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Telefônica Brasil/Vivo (VIVT3): resultados do 1T22 e as estimativas de sinergias com a aquisição da Oi Móvel + Performance da fatia de ações da carteira Renda Total

Escrito por Fillipe Colus, Guilherme Cadonhotto, Luciana Seabra em RENDA TOTAL

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Fonte: Shutterstock

No relatório de hoje, vamos trazer os resultados da Telefônica Brasil/Vivo referentes ao primeiro trimestre de 2022 e os dados sobre a sinergia da recente aquisição dos ativos da Oi, que consolidou a empresa como líder do setor de telecomunicações. Segundo a companhia, as estimativas de sinergias a serem criadas são de R$ 5,4 bilhões.

Destaques: (i) base de clientes móveis atinge 85,3 milhões, o maior nível histórico; (ii) receita líquida somou R$ 11,3 bilhões, recuo de 1,3% em relação ao trimestre anterior e crescimento de 4,6% na comparação com o 1T21; (iii) Ebitda totalizou R$ 4,5 bilhões, queda de 8,6% versus o 4T21 e aumento de 1,3% na comparação anual; (iv) crescimento de 25,9% da receita da fibra (FTTH) ano contra ano; (v) lucro líquido de R$ 750 milhões, reduções de 71,5% perante o 4T21 e 20,4% versus o 1T21; e (vi) fluxo de caixa livre de R$ 2,6 bilhões (+257% versus 4T21 e +4,8% versus 1T21).

Aproveitando o assunto ações, vamos apresentar também o desempenho dessa categoria de ativos na nossa carteira recomendada Renda Total.

Antes de detalhar os resultados da Vivo, vamos conferir a trajetória e a estrutura atual da empresa.

O que é a Telefônica Brasil/Vivo (VIVT3)

A Vivo é consolidada a maior empresa de telefonia em número de assinantes do Brasil e da América Latina. Sua história começa em 2003, quando atuava inicialmente (ainda como Vivo, marca comercial da Telefônica Brasil) apenas no setor de telefonia celular. Após anos de aquisições e sucessivas fusões, se consolidou com 38% do market share do mercado móvel e 40% do market share de produtos pós-pagos.

A empresa oferece atualmente um portfólio diversificado de produtos: serviços de voz (fixo e móvel), dados móveis, banda larga fixa, ultra banda larga, TV por assinatura, tecnologia da informação e serviços digitais (como, por exemplo, serviços financeiros, de nuvem, de entretenimento e segurança).

Estrutura de governança

Fonte: Telefônica Brasil/Vivo

A Telefônica Brasil/Vivo faz parte do Novo Mercado, que é o mais alto nível de governança corporativa disponível para empresas listadas na B3.

As empresas integrantes do Novo Mercado garantem aos seus acionistas minoritários tag along de 100% das ações, o que significa que, em caso de alienação do controle da empresa, esses acionistas têm o direito de vender suas ações com o mesmo preço de oferta para a maioria acionista.

Atualmente, a Telefônica Brasil/Vivo tem como acionista majoritário o grupo espanhol Telefónica, com 74,20%. O restante do componente de capital são ações em circulação.

Resultados do 1T22

A receita líquida da companhia somou R$ 11,3 bilhões, recuo de 1,3% em relação ao trimestre anterior e crescimento de 4,6% na comparação com o 1T21, maior crescimento anual dos últimos sete anos.

Fonte: Telefônica Brasil/Vivo

A receita líquida móvel atingiu R$ 7,6 bilhões, crescimento de 6,1% em relação ao 1T21, com destaque para a receita com pós-pago (+5,9%), que representa 81% da receita de serviço móvel. No trimestre, a Vivo continuou aumentando sua base de clientes pós-pago, tanto pela migração de pré-pago para controle quanto pela portabilidade de outras operadoras. Além disso, a receita foi impactada positivamente pelo reajuste anual aplicado em parte da base de clientes do plano controle.

A receita de pré-pago aumentou 4,7% na comparação anual, alcançando R$ 1,3 bilhão, impulsionada pela maior recorrência nas recargas e pelo crescimento de 2,2% nos acessos de pré-pago.

A base de clientes móveis ficou em 85,3 milhões, maior nível histórico, com aumento de 7,1% em relação ao 4T21, sendo +2,2% na base de pré-pago e +10,6% na de pós-pago.

O ARPU (receita média por usuário) do pós-pago humano ficou em R$ 48,8/mês (-1,6% versus 1T21) – queda que foi compensada pelo crescimento da base de usuários – e o ARPU do pré-pago em R$ 12,4/mês (+3,0% vs 1T21). A Vivo encerrou o trimestre com um market share no negócio móvel de 33,0%, estável na comparação anual.

