Aviso Legal: O documento subsequente é uma produção da Varos, uma casa de análise devidamente habilitada junto à Associação dos Profissionais de Investimento no Mercado de Capitais (APIMEC).
Conforme comentamos nas lives e comunidade, no final do mês de julho, iniciou-se a temporada de resultados das empresas que fazem parte das nossas carteiras. Dessa forma, focamos este relatório na análise dos resultados trimestrais, trazendo um panorama das empresas que compõem as carteiras. Confira abaixo.
Banco ABC (ABCB4)
No 2T24, o Banco ABC Brasil (ABCB4) mais uma vez cumpriu com as expectativas do mercado e apresentou Lucro Líquido Recorrente de R$ 250,1 milhões. Esse Lucro representa crescimento de 23,9% em relação ao 2T23 e crescimento de 12,1% em relação ao 1T24.
Apesar do Lucro Líquido ter vindo acima do consenso do mercado, o resultado esconde algumas nuances.
Mais uma vez, o ABC Brasil abriu mão do saldo de provisão de crédito para crescer o resultado. Isso fica nítido pela queda do Índice de Cobertura (relação entre o saldo das provisões e as operações com atraso acima de 90 dias). Por outro lado, o banco apresentou avanços importantes nas Receitas de Prestação de Serviços, o que tem tudo para gerar um crescimento consistente do banco.
Para os próximos trimestres, acreditamos que o banco não mais poderá abrir mão da provisão para crescer o resultado. Ou seja, para resolver a questão, o banco terá que expandir a carteira com uma safra de mais qualidade ou aumentar a Despesa de Provisão. Nesse último caso, a Margem Financeira Bruta (MFB) seria diretamente impactada.
A MFB é formada pela soma dos ganhos provenientes do Patrimônio Líquido Remunerado a CDI, da Margem Financeira com Clientes e da Margem Financeira com o Mercado. No trimestre, a MFB ficou em R$ 597,6 milhões, apresentando crescimento trimestral (+12,6% vs. 1T24) e crescimento anual (+9,8% vs. 2T23).
O Patrimônio Líquido Remunerado a CDI ficou em R$ 120,1 milhões (-3,5% vs. 1T24 e -16,1% vs. 2T23), a Margem Financeira com Clientes foi de R$ 379,2 milhões (+16,4% vs. 1T24 e +15,9% vs. 2T23) e a Margem Financeira com Mercado atingiu o patamar de R$ 98,2 milhões (+22,1% vs. 1T24 e +32,8% vs. 2T23).
A queda do Patrimônio Líquido Remunerado a CDI é fruto de uma menor taxa Selic em relação aos trimestres anteriores. Já o crescimento da Margem com Clientes é fruto do maior spread obtido nas operações de crédito. Em 2T24, esse spread ficou em 4,3%, no trimestre anterior, era de 3,7% e há um ano, de 4,2%. A expansão do spread é explicada pela mudança no mix da carteira de crédito do banco e pela queda no custo de captação. Por fim, o crescimento da Margem com Mercado pode ser explicado pela expansão dos Ativos Rentáveis Médios no trimestre.
O crescimento da MFB foi acompanhado pelo crescimento das Despesas de Provisões, embora não no nível suficiente para a manutenção do Índice de Cobertura no mesmo patamar do 1T24. No 2T24, a Despesa de Provisão ficou em R$ 71,9 milhões vs. R$ 40,7 milhões no 1T24, representando crescimento de 76,9%. Na comparação com o 2T23, o crescimento é de 1,7%.
Mesmo com o crescimento na Despesa de Provisão, a Margem Financeira Líquida (MFL), que é o resultado dessa Despesa subtraída da MFB, cresceu na comparação com os trimestres e anos anteriores. No trimestre, a MFL apresentada foi de R$ 525,6 milhões, cerca de 7,3% superior à apresentada no 1T24 e 11% maior que a apresentada no 2T23.
A Carteira de Crédito Expandida fechou o 2T24 em R$ 48,3 bilhões, crescimento de 5% no trimestre e de 11,4% vs. 2T23. O grande destaque fica por conta do crescimento da carteira C&IB, 4,8% no trimestre e 16,3% em 12 meses. O destaque negativo foi o baixo crescimento da carteira Middle, de 1,9% no trimestre e de 9,8% no ano.
Um ponto importante a ser destacado é esse baixo crescimento da carteira Middle. A gestão já deixou claro que, para o futuro, pretende ver essa carteira representando cerca de 20% da carteira total. Atualmente, esse percentual é de 9,3%. Isso significa que, ao longo dos próximos anos, a gestão terá que acelerar o crescimento da carteira Middle. A ideia inicial da gestão era crescer fortemente o Middle já este ano. Porém, parece que a deterioração do cenário macroeconômico fez a gestão ser mais conservadora na expansão planejada.
O Índice de Cobertura da carteira fechou o 2T24 em 116% vs. 127% no 1T24, representando o 7º trimestre consecutivo de queda. Se retirarmos o evento específico das Lojas Americanas, esse Índice ficaria em 182% vs. 217% no trimestre anterior.
A queda do Índice de Cobertura é explicada, principalmente, pelo aumento da inadimplência superior a 90 dias do segmento Corporate. Entre o 1T24 e o 2T24, ela passou de 0,5% para 0,8%. O Índice de Inadimplência da carteira como um todo passou de 2,9% para 3%, marcando o 7º trimestre seguido de crescimento. Se desconsiderarmos o evento específico, essa inadimplência passou de 1,1% para 1,3%. Porém, ao que tudo indica, passaremos a ver um arrefecimento do aumento da inadimplência no próximo trimestre.
Voltando às linhas de Receita, chegou a hora de analisarmos a Receita com Prestação de Serviços. Essa Receita é composta pela Receita com Garantias Prestadas, com o Banco de Investimentos e com Tarifas e Corretagem de Seguros. De forma geral, a Receita com Prestação de Serviços cresceu 19,6% no trimestre e 54% frente ao 2T23.
O grande destaque foi a Receita com Corretagem de Seguros e Tarifas, que cresceu 59,3% no trimestre e 80,3% vs. 2T23. A Receita com Banco de Investimento cresceu 5,6% na comparação trimestral e 140,8% na comparação anual, impactada pelo aquecimento do mercado de dívidas brasileiro.
Em contraste, a Receita com Garantias Prestadas cresceu 8,7% vs. 1T24 e caiu 0,6% em comparação com o 2T23.
Porém, temos que ter em mente que as Garantias Prestadas concorrem com produtos oferecidos pelo próprio banco, como, por exemplo, os seguros. Ou seja, pode ser que a gestão tenha optado por aumentar a Receita com Seguros em detrimento das Garantias Prestadas.
As Despesas de Pessoal e Administrativas cresceram 6,2% no trimestre e 12,1% em relação ao 2T23. Esse crescimento, apesar de ser acima da inflação, nos mostra que o grande ciclo de investimentos que o banco passou entre 2020 e 2023 está concluído. A Despesa com Participação nos Lucros (PLR) cresceu 2,6% no trimestre e apenas 0,6% no comparativo com o mesmo período do ano passado.
No 2T24, o Índice de Eficiência ficou em 36,9% frente a 39,4% no 1T24. Essa melhora da eficiência nos mostra que o banco segue comprometido em aumentar a rentabilidade dos acionistas. Além disso, é um indício de que a maioria das novas linhas de negócio atingiu o breakeven.
No fim das contas, o ABCB conseguiu atingir o Lucro Líquido Recorrente de R$ 250,1 milhões no 2T24. Esse Lucro representa um Retorno Anualizado sobre o Patrimônio Líquido (ROAE) de 16,1%. No trimestre anterior, o ROAE era de 15,1% e no 2T23 era de 15,6%.
Se antes era uma questão de tempo que o ROAE melhorasse, agora parece ser uma questão de tempo para que o mercado perceba que o ABC Brasil atingiu um novo patamar de rentabilidade. Essa percepção passa pela capacidade do banco em manter a qualidade da sua Carteira de Crédito Expandida.
Em relação aos indicadores de capital, o ABCB fechou o 2T24 com índice de Basileia de 16,3%. No trimestre anterior, esse índice era de 15,1%. O Capital Nível 1, o Capital Principal e o Capital Complementar mantiveram-se inalterados. Os atuais índices de capital do ABC Brasil credenciam-no a crescer acima do setor nos próximos anos.
Com a conclusão do 1º semestre, a gestão do banco reajustou algumas linhas do Guidance para 2024. O crescimento da Carteira Middle caiu para a faixa entre 10% e 15%. Anteriormente, a previsão era de um crescimento entre 15% e 25%. Por outro lado, o Crescimento de Despesas caiu para a faixa entre 7% e 12%, ante a faixa entre 9% e 14%.
Banco do Brasil (BBAS3)
Em mais um trimestre, o Banco do Brasil (BBAS3) bateu a expectativa do mercado e apresentou resultado acima do esperado no 2T24. No trimestre, o Lucro Líquido Ajustado foi de R$ 9,2 bilhões, com um crescimento de 2,2% em relação ao 1T24. Na comparação com o 2T23, o Lucro Líquido cresceu 8,2%.
Na nossa visão, apesar do crescimento do Lucro, enxergamos alguns sinais de alerta no balanço do banco. Ao longo do trimestre, o BB apresentou aumento na inadimplência e queda no índice de cobertura. O resultado do banco foi bastante impactado pela queda nas Provisões para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD). No trimestre, também houve crescimento nas Receitas de Prestação de Serviços e na Carteira de Crédito Ampliada. As despesas operacionais cresceram de forma controlada.
