conectadas. Ao fim do trimestre, a Vivo possuía 20,5 milhões de casas passadas e 4,8 milhões de casas conectadas.
O total de acessos core fixa atingiu 6,5 milhões, aumento de 6,5% em relação ao 1T21, com destaque para FTTH, que alcançou 4,8 milhões de acessos (+29,1%).
O ARPU de FTTH foi de R$ 89,8/mês, redução de 5,2% na comparação com o 1T21, e o ARPU de IPTV atingiu R$ 140,8/mês, aumento de 17,4% sobre a mesma base de comparação.
O Ebitda totalizou R$ 4,5 bilhões, recuo de 8,6% em relação ao 4T21 e aumento de 1,3% na comparação anual. A margem Ebitda ficou em 39,7%, reduções de 3,2 p.p. versus 4T21 e 1,3 p.p. versus 1T21, reflexo da inflação de custos no período, com os custos de operação aumentando 5,6% ano contra ano – impactados pelos custos de pessoal – e os custos com serviços e produtos vendidos aumentando 10,2%.
O lucro líquido no trimestre foi de R$ 750 milhões, reduções de 71,5% e 20,4% em relação ao 4T21 e ao 1T21, respectivamente, impactado pelas maiores despesas financeiras no período e pelos maiores dispêndios com depreciação e amortização, visto que a empresa começou a amortizar o 5G.
Fonte: Telefônica Brasil/Vivo
Os investimentos no trimestre alcançaram R$ 1,9 bilhão, reduções de 19,6% em relação ao trimestre anterior e 3,3% na comparação anual, representando 16,6% da receita líquida (-1,4 p.p. versus 1T21). Os investimentos foram direcionados para a manutenção da rede móvel e à expansão da rede de fibra, garantindo uma maior disponibilidade dos serviços da Vivo perante a crescente demanda por conexão de qualidade.
Fonte: Telefônica Brasil/Vivo
O fluxo de caixa operacional totalizou R$ 2,6 bilhões, 257% superior ao do 4T21 (impactado por maiores investimentos nas operações) e 4,8% acima do 1T21, explicado pelo aumento do Ebitda e redução dos investimentos.
Fonte: Telefônica Brasil/Vivo
A companhia encerrou o trimestre com uma dívida bruta de R$ 3,6 bilhões, redução de 36,7% em relação ao 4T21, afetada pelos compromissos assumidos com a compra de licenças no leilão do 5G. Assim, aumentou sua posição de caixa líquido de R$ 787 milhões no trimestre anterior para R$ 2,8 bilhões no 1T22.
A Vivo informou que seu programa de recompra de ações foi renovado até o mês de fevereiro de 2023, e que no 1T22 recomprou cerca de R$ 115 milhões em ações, de forma a complementar a remuneração do acionista.
Aquisição da Oi Móvel pode gerar ganhos de sinergia de R$ 5,4 bilhões
A Vivo apresentou as suas projeções de sinergias em relação à compra da parcela da Oi Móvel. Segundo a companhia, as estimativas a serem criadas são de R$ 5,4 bilhões e foram divididas em quatro segmentos: rede, espectro, comercial e outros.
Em relação à rede, a empresa espera ganhos de cerca de R$ 1,8 bilhão ao reduzir custo da operação e manutenção, além do “desligue e evitado” de sites, menores despesas com implantação de 4G/5G, rede core e backhaul (parte da rede que faz a ligação entre a rede principal e as periféricas), além da otimização de TI.
Em relação ao espectro, são esperados ganhos em aproximadamente de R$ 1,7 bilhão com menores despesas com expansão de capacidade (por exemplo, sites evitados e despesas com redes core e de backhaul).
No segmento comercial, a expectativa é de ganho de R$ 1,0 bilhão na integração da estrutura de vendas, suporte aos clientes e marketing.
E são esperados ganhos de sinergia de R$ 0,9 bilhão no segmento outros com ganhos de ágio e na alocação do preço de compra do espectro, base de clientes e outros pontos.
A Vivo vai incorporar à sua base 12,5 milhões de clientes móveis da Oi, tornando-se a empresa com maior base de clientes da América Latina. Sua base total passa a contar com 97 milhões de acessos, ou clientes, sendo 56% em pós-pago. Ao somar o serviço de rede fixa, a Vivo fica com um total de 112 milhões de acessos. Adicionalmente, vai se tornar a líder de mercado na região Nordeste e em mais cinco estados, passando a deter a liderança em 17 estados do Brasil.
A Vivo também informou que, em março de 2022, os ativos da Oi adquiridos pela empresa geraram R$ 135 milhões de receita líquida mensal, e a expectativa é de que as margens Ebitda e de fluxo de caixa operacional fiquem acima de 70%, considerando o pós das sinergias. Em termos de market share (participação no mercado), tanto no segmento pós-pago quanto no pré-pago, a empresa é líder de mercado.
Fonte: Telefônica Brasil/Vivo
Antes de concluir o relatório de hoje, vamos analisar a performance da fatia de ações da carteira Renda Total ao longo dos meses e compará-la com o Ibovespa, principal índice de referência da Bolsa, e as ações VIVT3.
Performance da nossa carteira de ações contra Ibovespa
No relatório de semana que vem, traremos as performances das duas carteiras da série, a original e a alternativa, bem como um apanhado dos principais acontecimentos do mês de maio que impactaram o mercado. Porém, como estamos tratando da Vivo, uma de nossas ações recomendadas, neste relatório resolvemos antecipar a performance dessa categoria em geral.
No gráfico a seguir, você pode ver uma comparação entre as ações que compõem a carteira Renda Total (respeitando os percentuais que recomendamos), o Ibovespa e VIVT3 desde o início da série.
Fontes: B3 e Spiti
A nossa diversificação tem se mostrado essencial e otimizada para o momento atual. Note como a diferença entre as linhas laranja (Ibovespa) e cinza (seleção de sções do Renda Total) aumenta com o passar do tempo – movimento chamado de “boca de jacaré”.
A diferença em relação ao índice da Bolsa, que nos seis primeiros meses de carteira era de 11,8% (seta vermelha menor), atualmente já é de mais de 35% (seta maior), ou seja, a nossa carteira selecionada está com uma performance na janela 35% acima do principal benchmark do mercado.
Conclusão
Em seus resultados, a Vivo apresentou um trimestre em linha com as expectativas de mercado, focando em aumentar sua participação no segmento pós-pago e na expansão de sua rede de fibra.
Apesar de o resultado ter sido impactado pela inflação de custos, a companhia segue com forte geração de caixa e está bem capitalizada para realizar os investimentos e compromissos do leilão 5G.
Além disso, segue negociando a um múltiplo EV/Ebitda atraente de 4,7x para 2022, com desconto em relação aos seus pares internacionais, que negociam em torno de 5,7x. Isso mostra que, quando comparada a eles, a Vivo está sendo negociada por um preço menor.
Fora isso, os dados que a empresa divulgou sobre a sinergia entre Vivo e Oi estão em linha com que o era esperado pelo mercado e com a expectativa de criação de valor com as sinergias da união dos negócios.
O movimento consolidou ainda mais a posição de liderança da companhia no mercado de telecomunicações, com redução do churn (taxa de evasão da sua base de clientes) e uma dinâmica mais favorável de mercado.
Sendo a única selecionada do seu setor em nossa carteira e maior empresa de telecomunicações em número de clientes da América Latina, reiteramos a recomendação de compra de VIVT3 na carteira Renda Total.
Abraços,
Filipe Colus e Gui Cadonhotto