A receita core fixa somou R$ 2,7 bilhões, superior em 5,3% ao 4T21 e 11,9% acima do 1T21, representando 71,7% da receita líquida fixa, aumento de 6,4 p.p. na comparação anual. Destaque para o crescimento de 25,9% da receita da fibra (FTTH) em relação ao 1T21, explicado pelo reajuste de preços aplicado em uma parcela da base de clientes FTTH e pelo fato de a empresa ter levado sua rede de fibras a 65 novas cidades, adicionando 4,2 milhões de casas passadas e 1,1 milhão de casas conectadas. Ao fim do trimestre, a Vivo possuía 20,5 milhões de casas passadas e 4,8 milhões de casas conectadas.

O total de acessos core fixa atingiu 6,5 milhões, aumento de 6,5% em relação ao 1T21, com destaque para FTTH, que alcançou 4,8 milhões de acessos (+29,1%).

O ARPU de FTTH foi de R$ 89,8/mês, redução de 5,2% na comparação com o 1T21, e o ARPU de IPTV atingiu R$ 140,8/mês, aumento de 17,4% sobre a mesma base de comparação.

O Ebitda totalizou R$ 4,5 bilhões, recuo de 8,6% em relação ao 4T21 e aumento de 1,3% na comparação anual. A margem Ebitda ficou em 39,7%, reduções de 3,2 p.p. versus 4T21 e 1,3 p.p. versus 1T21, reflexo da inflação de custos no período, com os custos de operação aumentando 5,6% ano contra ano – impactados pelos custos de pessoal – e os custos com serviços e produtos vendidos aumentando 10,2%.

O lucro líquido no trimestre foi de R$ 750 milhões, reduções de 71,5% e 20,4% em relação ao 4T21 e ao 1T21, respectivamente, impactado pelas maiores despesas financeiras no período e pelos maiores dispêndios com depreciação e amortização, visto que a empresa começou a amortizar o 5G.

Fonte: Telefônica Brasil/Vivo

Os investimentos no trimestre alcançaram R$ 1,9 bilhão, reduções de 19,6% em relação ao trimestre anterior e 3,3% na comparação anual, representando 16,6% da receita líquida (-1,4 p.p. versus 1T21). Os investimentos foram direcionados para a manutenção da rede móvel e à expansão da rede de fibra, garantindo uma maior disponibilidade dos serviços da Vivo perante a crescente demanda por conexão de qualidade.

Fonte: Telefônica Brasil/Vivo

O fluxo de caixa operacional totalizou R$ 2,6 bilhões, 257% superior ao do 4T21 (impactado por maiores investimentos nas operações) e 4,8% acima do 1T21, explicado pelo aumento do Ebitda e redução dos investimentos.

Fonte: Telefônica Brasil/Vivo

A companhia encerrou o trimestre com uma dívida bruta de R$ 3,6 bilhões, redução de 36,7% em relação ao 4T21, afetada pelos compromissos assumidos com a compra de licenças no leilão do 5G. Assim, aumentou sua posição de caixa líquido de R$ 787 milhões no trimestre anterior para R$ 2,8 bilhões no 1T22.

A Vivo informou que seu programa de recompra de ações foi renovado até o mês de fevereiro de 2023, e que no 1T22 recomprou cerca de R$ 115 milhões em ações, de forma a complementar a remuneração do acionista.

Aquisição da Oi Móvel pode gerar ganhos de sinergia de R$ 5,4 bilhões

A Vivo apresentou as suas projeções de sinergias em relação à compra da parcela da Oi Móvel. Segundo a companhia, as estimativas a serem criadas são de R$ 5,4 bilhões e foram divididas em quatro segmentos: rede, espectro, comercial e outros.

Em relação à rede, a empresa espera ganhos de cerca de R$ 1,8 bilhão ao reduzir custo da operação e manutenção, além do “desligue e evitado” de sites, menores despesas com implantação de 4G/5G, rede core e backhaul (parte da rede que faz a ligação entre a rede principal e as periféricas), além da otimização de TI.

Em relação ao espectro, são esperados ganhos em aproximadamente de R$ 1,7 bilhão com menores despesas com expansão de capacidade (por exemplo, sites evitados e despesas com redes core e de backhaul).

No segmento comercial, a expectativa é de ganho de R$ 1,0 bilhão na integração da estrutura de vendas, suporte aos clientes e marketing.