Após esse overview, vamos entrar com mais detalhes em cada uma das grandes linhas do resultado do Banco do Brasil, começando pelas Margens Financeiras.
No 2T24, a Margem Financeira Bruta (MFB) totalizou R$ 25,5 bilhões, com uma queda trimestral de 0,7% e crescimento anual (vs. 2T23) de 11,6%. No trimestre, o crescimento da Receita com Operações de Crédito (+3,2% vs. 2T23) e a queda do Resultado com Tesouraria (-7% vs. 1T23) geraram um crescimento de 0,6% nas Receitas Financeiras. As despesas financeiras caíram 10,6%, fruto da queda de 13,2% na captação comercial.
Apesar do avanço da MFB, o spread global caiu de 5,1% no 1T24 para 4,9% no 2T24. Isso significa que, no 2T24, os Ativos Rentáveis renderam menos do que no 1T24.
Também podemos olhar a MFB pela ótica da Margem com Mercado e Margem com Clientes. Em relação ao 1T24, a Margem com Mercado cresceu 4,4% e a Margem com Clientes caiu 4,8%. O spread com clientes caiu de 8,18% para 7,79%. Ou seja, a perda de rentabilidade dos ativos do BB deve-se ao menor spread conseguido nas operações com os clientes.
As Despesas de PCLD Ampliada totalizaram R$ 7,8 bilhões no trimestre, representando uma queda de 8,6% em relação ao 1T24 e crescimento de 8,8% em relação ao 2T23. O que mais impactou a queda trimestral da PCLD foi o aumento da recuperação de crédito, algo que o BB havia deixado a desejar nos últimos trimestres.
Porém, as menores provisões de crédito levaram a uma queda do Índice de Cobertura. No trimestre anterior, esse índice era de 196% e caiu para 191,3%. No Sistema Financeiro Nacional (SFN) como um todo, o índice de cobertura é de 187,5%.
A gestão do BB diz que essa queda não é preocupante, uma vez que a nova safra de crédito possui mais qualidade e que parte dos créditos em atraso possui garantia do FGO (Fundo de Garantia de Operações) Pronampe, a serem exercidas ao longo do 2º semestre de 2024.
Voltando às Margens Financeiras, a leve retração da MFB e a queda da PCLD Ampliada resultaram em um crescimento da Margem Financeira Líquida (MFL). No 2T24, a MFL fechou em R$ 17,7 bilhões, com crescimento de 3,2% em relação ao trimestre anterior e de 12,9% em relação ao 2T23.
A Carteira de Crédito Ampliada do BBAS seguiu crescendo. Ela fechou o 2T24 em R$ 1,18 trilhão, alta de 3,9% no trimestre e de 13,1% no ano. Dentre os segmentos da carteira, o que mais cresceu foi o Agro. No trimestre, a Carteira Agro cresceu 0,7%. Em 12 meses, o crescimento foi de 16,6%. As carteiras PF e PJ também apresentaram crescimento. A primeira cresceu 1,1% no trimestre e 6,2% em 12 meses, enquanto a segunda cresceu 7% no trimestre e 13,2% em 12 meses.
No Crédito Pessoa Física, o maior aumento se deu em Crédito Consignado, que cresceu 10,6% em 12 meses. Em Crédito Pessoa Jurídica, o destaque ficou por conta do Capital de Giro, que cresceu 7,8% nesse período.
Em relação à qualidade do crédito, o índice de inadimplência superior a 90 dias (NPL 90) subiu. O NPL 90 fechou o 2T24 em 3% vs. 2,9% no 1T24. Em junho de 2023, esse índice era de 2,73%. O NPL 90 do BB seguiu inferior ao do SFN, que era de 3,20%.
As grandes causadoras do aumento desse índice de inadimplência foram a Carteira de Crédito do Agronegócio e a Carteira de Crédito PJ. A primeira viu o seu NPL 90 passar de 1,19% para 1,32%, enquanto na segunda, o NPL 90 passou de 3,19% para 3,38%.
Voltando às linhas de resultado, chegamos à Receita com Prestação de Serviços. Essas receitas somaram R$ 8,8 bilhões no 2T24, com crescimento de 6% na comparação com o 1T24 e crescimento de 6,7% em 12 meses. No trimestre, essas receitas foram impactadas positivamente pelas linhas de Taxas de Administração de Consórcios (+ 20,8% vs. 2T23) e de Administração de Fundos (+ 14,7% vs. 2T23).
No 2T24, as Despesas Administrativas totalizaram R$ 9,3 bilhões, com crescimento de 4,1% em relação ao 1T24 e crescimento de 4,9% na comparação anual. O crescimento das Despesas em ritmo menos acelerado do que o crescimento das Receitas resultou em uma melhora no Índice de Eficiência. O 2T24 apresentou Índice de Eficiência de 25,2%, o melhor da história do BB. No trimestre anterior, esse índice era de 25,9%.
Finalmente, o BB apresentou Lucro Líquido Ajustado de R$ 9,5 bilhões no 2T24, 2,5% superior ao apresentado no 1T24 e 8,2% superior ao apresentado no 2T23. Assim, em 12 meses, o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) cresceu. No 2T24, o ROE anualizado foi de 21,6%, 0,3 p.p. maior do que o do 2T23.
O Índice de Basileia do BB fechou o 2T24 em 14,2%, 1,1 p.p. abaixo do apresentado no fechamento do 1T24. Como justificativa para a queda substancial do índice de Basileia, a gestão alega que ainda procura pela estrutura ótima de capital, que alie o crescimento do banco com um bom índice de payout. Inclusive, ela deu indícios de que manterá os índices de capital nos patamares atuais para continuar distribuindo bons dividendos aos acionistas.
Por fim, o BB reajustou o Guidance projetado para 2024. O crescimento projetado para a MFB passou do intervalo entre 7% e 11% para um intervalo entre 10% e 13%. Já a PCLD Ampliada, que antes era projetada entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões, passou a ser projetada entre R$ 31 bilhões e R$ 34 bilhões. O restante das projeções foi mantido.
Na comparação do resultado entregue no 1º semestre com o Guidance divulgado, percebemos que o crescimento da Carteira de Crédito e da MFB está perto do topo do Guidance. Já o crescimento das Receitas de Prestação de Serviços e das Despesas Administrativas está mais próximo do piso do Guidance. A PCLD e o Lucro Líquido Ajustado aproximam-se do centro do Guidance.
Tendo como base o resultado dos dois primeiros trimestres, atualizamos o nosso modelo de Valuation de BBAS3. As principais mudanças foram um maior crescimento da carteira de crédito ampliada, aumento da PCLD e queda do índice de Basileia alvo no longo prazo. Porém, mesmo com as novas premissas, nosso modelo implica em um Lucro Líquido Ajustado inferior ao piso do Guidance. Projetamos o Lucro Líquido Ajustado para 2024, 2025 e 2026 em R$ 35 bilhões, R$ 36,4 bilhões e R$ 39,4 bilhões.
Para que as nossas projeções aproximem-se do Guidance do BB e da projeção do mercado, vai ser preciso que o BB cresça a carteira de Crédito Ampliada em um ritmo ainda mais acelerado ou que aumente o spread do crédito concedido. De qualquer forma, optamos pelo pessimismo e ignoramos esses dois cenários em nossas projeções.
Bradesco (BBDC4)
No 2T24, o Bradesco (BBDC4) apresentou Lucro Líquido Recorrente de R$ 4,7 bilhões, significativamente acima do projetado pelo mercado. O lucro apresentado representa crescimento de 12% em relação ao 1T24 e de 2% em relação ao 2T23.
Finalmente, podemos dizer que o resultado foi bastante positivo. O plano de reestruturação mostrou avanços importantes, como a retenção de custos, a assertividade na política de crédito e a melhora da qualidade da carteira. Dessa vez, o crescimento apresentado nos segmentos da carteira de crédito mostra que o BBDC começou a ganhar tração, mesmo com a política de crédito mais restritiva.
Para entendermos melhor esse resultado, passaremos para a análise de cada uma das grandes linhas de resultado, começando pela Margem Financeira Bruta (MFB) Gerencial. A MFB é composta pela soma dos resultados da Margem Financeira com Clientes e a da Margem Financeira com o Mercado.
No 2T24, a MFB ficou em R$ 15,3 bilhões, apresentando crescimento trimestral (+5% vs. 1T24) e queda na comparação ao mesmo período do ano passado (-5,9% vs. 2T23).
A exemplo do trimestre anterior, a grande detratora da MFB foi a Margem com Clientes que, embora tenha crescido 5% no trimestre, teve queda de 8,4% na comparação anual. Mesmo com a queda trimestral, tudo indica que, a partir de agora, a Margem com Clientes voltará a crescer.
A Margem com Mercado do 2T24 sofreu com a subida da taxa de juros futuro, mas diferente do que acontecia num passado recente, ela permaneceu positiva. No trimestre, a Margem com Mercado foi de R$ 325 milhões, representando uma queda de 48,4% em relação ao 1T24. No 2T23, a Margem com o Mercado foi negativa e, portanto, não é uma boa base de comparação.
A despesa de PDD no 2T24 foi de R$ 7,3 bilhões, uma queda de 6,7% em relação ao 1T24 e de queda de 29,3% vs. 2T24. A queda na despesa de PDD, aliada ao fato de o índice de cobertura ter se mantido estável, nos mostra que o Bradesco segue colhendo frutos da melhora na qualidade de crédito da carteira.
A queda da PDD no trimestre impactou diretamente a Margem Financeira Líquida (MFL), que é o resultado da PDD subtraída da MFB. No trimestre, a MFL apresentada foi de R$ 8,3 bilhões, cerca de 12,3% superior à apresentada no 1T24 e 32,9% superior à do 2T23.
Perceba que, mais uma vez, apesar da queda da MFB, a baixa despesa de PDD no trimestre resultou em crescimento da MFL.
A carteira de crédito expandida fechou o 2T24 em R$ 912,1 bilhões, crescimento de 5% vs. 2T23. A carteira de crédito voltada às grandes empresas (R$ 346,3 bilhões) cresceu 1,7% na comparação anual.
Já a carteira voltada às micros, pequenas e médias empresas (R$ 184,1 bilhões) cresceu 10,2% em comparação ao mesmo período do ano passado. Por fim, a carteira voltada às pessoas físicas (R$ 374,8 bilhões) cresceu 5% vs. 2T23.
Dentre os segmentos da carteira de crédito expandida que mais cresceram na comparação anual estão o Crédito Pessoal (+8% vs. 2T23), o Financiamento Imobiliário (+9,4% vs. 2T23), o Crédito Rural PF (+40,4% vs. 2T23) e o Crédito Rural PJ (+32,3% vs. 2T23).
O índice de inadimplência acima de 90 dias (NPL 90) fechou o 2T24 em 4,3%. No trimestre anterior, esse índice era de 5,8%. O índice de cobertura apresentou um leve aumento e passou de 164% para 170%. Outra melhoria foi em relação aos ratings da carteira. O percentual da carteira com rating entre E-H passou de 7,6% para 7,3%.
Voltando às linhas de resultado, o Resultado das Operações de Seguros, Previdência e Capitalização apresentou queda na comparação anual, por conta da menor taxa de juros no período. O Resultado reportado foi de R$ 4,6 bilhões, com crescimento de 16,2% no trimestre e queda de 1,9% vs. 2T23.
As Receitas de Prestação de Serviços se mostraram uma grata surpresa. Os R$ 9,3 bilhões reportados representam crescimento de 5,1% no trimestre e de 6,4% na comparação anual. No trimestre, a maior contribuição para as Receitas de Prestação de Serviços veio das Rendas de Cartão, que ficaram em R$ 3,7 bilhões. A linha de receita que mais cresceu foi a receita com Mercado de Capitais/Assessoria Financeira que, mesmo com o mercado desaquecido, cresceu 93% em relação ao 2T23 e fechou o trimestre em R$ 475 milhões.
O trimestre mostrou também que o Bradesco segue na luta para diminuir as despesas. As Despesas com Pessoal no 2T24 ficaram em R$ 6,6 bilhões, crescimento de 7,7% em relação ao 2T23. Porém, boa parte desse crescimento foi causada pelo aumento no custo de rescisões e provisões para processos trabalhistas. É natural que essa despesa ocorra junto ao ritmo agressivo de fechamento de agências e pontos de atendimento.
Por outro lado, as Despesas Administrativas cresceram abaixo da inflação do período. No 2T24, essas despesas ficaram em R$ 5,7 bilhões, representando um crescimento de 3,1% em relação ao 2T23.
No fim das contas, o Bradesco apresentou Lucro Líquido Recorrente de R$ 4,7 bilhões. Esse Lucro representa um Retorno Anualizado sobre o Patrimônio Líquido (ROAE) de 11,4%. No trimestre anterior, o ROAE era de 10,2%.
Em relação aos indicadores de capital, o Bradesco fechou o 2T24 com Índice de Basileia de 15,2%. No trimestre anterior, esse índice era de 15,4%. O Capital Nível 1 e o Capital Principal ficaram em 12,6% e 11,1%, respectivamente. Apesar da queda, esses índices estão em patamar confortável e ainda permitem ao banco a expansão na carteira de crédito.
Por fim, o Bradesco divulgou a comparação do resultado realizado no 1º semestre de 2024 e o Guidance projetado para 2024. As Receitas de Prestação de Serviços, Despesas Operacionais e a Carteira de Crédito Expandida estão dentro do Guidance. A MFB está bem abaixo do Guidance; porém, a PDD também está bem abaixo do Guidance. Na prática, esses dois fatores estão praticamente se anulando. O Resultado de Seguros também está abaixo do Guidance, mas o 2º semestre costuma ser mais forte, o que nos leva a acreditar que o Guidance será cumprido.
Diante do resultado anunciado, atualizamos nossas premissas em nosso modelo de Valuation. Nossa principal atualização foi em relação ao nível de PDD esperado. Uma vez que a inadimplência caiu de forma substancial, passamos a projetar uma menor PDD para o futuro. Por outro lado, passamos a projetar um aumento no Índice de Basileia de longo prazo. Mantivemos o índice de eficiência no longo prazo em 43%, embora durante a call de resultados a gestão tenha admitido trabalhar com esse índice em 40%; ou seja, nosso modelo segue pessimista.
Assim, para 2024, 2025 e 2026, projetamos o Lucro Líquido Recorrente em R$ 17,7 bilhões, R$ 18,9 bilhões e R$ 20,6 bilhões, respectivamente.
C&A (CEAB3)
Seguindo o mesmo ritmo dos últimos trimestres, mais uma vez a CEAB3 apresentou um bom resultado, com incremento nas vendas, aumento de Margem Bruta e diluição de despesas.
Entre o 2T23 e o 2T24, a C&A abriu seis lojas e fechou outras seis. A empresa segue segurando a expansão e focando em absorver os benefícios dos investimentos que fez. Embora esteja com a mesma quantidade de lojas, a Receita Líquida teve um aumento de 11,48% vs. 2T23, fechando em R$ 1,83 bilhão.
A principal linha de Receita que proporcionou esse aumento foi a de Vestuário, que teve uma melhora de 13,1% vs. 1T23.
As vendas por m² atingiram R$ 2,5 mil, um aumento de 13% vs. 2T23. Esse aumento foi possível graças às melhorias na gestão de sortimento e de logística que já comentamos em outros resultados, como precificação dinâmica, push & pull e processos de test & learn. No fim, as coleções acabam sendo mais aceitas e chegam mais rápido nas lojas em que são demandadas, diminuindo a ruptura de estoque e a necessidade de markdown.
Enquanto isso, a Receita de Eletrônicos e Beleza teve uma queda de 10,8% vs. 2T23. O principal motivo dessa queda foi o fechamento, no 1T24, de 128 quiosques de produtos eletrônicos que vendiam produtos como celulares e smartphones. Enquanto isso, a categoria de beleza cresceu mais que a receita de Vestuário, mas ela é tão pequena que a empresa ainda não divulgou os números.
Por fim, para fechar a parte de varejo, a linha de outras receitas (comissões por ativação de chips de celulares + fretes do e-commerce) teve um aumento de 50,7%, chegando a R$ 8,5 milhões. Apesar de ser um grande crescimento, ainda é um pingo no resultado da C&A.
Seguindo para os serviços financeiros, vimos um crescimento de 33,6% vs. 2T23. A receita fechou em R$ 117,6 milhões. No período, foram emitidos mais de 584 mil novos cartões. Conforme a C&A Pay cresce, a parceria Bradescard vai sumindo. Dessa receita, ela contribuiu com apenas R$ 16,47 milhões.
Entretanto, o atraso da carteira acima de 90 dias aumentou, passando de 26,5% para 29,8%. Em consequência disso, as despesas com PDD aumentaram e a C&A Pay acabou dando um prejuízo de R$ 6,1 milhões. É importante ficar de olho nesta operação. A forma como a empresa vai conduzir a financeira pode afetar bastante o valor da empresa.
Seguindo com o resultado, podemos falar de Margens. A empresa segue mostrando melhoras na eficiência da produção. A Margem Bruta de Mercadorias subiu 2,48 p.p. em relação ao 2T23, fechando em 56%, sendo que a de Vestuário ficou em 57,7%, um aumento de 1,3 p.p. vs. 2T23.
A de Fashiontronics + Beleza ficou em 26%, um aumento de 4,2 p.p. no mesmo período. Esse aumento se deve à maior relevância dos produtos de beleza nessa linha, que têm margem mais alta que os eletrônicos. A linha de “outras” gera um lucro bruto negativo. Sem ele, ela teria sido 57,1%. Por fim, a margem de serviços financeiros é de praticamente 100%.
Descendo no resultado, vemos que as despesas também melhoraram; entretanto, não foi uma melhora tão surpreendente assim.
Olhando de forma total, as despesas caíram 3,4 p.p. na relação com a Receita Líquida, fechando em 44%. De cara, parece um ótimo sinal. Entretanto, olhando para as despesas com vendas e para as despesas gerais e administrativas, elas ficaram no mesmo nível que vimos no 2T23. Elas foram, respectivamente, 8% e 25% da Receita Líquida.
O que proporcionou essa melhora foi a linha de “outros”, que ficou positiva em R$ 39,45 milhões. Esse valor é referente a uma reversão de provisão relativa à tese tributária relacionada à incidência de ICMS sobre tarifas de energia elétrica.
No fim, a Margem EBIT ficou em 12%, um aumento de incríveis 5,83 p.p. vs. 2T23.