E são esperados ganhos de sinergia de R$ 0,9 bilhão no segmento outros com ganhos de ágio e na alocação do preço de compra do espectro, base de clientes e outros pontos.

A Vivo vai incorporar à sua base 12,5 milhões de clientes móveis da Oi, tornando-se a empresa com maior base de clientes da América Latina. Sua base total passa a contar com 97 milhões de acessos, ou clientes, sendo 56% em pós-pago. Ao somar o serviço de rede fixa, a Vivo fica com um total de 112 milhões de acessos. Adicionalmente, vai se tornar a líder de mercado na região Nordeste e em mais cinco estados, passando a deter a liderança em 17 estados do Brasil.

A Vivo também informou que, em março de 2022, os ativos da Oi adquiridos pela empresa geraram R$ 135 milhões de receita líquida mensal, e a expectativa é de que as margens Ebitda e de fluxo de caixa operacional fiquem acima de 70%, considerando o pós das sinergias. Em termos de market share (participação no mercado), tanto no segmento pós-pago quanto no pré-pago, a empresa é líder de mercado.

Fonte: Telefônica Brasil/Vivo

Antes de concluir o relatório de hoje, vamos analisar a performance da fatia de ações da carteira Renda Total ao longo dos meses e compará-la com o Ibovespa, principal índice de referência da Bolsa, e as ações VIVT3.

Performance da nossa carteira de ações contra Ibovespa

No relatório de semana que vem, traremos as performances das duas carteiras da série, a original e a alternativa, bem como um apanhado dos principais acontecimentos do mês de maio que impactaram o mercado. Porém, como estamos tratando da Vivo, uma de nossas ações recomendadas, neste relatório resolvemos antecipar a performance dessa categoria em geral.

No gráfico a seguir, você pode ver uma comparação entre as ações que compõem a carteira Renda Total (respeitando os percentuais que recomendamos), o Ibovespa e VIVT3 desde o início da série.

Fontes: B3 e Spiti

A nossa diversificação tem se mostrado essencial e otimizada para o momento atual. Note como a diferença entre as linhas laranja (Ibovespa) e cinza (seleção de sções do Renda Total) aumenta com o passar do tempo – movimento chamado de “boca de jacaré”.

A diferença em relação ao índice da Bolsa, que nos seis primeiros meses de carteira era de 11,8% (seta vermelha menor), atualmente já é de mais de 35% (seta maior), ou seja, a nossa carteira selecionada está com uma performance na janela 35% acima do principal benchmark do mercado.

Conclusão

Em seus resultados, a Vivo apresentou um trimestre em linha com as expectativas de mercado, focando em aumentar sua participação no segmento pós-pago e na expansão de sua rede de fibra.

Apesar de o resultado ter sido impactado pela inflação de custos, a companhia segue com forte geração de caixa e está bem capitalizada para realizar os investimentos e compromissos do leilão 5G.

Além disso, segue negociando a um múltiplo EV/Ebitda atraente de 4,7x para 2022, com desconto em relação aos seus pares internacionais, que negociam em torno de 5,7x. Isso mostra que, quando comparada a eles, a Vivo está sendo negociada por um preço menor.

Fora isso, os dados que a empresa divulgou sobre a sinergia entre Vivo e Oi estão em linha com que o era esperado pelo mercado e com a expectativa de criação de valor com as sinergias da união dos negócios.

O movimento consolidou ainda mais a posição de liderança da companhia no mercado de telecomunicações, com redução do churn (taxa de evasão da sua base de clientes) e uma dinâmica mais favorável de mercado.

Sendo a única selecionada do seu setor em nossa carteira e maior empresa de telecomunicações em número de clientes da América Latina, reiteramos a recomendação de compra de VIVT3 na carteira Renda Total.

Abraços,

Filipe Colus e Gui Cadonhotto

Sobre os analistas

Fillipe Colus

É especialista em renda fixa da Spiti, bacharel em Engenharia Mecânica e especialista em Finanças. Auxiliou mais de 15 empresas com recomendações financeiras e operacionais em dois anos de consultoria estratégia e trabalhou na KPMG, ao lado de executivos e diretores de empresas líderes de segmentos, bem como no mercado público, auxiliando órgãos federais. Acredita que conhecimento bom deve ser repassado de uma forma simples e direta. Por isso, adora falar de finanças para quebrar tabus, e faz isso até nas horas vagas.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.

Luciana Seabra

Fundadora

Fundadora da Spiti, uma das maiores casas de análise do Brasil, Luciana Seabra é reconhecida por sua abordagem clara e acessível para explicar assuntos complexos relacionados ao mundo financeiro para o público em geral.