No resultado financeiro, vimos uma piora de 3% vs. 2T23, fechando em -R$ 101,5 milhões. Com esse resultado, o Lucro Líquido ficou em R$ 119 milhões e uma Margem Líquida de 4,6%, 4,32 p.p. acima do 2T23.
Com essa sequência de resultados, a empresa reduziu bastante a alavancagem financeira para 1,4x dívida líquida/EBITDA. No 2T23, a alavancagem estava em 3,8x.
Fleury (FLRY3)
No segundo trimestre do ano, o Fleury reportou bons resultados, em linha com o consenso, com destaque especial para os ganhos de margens operacionais. O laboratório também anunciou o fechamento da aquisição da São Lucas Diagnósticos, marcando a presença da unidade B2C no estado de Santa Catarina.
Começando pela receita, sabemos que o resultado da Fleury é dividido em: Medicina diagnóstica (B2C e B2B), Novos Elos e Plataformas de saúde.
A Receita Bruta alcançou R$ 2.136,9 milhões, com crescimento de 8,1% em relação ao 2T23. Tal evolução é consequência de: (i) Crescimento de 13,2% de B2B; (ii) Crescimento de 17,9% em Outras Marcas SP; (iii) Crescimento de 11,0% em Marcas MG; e (iv) Crescimento do Atendimento Móvel de 16,3%, representando 7,6% da Receita Bruta no 2T24.
Em Unidades de Atendimento, o faturamento cresceu 7,1% no 2T24, atingindo R$ 1.434,6 milhões. Os principais vetores do crescimento foram: Marca Fleury (+6,1%), Demais São Paulo (+17,9%), Marcas MG (+11,0%) e Marcas RJ (+6,9%).
Os atendimentos atingiram 4,0 milhões no trimestre, aumento de 7%. O volume de exames totalizou 37,7 milhões, com expansão de 6,8%, principalmente pelo efeito de crescimento orgânico.
A Receita Bruta pro forma por exame foi de R$ 38,1 milhões no trimestre, com aumento de 0,2%. Este aumento reflete o efeito da mudança de mix de exames.
A Receita Bruta de B2B aumentou 13,2%, atingindo R$ 501,6 milhões. Tal aumento é consequência da alta demanda por testes de dengue e toxicologia.
Em Novos Elos e Plataforma de saúde, a Receita Bruta do 2T24 avançou 3,2%, alcançando R$ 200,7 milhões, representando 9,4% da Receita pro forma da companhia.
Seguindo no DRE, o Lucro Bruto atingiu R$ 567,3 milhões, com aumento de 13,3%, e Margem Bruta de 28,7%, com aumento de 145 bps. O aumento da Margem Bruta possui relação direta com a disciplina na gestão de custos da Companhia e também pela diluição de custos fixos por meio do crescimento da receita.
As Despesas Operacionais atingiram R$ 237,9 milhões no trimestre e 12% da Receita Líquida, praticamente estáveis em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Vale lembrar que no 2T23, o Fleury apresentou despesas não recorrentes (R$ 65,5 milhões) referentes à combinação de negócios com o Pardini. Sendo assim, desconsideramos essas despesas para um melhor efeito de análise.
Dessa forma, o EBITDA totalizou R$ 522 milhões, um aumento de 12,5% e uma margem de 26,4%, o que representa uma expansão de 1,15 p.p em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O Resultado Financeiro no 2T24 representou uma despesa de R$ 101,3 milhões, com diluição de 87 bps em relação ao mesmo período do ano anterior.
A companhia fechou o trimestre com uma Dívida Líquida de R$ 2 bilhões. A relação Dívida Líquida/EBITDA foi de 1,1x, abaixo do limite de 3,0x estabelecido pelos instrumentos de dívida. O Custo Médio da Dívida foi de CDI + 1,17%.
Fato é que a situação financeira da companhia é, de certa forma, bastante confortável, visto que sua posição atual de caixa é suficiente para cobrir 3,5 anos de dívida atual.
No 2T24, o Lucro Líquido totalizou R$ 173,6 milhões, com margem de 8,8%, 1,69 p.p maior do que no mesmo período do ano anterior.
Analisando para a geração de caixa, o Fluxo de Caixa Operacional no trimestre alcançou R$ 588,2 milhões, uma alta de 82,4% comparado com o mesmo período do ano anterior. O prazo médio de pagamento aumentou sete dias e o de recebimento aumentou seis dias.
Os investimentos (CAPEX) totalizaram R$ 97,6 milhões, uma redução de 8,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Sendo assim, o Fluxo de Caixa Livre atingiu R$ 490 milhões.
Consequentemente, mantemos o viés positivo para as ações de Fleury (FLRY3). Os resultados do segundo trimestre mostraram, mais uma vez, uma sólida resiliência do segmento de Unidades de Atendimento, o core business da companhia.
Lojas Quero-Quero (LJQQ3)
O resultado das Lojas Quero-Quero no 2T24 deixou a desejar. Por mais que tenha tido um bom aumento na Receita e na Margem Bruta, a operação entregou prejuízo.
Mas é importante perceber que foi um trimestre atípico. As chuvas no Rio Grande do Sul e os não-recorrentes referentes a créditos fiscais fizeram com que o resultado viesse bem abaixo do que se esperava.
Indo para o resultado, no 2T24 a Quero Quero abriu 10 novas lojas, terminando o trimestre com 562 lojas. Como a empresa espera abrir entre 20 e 30 lojas até o fim do ano e já abriu 11, projetamos a abertura de mais nove lojas até o fim do ano. Assim, nossa projeção prevê 2024 com 571 lojas.
A Receita Líquida Total mostrou um aumento de 13,93% vs. 2T23, fechando o trimestre com R$ 638,3 milhões.
Começando pela Receita de Mercadorias, vimos um aumento de 12% vs. 2T23, fechando em R$ 432,6 milhões
Boa parte disso se deu pela abertura de lojas e por conta da deflação de materiais de construção; porém, teve mais.
Devido às enchentes no RS, a demanda por eletrodomésticos e móveis aumentou. Mas, além dessas vendas, a empresa vendeu produtos a preço de custo para os habitantes mais atingidos pela catástrofe. Esses produtos foram distribuídos para mais de 16 mil pessoas, somaram R$ 19 milhões e deram um belo incremento na Receita. Além disso, a empresa também doou R$ 1 milhão em produtos para os colaboradores que mais sofreram com as enchentes.
Agora, olhando para a Receita Líquida de Serviços Financeiros + Cartão de Crédito, vimos um crescimento de 18,2% vs. 2T23, atingindo R$ 205,7 milhões.
A carteira do Verdecard expandiu 13,5% vs. 2T23, fechando em R$ 1,226 bilhão. Mesmo com esse crescimento e com a situação no RS, o nível de atraso se manteve controlado, ficando em 12,4%, com um aumento de 0,5 p.p. vs. 1T24 e de 0,5 p.p. vs. 2T23.
Agora, descendo ao resultado, conseguimos ver uma boa melhora na Margem Bruta; porém, essa melhoria veio da financeira.
Quando se trata da Margem Bruta de Mercadorias, vemos que ela ficou exatamente no mesmo nível do 2T23, fechando em 27,82%. Tendo em mente que a empresa vendeu R$ 19 milhões a preço de custo, ou seja, com Margem 0%, podemos ver que a Margem Bruta segue aumentando trimestre após trimestre. Tirando isso da conta, a margem teria ficado em 29,1%.
Agora, olhando para a Margem Bruta de Serviços Financeiros, assim como no 2T23, novamente vemos um aumento. Desde 2021, temos visto um movimento de queda dessa margem por conta do aumento do custo de funding. Porém, no 2S23, esse quadro começou a apresentar sinais de virada. No 2T24, a margem ficou em 49,2%, um crescimento de 2,7 p.p. vs. 2T23.
Dessa forma, a Margem Bruta ficou em 34,7% no 1T24, dando sinais de que a empresa está cada vez mais próxima de retomar o nível histórico. Tirando as vendas a preço de custo, a Margem teria ficado em 35,76%.
O negócio começa a ficar feio quando descemos para a Margem EBIT, que ficou em -3,36%. Isso dá uma queda de 6,1 p.p. vs. 2T23.
Olhando para as despesas com vendas, vemos que houve uma diluição de 1 p.p. no trimestre, fechando em 22,8% da Receita Líquida. As despesas gerais e administrativas pioraram um pouco, com um aumento de 0,3 p.p. vs. 2T23, fechando em 10,5% da Receita Líquida.
O problema é quando vamos para a linha de “Outras Despesas”. Nela, houve uma reversão não recorrente de créditos fiscais no valor de R$ 27,4 milhões. Tirando isso da conta, o EBIT teria ficado em R$ 6,6 milhões, o que daria uma Margem EBIT de 1,04%.
Mas os problemas relacionados a esses créditos fiscais ainda não acabaram.
Esse evento não recorrente também afetou o resultado financeiro por conta da atualização monetária no valor de R$ 22,4 milhões.
Dessa forma, a empresa fechou o trimestre com um prejuízo de R$ 56 milhões, um resultado bem pior do que o projetado pelo mercado, que era um prejuízo de R$ 17 milhões. Com esse resultado, o Lucro Líquido ficou em -11,7%, uma queda de 9,3 p.p. vs. 2T23.
Consequentemente, a empresa acabou queimando caixa no período, fechando o trimestre com uma dívida líquida ajustada para fins de covenants de R$ 333 milhões, o que dá uma relação de 1,3x Dívida Líquida Ajustada/EBITDA. Por mais que tenha aumentado, continua longe dos covenants da empresa, de 2x. Além disso, a empresa historicamente queima caixa no primeiro semestre e gera no segundo, o que ajuda na posição de caixa da Quero-Quero.
Kepler Weber (KEPL3)
Apresentando um crescimento relevante no segundo semestre, a Kepler caminha para transformar 2024 no segundo melhor ano da companhia, ultrapassando os números de 2023.
Vamos dar uma olhada em detalhes nos números de cada segmento:
A Receita Líquida foi de R$ 327,8 milhões, ou seja, houve crescimento de 16,6% vs 2T23. Os destaques de aumento de receita vieram de Portos e Terminais, crescendo 34%, e de Fazendas, com 25,3%. Em Portos e Terminais, a empresa atingiu o faturamento de R$ 37,5 milhões, realizando vendas para o Porto de Santos e grandes indústrias de etanol de milho no Mato Grosso. Em Fazendas, a Kepler faturou R$ 103,6 milhões, com a demanda aquecida dada a expectativa de safra recorde em 24/25.
No segmento de Negócios Internacionais, a companhia teve um crescimento de 24,1% na receita, atingindo R$ 31 milhões. A Kepler destacou o retorno de vendas à Argentina, depois de um período sem grandes exportações para o país, e o desempenho positivo na América Latina, em especial no Equador, Paraguai e Venezuela.
Já em Agroindústrias, a companhia faturou R$ 98,2 milhões, ou seja, teve um crescimento de 15,3%. As grandes cooperativas, com a perda de rentabilidade dada a queda dos preços de commodities, têm aumentando seus investimentos em projetos industriais, buscando agregar valor aos seus produtos. Isso tem incentivado as vendas do segmento, além de a empresa destacar o limite de financiamentos do Plano Safra, destinado ao financiamento de cooperativas, passando de R$ 50 milhões para R$ 200 milhões.
O único segmento que não apresentou crescimento no comparativo trimestral foi o de Reposição e Serviços. A receita foi de R$ 57,6 milhões, uma redução de 4,7%. A companhia justificou a queda pela redução no custo do aço e as duas grandes obras que haviam sido entregues no 2T23, afetando a comparabilidade entre os períodos. Ainda assim, o crescimento considerando o semestre completo se mostrou positivo em 2,9%.
O Custo dos Produtos Vendidos teve um aumento de 15,9% ante o 2T23, patamar inferior ao do crescimento de receita. Como percentual sobre a receita líquida, o CPV teve uma queda de 0,4 p.p. chegando a 70,4%. A empresa operou com um volume 25% maior do que o do 1S23 e, se aproveitando dos ganhos de escala, a Margem Bruta chegou a 29,6% (+0,4 p.p. vs 2T23).
As Despesas com Vendas tiveram aumento de 10%. Como percentual da receita, houve uma redução de 0,5 p.p., chegando aos 6,8%. Já as Despesas Gerais e Administrativas subiram 8,9%, reduzindo como % da RL em 0,5 p.p. Assim, a Margem EBIT da empresa foi de 16,3%, levemente subindo 0,3 p.p. vs 2T23.
O Resultado Financeiro líquido fechou o 2T24 em R$ 1,3 milhão, ante R$ 0,4 milhão negativo no 2T23, refletindo o aumento da posição de caixa da companhia.
Com isso, o Lucro Líquido foi de R$ 37 milhões (+10,9% vs 2T23) e a Margem Líquida de 11,3% (-0,5 p.p.), impactada pela tributação de incentivos fiscais iniciada neste ano.
A empresa também destacou a venda de silos bolsa nos seus Centros de Distribuição, iniciada em junho. A Kepler entende esse produto como uma solução temporária para momentos de gargalos logísticos, avaliando que 80% dos clientes que compram o silo bolsa já possuem silos metálicos. Além disso, ele serve como opção inicial para clientes que poderão futuramente adquirir um silo metálico, aumentando o funil de vendas da companhia.
Com relação ao Plano Safra 2024/2025, a empresa salientou o aumento de recursos em 17,3% na linha do PCA Programa de Construção de Armazéns, chegando ao valor de R$ 7,8 bilhões. No programa anterior, foram disponibilizados R$ 6,6 bilhões, sendo que o BNDES liberou, de fato, R$ 4,5 bilhões em empréstimos.
Historicamente, entre 60% a 70% do valor anunciado é o que chega à ponta final nos clientes.
Sobre o lançamento, ainda em 2024, de uma planta piloto voltada à locação de unidades de armazenagem, o CEO da companhia disse que espera ter novidades “em breve”.
A gestão ainda comentou sobre a venda da GSI, divisão de silos da fabricante de máquinas agrícolas AGCO, feita para a gestora de private equity American Industrial Partners. Como a transação ocorreu a um múltiplo EV/Ebitda de 8,36 vezes, enquanto a Kepler negocia a cerca de 4,55 vezes, o CEO destacou que esse foi um dos motivos para a companhia não ter se interessado pela aquisição, além de ser um indicativo de como a ação da companhia está subavaliada. Embora nossa metodologia não seja essa, a título de curiosidade, caso a Kepler fosse avaliada também em 8,36x EV/EBITDA, o valor justo de sua ação deveria ser de R$ 19,36.
Klabin (KLBN11)
No geral, o volume de vendas atingiu 995 mil toneladas, com um crescimento de 16% se comparado ao 2T23. Esse crescimento expressivo de volume na comparação anual teve dois fatores como drivers: (i) o ramp-up das máquinas MP28 e MP27, que elevou em 33% o volume de vendas de papéis; e (ii) o volume de celulose teve uma menor base de comparação, já que a parada geral na unidade de Ortigueira ocorreu no 2T23.
No caso do segmento de Papéis e Embalagens, o volume compensou a queda de 8% e 4% no preço médio de venda de papéis e embalagens, respectivamente. Isso elevou em 10% a Receita Líquida, se comparada ao 2T23, atingindo R$ 3,2 bilhões. Adicionalmente a isso, o menor custo de caixa por tonelada e a valorização do dólar frente ao real contribuíram para um crescimento de 25% no EBITDA do segmento, que atingiu R$ 1,2 bilhão, com uma margem de 37% (+5p.p. vs 2T23).
Para o segmento de celulose, a Receita Líquida foi beneficiada tanto por um aumento de volume quanto pelo crescimento de 13% no preço médio de venda, totalizando uma Receita de R$ 1,6 bilhão. Para o EBITDA do segmento, a história é parecida com a de Papéis e Embalagens; o menor custo caixa e a valorização do dólar frente ao real contribuíram para um EBITDA 121% maior, se comparado ao 2T23, atingindo R$ 857 milhões, com uma margem de 54% (+23p.p. vs 2T23).
Contudo, o principal fator para esse crescimento expressivo no EBITDA do segmento de celulose foi aquilo que comentamos sobre a menor base de comparação anual. Nos 6M24, o EBITDA foi 14% superior ao apresentado nos 6M23, atingindo uma margem de 52% (+7p.p. vs 6M23).
No consolidado, a Receita atingiu R$ 4,9 bilhões, com um crescimento de 15% em relação ao 2T23. No acumulado dos 6 meses do ano, o crescimento foi de apenas 3%, refletindo uma melhor base de comparação, já que no 1T24 houve uma parada de manutenção na unidade de Otacílio Costa.
Apesar do crescimento moderado da Receita no acumulado do ano, o EBITDA total atingiu R$ 3,7 bilhões nos 6M24, um crescimento de 13% em relação aos 6M23, com uma margem de 39% (+3p.p. vs 6M23).
O crescimento do EBITDA, acompanhado de uma melhora na margem, contribuiu para um Fluxo de Caixa Livre positivo de R$ 283 milhões no 2T24, revertendo o valor negativo do 2T23. No acumulado dos 6M24, embora tenha sido um valor negativo de R$ 367 milhões, já demonstra um alívio se comparado com o valor negativo de R$ 695 milhões dos 6M23.
O que ajudou esse Fluxo de Caixa menos pressionado no período foi uma queda nos investimentos de 19% nos 6M24, se comparado com os 6M23. O movimento é explicado pelos menores desembolsos com o projeto Puma II, que já está chegando ao fim.
Contudo, o Fluxo de Caixa não foi suficiente para fazer frente ao aumento da Dívida Bruta, elevando em ~20% a Dívida Líquida da companhia, se comparado ao 2T23. Esse aumento reflete algumas captações realizadas no período, além de uma valorização do dólar frente ao real, já que boa parte da dívida da companhia é em moeda estrangeira. Tudo isso resultou em uma alavancagem de 3,2x Dívida Líquida/EBITDA no 2T24 (+0,4x vs 2T23).
Por mais que seja um nível de alavancagem alto, é preciso entender que a empresa está passando por um momento de ciclo de investimentos, com o Projeto Puma II, Projeto Figueira e o projeto de modernização da unidade de Monte Alegre. Com isso, apesar de não ter nenhum covenant atualmente, a política de endividamento da companhia limita sua alavancagem para 3,5x, podendo chegar até 4,5x durante ciclos de investimento.
De todo modo, no dia 16 de julho, a companhia divulgou um Fato Relevante informando que o CADE aprovou a aquisição prevista para o início do Projeto Caetê. Esse projeto conta com a aquisição de 150 mil hectares, sendo 85 mil de áreas florestais produtivas, além de máquinas e equipamentos e 31,5 milhões de toneladas de madeira em pé. Para isso, a companhia desembolsou, em julho, US$ 1,16 bilhão, cerca de R$ 6,3 bilhões, considerando a taxa de câmbio no dia do Fato Relevante.
Evidentemente, toda essa grana desembolsada trará um aumento expressivo de alavancagem no 3T24, podendo chegar próximo ao limite de 4,5x estabelecido pela política de endividamento. Entretanto, nos próximos anos, é esperada uma redução relevante no custo de caixa e no CAPEX da companhia, o que naturalmente trará um alívio maior na alavancagem da companhia.
Inclusive, os diretores da Klabin disseram na teleconferência de resultados que, para os próximos anos, o foco será desalavancar a empresa. Para isso, eles contam com a sinergia dos projetos que estão em andamento, principalmente: (i) ramp-up bem-sucedido das máquinas MP28 e MP27; e (ii) a diminuição de custos e investimentos com o Projeto Caetê.
Com isso em mente, devemos acompanhar de perto os próximos passos da companhia em relação à alocação de capital. Esperamos que, nos próximos anos, não seja feito nenhum projeto da dimensão que foi o Puma II ou o Caetê, dando espaço para maiores pagamentos de dividendos. Somado a isso, ficaremos atentos às sinergias que esses projetos trarão ao longo do tempo, já que, em nosso modelo de valuation, não consideramos nenhum tipo de sinergia nesse sentido. Portanto, uma redução nos custos e no CAPEX contribuirá positivamente para o nosso valor justo.
Para o 3T24, não acreditamos que a empresa apresentará resultados muito surpreendentes por dois motivos principais: (i) há uma tendência de estabilização ou até mesmo queda no preço da celulose; e (ii) a parada programada na unidade de Ortigueira trará uma queda no volume de vendas. Do lado positivo, esperamos que o crescimento no segmento de Papéis e Embalagens continue sua tendência, com o ramp-up das máquinas MP27 e MP28. E, por fim, aguardamos maiores detalhes sobre as possíveis sinergias de curto prazo com o closing do Projeto Caetê.
Sanepar (SAPR11)
A Sanepar apresentou resultados fracos no 2T24, ficando abaixo das expectativas do mercado. O principal detrator dos números da companhia no período foram os Custos e Despesas Operacionais, que cresceram acima do ganho de Receita.
Em relação ao operacional da empresa, a Sanepar apresentou um aumento de 3,4% no volume faturado de água, enquanto no segmento de esgoto, o crescimento foi de 5,3%. Quanto às novas ligações, o aumento foi de 0,8% para água e 2,7% para esgoto. Apesar do crescimento nominal nos números, o acréscimo de economias foi menor em ambos os segmentos, o que significa que no 1S23 a companhia havia adicionado mais economias em sua rede do que foram somadas no 1S24.
Esses números, junto ao reajuste tarifário aplicado em maio de 2024, levaram a Receita Líquida da companhia para R$ 1,7 bilhão, com um aumento de 8,35% em comparação ao 2T23.
Entretanto, ao analisarmos a linha de Custos, vemos um aumento na ordem de 19%, enquanto as Despesas Operacionais subiram 13%. Os principais culpados disso foram as contas de pessoal, os serviços de terceiros e gastos com energia elétrica, que cresceram 26,5%, 23,9% e 19,8%, respectivamente.
Quanto aos gastos com pessoal, a razão do aumento foram os reajustes salariais e indenizações trabalhistas pagas no período. Os gastos com energia elétrica cresceram por conta do fim dos subsídios que algumas unidades da companhia tinham direito, além do reajuste anual no preço. Vale lembrar que essas variações no custo da energia são repassadas integralmente na tarifa da Sanepar.
Além disso, a companhia está migrando para o mercado livre de energia elétrica, e a gestão informou que no primeiro semestre de 2024 já foi contabilizada uma economia de R$ 8 milhões com esses gastos.
Em relação aos serviços, as principais variações foram vistas em processamento de dados, operação e manutenção de sistemas e serviços de cobrança. Apesar de serem serviços recorrentes, o aumento é mais expressivo do que os valores apresentados trimestre a trimestre em 2023 e 2024. De qualquer forma, eram operações que já estavam em andamento nos períodos anteriores, em que a companhia conseguiu manter números estáveis, e por isso não acreditamos que os valores mais altos devam ser considerados como um novo patamar, mas sim como um outlier.
Fato é que, no trimestre, o aumento de custos enxugou as margens da Sanepar, levando a uma queda de Margem Bruta e Margem EBIT de 4 pontos percentuais e 5,1 pontos percentuais, respectivamente.
Para o Resultado Financeiro, vemos uma despesa líquida 16% maior do que no 2T23. As Receitas cresceram em torno de 29% devido a Ganhos com Instrumentos Financeiros Derivativos, enquanto as Despesas subiram em 24% por conta de novas captações da companhia.
Por conta do aumento nos gastos acima do aumento na Receita, o Lucro Líquido da Sanepar ficou em R$ 375 milhões no 2T24, caindo 11% em comparação com o 2T23. A Margem Líquida fechou o trimestre em 22,57%, com uma queda de 4,9 pontos percentuais.
Os investimentos feitos pela companhia também diminuíram no trimestre, apresentando uma queda de 6,5% no total. Apesar do CAPEX menor do que o previsto nos dois primeiros trimestres de 2024, a empresa reafirmou que o planejamento para 2024, no valor de R$ 2,4 bilhões, continua o mesmo.
Agora, falando de mudanças no modelo de Valuation, a alteração mais relevante foi na projeção de Despesas Gerais e Administrativas devido ao aumento apresentado no 2T24. Como mencionamos, não acreditamos que os gastos mais altos se manterão no patamar apresentado pela Sanepar neste trimestre, mas optamos por aumentar levemente a projeção de despesas nos próximos anos, mantendo a mesma porcentagem sobre a Receita Líquida apresentada entre os anos de 2016 e 2023, um crescimento em torno de 2 pontos percentuais. Para 2024, utilizamos a média apresentada nos dois primeiros trimestres do ano.
SLC Agrícola (SLCE3)
Como a próxima safra de soja vai começar agora no 3T24, os reflexos de uma safra passada difícil para a cultura ainda perduram nos resultados da empresa. Por conta desse cenário, os resultados vieram abaixo daquilo que era esperado pelo mercado, com queda de 6,4% na Receita Líquida total.
Por outro lado, estamos praticamente na metade da época de colheita do algodão, que tem demonstrado bom desempenho até aqui. Com 57% da área de algodão colhida, a companhia atingiu uma quantidade faturada de 81,4 mil toneladas de algodão em pluma no 2T24, com um crescimento de 58,9% vs 2T23. Com isso, a Receita Líquida dessa cultura atingiu R$ 778,2 milhões no 2T24 (+73% vs 2T23).
Aliado a esse crescimento expressivo na Receita, a companhia apresentou uma queda de 12% no custo unitário do algodão em pluma, compensando a queda de 4,2% do preço unitário vs 2T23. Acontece que grande parte desse algodão faturado refere-se à safra 22/23, período em que a SLC apresentou uma produtividade recorde para a cultura. Isso resultou em um ganho de 15,4% no Resultado Bruto unitário do algodão, se comparado ao 2T23.
Mas todo esse ganho obtido com o algodão em pluma não foi compensado pelas demais culturas. De todas elas, destaca-se a soja, que é uma das culturas mais representativas da Receita da SLC. O cenário não está favorável para a oleaginosa comparado ao 2T23, que sofreu com uma queda de 24,8% no seu preço unitário, uma queda de 27,4% na quantidade faturada e aumento de 23,3% no custo unitário. Essa tempestade perfeita para a soja levou a um Resultado Bruto unitário de apenas R$ 52/tonelada, com uma queda de incríveis 94,6% vs 2T23.
Outro destaque negativo foi o milho, que apresentou uma queda de 23,2% na Receita Líquida, devido a preços 25% menores vs 2T23. Assim como a soja, a menor produtividade contribuiu para que o custo unitário do milho também aumentasse, mas em menor magnitude, atingindo R$ 580/tonelada (+8,2% vs 2T23). Com esse cenário, o Resultado Bruto unitário do milho despencou 67% vs 2T23, fechando em R$ 141/tonelada.
Dado o cenário negativo para a maioria das culturas do portfólio da empresa, a quantidade faturada é, no total, 8% menor, se comparada ao 2T23, levou a uma Receita Líquida total de R$ 1,35 bilhão, com uma queda de -6,4% vs o 2T23.
Mesmo com todo esse cenário negativo, o Lucro Bruto da empresa atingiu R$ 831 milhões, um acréscimo de 13,4% se comparado com o 2T23. Contudo, aqui existe o impacto das variações no ativo biológico, que não tem efeito caixa. Dessa forma, excluindo esses efeitos da variação no ativo biológico, o Lucro Bruto da companhia atingiu R$ 274 milhões, uma queda expressiva de 45% vs 2T23.
Com essa piora expressiva no Lucro Bruto, o EBITDA seguiu a mesma tendência e despencou 53,4% vs 2T23, atingindo R$ 258 milhões, com uma margem de 19,1% (-19,2p.p. vs 2T23).
Acompanhando esse resultado operacional consideravelmente mais fraco no trimestre, o Fluxo de Caixa Operacional da companhia fechou o trimestre 30% menor vs 2T23, levando a um Fluxo de Caixa Livre negativo em R$ 543 milhões. Esse valor negativo ficou 40% pior se comparado com o 2T23, que fechou com um valor negativo no período de R$ 386 milhões. Vale destacar que no primeiro semestre o Fluxo de Caixa costuma ser sazonalmente mais afetado por um Capital de Giro mais intensivo no período, além de desembolsos para pagamento dos insumos e arrendamentos.
Além do Capital de Giro, grande parte dessa queima de caixa neste 2T24 refere-se a investimentos 143,5% maiores em relação ao 2T23. Com um desembolso de R$ 297,3 milhões no 2T24, a maior parte desse dinheiro foi destinado à aquisição de novas máquinas, como colheitadeiras e pulverizadores, além de maiores investimentos em correção de solo nas fazendas.
Mas mesmo com essa queima de caixa, a Dívida Líquida da companhia não apresentou um crescimento expressivo se comparado ao 2T23, fechando em R$ 4,2 bilhões (+6% vs 2T23). Acontece que o EBITDA mais fraco no período contribuiu para uma alavancagem de 2x Dívida Líquida/EBITDA (+0,4x vs 2T23).
Apesar de parecer uma alavancagem confortável, chama a atenção o nível atual de alavancagem da companhia. O único período em que esse indicador atingiu o patamar acima de 2x foi no 2T19, período em que a companhia também sofria com resultados mais fracos da soja. Outro momento que atingiu esse patamar foi no 1T20, quando atingiu uma alavancagem de 1,9x.
Nos últimos trimestres, esse indicador tem subido bastante, mas vale destacar que esse é um período sazonalmente mais fraco mesmo, que acaba forçando a companhia a captar novas Dívidas para cobrir sua necessidade de Capital de Giro no período.
Contudo, vamos nos manter atentos a isso nos próximos resultados. O EBITDA apresentou uma queda relevante no trimestre, principalmente pelos desafios para rentabilizar com a soja. Para os próximos trimestres, o cenário não deve ser diferente; a expectativa para a safra que vai se iniciar agora (24/25) é de um aumento expressivo na oferta de soja, o que tem se refletido na cotação da commodity no mercado.
Pelo lado positivo, a safra passada foi impactada fortemente por um El Niño, que não deve se repetir nesta próxima safra. Isso trará uma normalização da produtividade das culturas que a SLC tem no portfólio, principalmente no caso da soja. Essa produtividade mais normalizada, aliada aos preços de insumos mais baratos, trará uma maior lucratividade nas culturas nesta safra 24/25.
Além disso, a SLC está divulgando novos arrendamentos a todo vapor. A empresa divulgou três novos arrendamentos nos meses de abril, julho e agosto. Com as três operações divulgadas, o aumento do potencial de área plantada da SLC é de 59,2 mil hectares para a safra 24/25.
Acreditamos que esse movimento seja positivo para a empresa. O fato é que, como as commodities estão negociando a preços historicamente baixos, a tendência é que o preço dos arrendamentos esteja no low do ciclo também.
Por fim, acreditamos que o próximo semestre será mais favorável para a empresa, principalmente por conta da sazonalidade natural do setor. Principalmente no caso do algodão, que historicamente tem uma sazonalidade mais forte no 4º trimestre e tem demonstrado resultados positivos nestes dois primeiros trimestres do ano. Já no caso da soja o cenário é incerto e segue sendo uma preocupação o nível de preço atual, principalmente por conta de uma expectativa de oferta bem superior à demanda nesta safra 24/25.
Taurus (TASA4)
A Taurus segue atravessando um cenário adverso no mercado de armas, sendo impactada tanto no seu faturamento quanto na sua rentabilidade nos comparativos com o 2T23. Entretanto, do lado positivo, a atuação no Brasil começa a dar sinais de estar em um ponto de inflexão, ao mesmo tempo em que a companhia segue apresentando potencial em várias iniciativas.
Vamos olhar em mais detalhes seus números e suas perspectivas:
A Receita Líquida foi de R$ 407,9 milhões, com redução de 13,3% ante o 1T23, e de 9,1% contra o 1T24.
Os EUA representaram 79,2% da Receita, com R$ 293,1 milhões (-20,4% vs 2T23, -18,9% vs 1T24). A dinâmica iniciada no final de 2023, em que os distribuidores e lojistas buscam aumentar o giro do estoque como forma de proteção contra o custo financeiro por conta da inflação e dos juros elevados nos EUA continua.
A cadeia de vendas vem atuando com estoque de aproximadamente um mês, quando historicamente eles possuem estoque para cerca de três meses, preferindo fazer menores encomendas às fábricas, mesmo que com maior frequência.
Esse foi um dos fatores que influenciaram o comparativo com o 2T23, junto com a própria dinâmica de mercado no período, tendo o Adjusted NICs (indicador de intenção de compras de armas nos EUA) recuado 7,9% ante o 2T23. Ainda assim, o índice segue 19% superior ao registrado no 2T19, que é o nosso “cenário base”.
A expectativa para o NICs é continuar em tendência positiva, considerando as eleições presidenciais de 2024. Esse fato tradicionalmente leva ao aumento da demanda devido à incerteza com relação à política a ser adotada pelo governo a ser eleito. A indicação de Kamala Harris como candidata do partido Democrata contribui para esse cenário, dado que ela teve, ao longo de sua carreira pública, e ainda tem, como ponto de campanha, um posicionamento mais restritivo ao uso de armas.
Partindo para o Brasil, o mercado começou a dar, finalmente, sinal de estar no ponto de inflexão. O país representou 12,9% da Receita, com faturamento de R$ 47,8 milhões, 11% inferior ao do 2T23, mas 170% superior ao do 1T24. O volume de 29 mil armas vendidas foi 11,5% maior do que o registrado no 2T23 e 163,6% maior do que o do 1T24.
As autorizações de novos registros de CACs e de aquisições para esse grupo voltaram a ser efetivadas. A regulamentação para aquisição de armas para membros de Polícias Militares, Corpos de Bombeiros Militares e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República também já foi definida e, assim como ocorreu com os CACs, agora deve haver um período de adaptação às novas regras para os órgãos de controle. A regulamentação ainda pendente agora é para membros de instituições policiais não militares: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Civil.
Assim, a demanda reprimida no mercado brasileiro segue se acumulando. As pistolas calibre .38 TPC, desenvolvido pela empresa e com maior energia vendida no país, dentro do limite estabelecido pela nova regulamentação, já começaram a ser comercializadas, com a empresa vendendo 25 mil unidades no seu lançamento.
Ainda sobre o mercado brasileiro, a licitação mais relevante atualmente, da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) para a aquisição de 32 mil fuzis, que comentamos no relatório anterior, teve a Taurus como ofertante do menor preço na 1ª fase. Como a licitação atraiu concorrentes internacionais e houve pedidos de recursos, a finalização do processo se estendeu, mas a empresa espera que ele seja concluído em setembro.
Já a linha de Outros Países representou 7,9% da Receita, com R$ 29,2 milhões (+61,3% vs 2T23 e -35,5% vs 1T24). As maiores vendas feitas pela empresa foram para a Guatemala, as Filipinas, o Gana e a África do Sul.
Na Índia, devido às eleições e a legislação do país, as vendas para o mercado civil ficaram paralisadas por dois meses durante o período eleitoral, sendo retomadas no final de junho. A produção no país segue em ramp up, com a empresa tendo produzido 600 armas em julho. A meta é atingir entre 1 mil e 1,2 mil armas/mês. Vale lembrar que o país possibilita vendas de alto valor agregado, com preço médio entre US$ 1,2 mil e US$ 2,6 mil.
Com relação à licitação dos 425 mil fuzis na Índia, apenas para relembrar o que já informamos no 1T24, a joint venture da Taurus passou pela quarta fase do processo, representada pelos testes de verão, que incluem a avaliação do uso das armas em condições extremas de altas temperaturas. A quinta e última etapa será composta pelos testes de inverno, a serem realizados até o final do ano de 2024, e depois disso, os vencedores serão anunciados. Além dessa mega licitação, a Taurus está disputando outras licitações de menor volume, que somam US$ 47 milhões.
Já para a Arábia Saudita, a empresa informou que o plano de negócios, incluindo a criação de um plano de possível localização da fábrica, foi concluído. Agora a companhia está atuando com a Scopa nos acordos para a elaboração da minuta de contrato, que poderá ser assinado ainda em 2024 se aprovado por ambas as partes.
Voltando aos números do resultado, o Custo dos Produtos Vendidos teve uma redução de 11,6% ante 2T23 e de 13,1% vs 1T24, praticamente acompanhando a redução de receita. Com isso, a Margem Bruta da companhia foi de 35,4%, com redução de 1,2 p.p vs 2T23, mas alta de 3 p.p. vs 1T24. Esse patamar continua superior ao da Ruger, que teve 22,3% e em linha com a da Smith, que atingiu 35,5%.
Se por um lado o CPV reduziu, por outro as Despesas Operacionais aumentaram (+1,6% vs 2T23 e 11,4% vs 1T24). Os principais motivos para isso foram o aumento com despesas gerais e administrativas, variação cambial das despesas na unidade dos EUA e não-recorrente com apoio prestado às enchentes no Rio Grande do Sul.
Dessa forma, a Margem EBIT recorrente da empresa chegou a 11,2%, praticamente estável em relação ao 1T24 (-0,1 p.p.) e reduzindo 4,3 p.p. vs 2T23.
O Resultado Financeiro, por sua vez, foi o grande detrator do resultado da companhia, apresentando uma despesa líquida de R$ 58 milhões, ante receita de R$ 4,5 milhões no 2T23 e despesa de R$ 25,9 mi no 1T24. Isso ocorreu devido principalmente a variações cambiais, que não possuem efeito caixa. Basicamente, a empresa tem mais de 80% do seu faturamento em dólar, assim como mais de 80% do seu endividamento também em dólar, o que funciona como um hedge natural.
Ao longo do 1S24 a empresa faturou suas vendas com dólar médio a R$ 5,08, entretanto, o dólar acelerou sua valorização no final de junho encerrando em R$ 5,56. Como o endividamento é uma conta do balanço, ou seja, é apurada na data de encerramento do exercício, considerando, portanto, a taxa de câmbio nesta data e não a taxa média do período houve um “descolamento” entre os R$ 5,08 médio do faturamento e o R$ 5,56 da marcação da dívida, provocando uma variação cambial de R$ 62,7 milhões que impactou o Resultado Financeiro da companhia. Isso, porém, mais uma vez, é um registro contábil, não tendo efeito em caixa.
Dessa forma, o Resultado Líquido da companhia acabou sendo um prejuízo de R$ 9 milhões, ante lucro de R$ 48,9 mi no 2T23 e R$ 18,9 mi no 1T24. A Margem Líquida por sua vez foi de -2,2% (-12,6 p.p. vs 2T23 e -6 p.p. vs 1T24).
Por fim, a diretoria da companhia destacou, em sua call de resultado, a negociação na qual sua controladora, a CBC, se tornou acionista relevante da holding Colt CZ. A Taurus estima que várias oportunidades poderão ser criadas para a empresa capturar sinergias dessa transação, destacando seu potencial de atuar como um “hub” de peças.
Tegma (TGMA3)
A Tegma apresentou um resultado em linha com nossas expectativas e surpreendeu o consenso de mercado, com um Lucro Líquido acima do esperado. No 1T24, a empresa apresentou um problema de margens apertadas, mas isso mudou bastante neste trimestre, conforme mostraremos com mais detalhes em breve.
A Receita Líquida da Divisão de Logística Automotiva alcançou R$ 427,3 milhões no 2T24, um aumento importante de 29,1% em comparação ao 2T23, quando a receita foi de R$ 330,9 milhões.
A Divisão de Logística Integrada também cresceu significativamente, já que a Receita Líquida aumentou para R$ 45,6 milhões, uma elevação de 27,5% em relação aos R$ 35,7 milhões do 2T23. Este aumento continua sendo reflexo dos novos contratos de transporte de barrilha (carbonato de sódio). Além disso, a operação de eletrodomésticos também cresceu, com as vendas recordes registradas no período.
Em termos consolidados, a Tegma reportou uma Receita Líquida total de R$ 472,8 milhões no 2T24, um aumento de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando reportou R$ 366,7 milhões.
A Margem Bruta de Logística Automotiva foi de 20,6%, um aumento de 2 pontos percentuais em relação aos 18,6% do 2T23. Com isso, o Lucro Bruto atingiu R$ 88,1 milhões. Do mesmo jeito que no 1T24, esse aumento de margem é atribuído à melhor diluição dos custos fixos, decorrente do aumento no volume de veículos transportados e na distância média percorrida.
A Margem Bruta de Logística Integrada continua sofrendo. Com um lucro bruto de R$ 8 milhões, no 2T24 ela foi de 17,6%, representando uma redução de 3,4 pontos percentuais em comparação ao 2T23. A empresa ainda teve custos com a desmobilização da operação de armazenagem cancelada pelo cliente Burger King no 1T24, além de ter enfrentado mais gastos com fretes emergenciais no segmento de eletrodomésticos (mais caros). Somados a esses dois fatores, a Tegma ainda gastou mais com seguros.
A piora na margem de Logística Integrada, porém, não atrapalhou o resultado consolidado, cuja Margem Bruta foi de 20,3%, um aumento de 1,5 ponto percentual em relação ao 2T23.
O EBIT de Logística Automotiva foi de R$ 65,1 milhões no 2T24, representando um aumento considerável de 74,8% em relação aos R$ 37,2 milhões do 2T23. A Margem EBIT subiu levemente.
Esse aumento é atribuído aos mesmos motivos relacionados à Margem Bruta, quais sejam o crescimento no volume de veículos transportados e na distância média, o que ajuda a diluir os custos.
Na Divisão de Logística Integrada, o EBIT apresentou queda de 16,8% em comparação com o 2T23. O grande vilão continua sendo a saída do Burger King, uma vez que ainda ficaram custos remanescentes de desativação para este trimestre.
De maneira consolidada, o EBIT da Tegma foi de R$ 80,6 milhões no 1T24, considerando o efeito da Equivalência Patrimonial da GDL. Isso representa um crescimento de 69,7% em relação ao 2T23.
Este aumento no EBIT consolidado reflete o forte desempenho da Divisão de Logística Automotiva e da GDL.
Por falar em GDL, vale destacar que a Receita Líquida foi recorde: R$ 70,5 milhões, mostrando um aumento substancial de 101,7% em relação ao 2T23. O serviço de armazenamento de veículos importados (BYD) continua surpreendendo com resultados expressivos.
Não à toa, a empresa iniciou suas operações em um novo espaço em Viana-ES, a 25 km da sede principal. Trata-se de um terreno de 100 mil m² que será utilizado, inicialmente, para o armazenamento de veículos importados que já passaram pelo processo de nacionalização.
Essa nova área permitirá um acréscimo na capacidade de armazenamento, acomodando até 5 mil veículos adicionais, em antecipação ao crescimento contínuo das importações esperado para os próximos anos.
O Lucro Líquido da GDL também deu um salto para R$ 19,2 milhões no 2T24, com um aumento de 189,3% em relação ao 2T23. A Margem Líquida também melhorou em 8,2 p.p. passando para 27,2%. A operação da BYD, que vem usando a Tegma como sua principal prestadora de serviços no Brasil, continua impulsionando o crescimento da empresa fortemente.
Por último, nos resta analisar a Margem Líquida consolidada da empresa. Dessa vez, o senso comum prevaleceu e o crescimento da Receita, somado ao efeito de Equivalência Patrimonial da GDL e ao efeito positivo do resultado financeiro, aumentaram a Margem Líquida em 2,6 p.p. para 13,4%.
Ao todo, foram R$ 63,5 milhões, 59,4% maiores que o Lucro Líquido do 2T23.
Isso permitiu um anúncio bem gordo de dividendos, no valor de R$ 80,4 milhões. Desse total, R$ 73,9 milhões serão pagos em dividendos e R$ 6,5 milhões em Juros sobre Capital Próprio (JCP), totalizando R$ 1,22 por ação. Essa distribuição representa 80% do lucro líquido referente ao primeiro semestre de 2024 (1S24).
Só nessa distribuição, o Dividend Yield (DY) foi de 4,8%. Considerados os últimos 12 meses, o DY chegou a 10,2%.
Seguimos com uma visão otimista para a Tegma. O volume baixo para Electrolux no 1T24 foi compensado com um volume maior nesse trimestre. Sem contar que a operação da GDL está voando e se expandindo a passos largos.
A empresa já recuperou parte das margens perdidas no 1T24 na Operação de Logística Integrada; acreditamos que, nos próximos trimestres, ela seguirá recompondo essas margens com o fim dos custos do encerramento da operação de Armazenagem.
Vale destacar que a Tegma não sofreu perdas com o desastre ocorrido no Rio Grande do Sul, não obstante possuir duas operações lá, conforme comentamos no relatório do 1T24.
Mas nem tudo são flores. Em julho, a empresa sofreu com a abertura de um processo pelo CADE acerca de possível formação de cartel, cujas investigações começaram com a operação Pacto.
O processo está em fase inicial ainda e é muito cedo para darmos uma opinião concreta sobre o que pode acontecer. Vale lembrar, porém, que em outra oportunidade, o CADE já arquivou um processo iniciado por denúncia da mesma concorrente da companhia que originou o presente processo. Vamos seguir acompanhando o desenrolar desse “abacaxi” nos próximos trimestres.
Retirada de VALE3 das Carteiras de Valorização e Renda
Vale (VALE3)
Na sexta-feira (16/08), nós fizemos uma publicação no Circle recomendando a VENDA das ações da VALE3. O motivo dessa decisão é que, embora a China tenha sustentado a demanda por minério de ferro de 2023 até hoje, novos dados ao final do primeiro semestre de 2024 indicam um possível declínio nessa demanda, devido à queda nas exportações e à imposição de tarifas antidumping por outras nações. Como resultado, a Vale pode enfrentar desafios, caso o preço da commodity continue em queda. Com os novos ajustes que fizemos na projeção de preços do minério até 2027, percebemos que nos falta margem de segurança para permanecer na posição, tornando a relação risco x retorno da ação pouco atrativa.
Caso queira se aprofundar nos motivos que nos levaram a recomendar a VENDA de VALE3, confira o relatório detalhado clicando aqui.
****E sobre as ações das carteiras “O Melhor da Bolsa e Small Caps”?
No caso das recomendações da carteira “O Melhor da Bolsa”, já fizemos todas as alterações, restando apenas algumas da carteira “Small Caps”. Para mais informações sobre as alterações, consulte os relatórios anteriores.
Vamos avisar sobre o momento ideal de vender as ações recomendadas na carteira extinta de “Small Caps” e, ao mesmo tempo, recomendaremos as ações da Carteira de Valorização. Assim, aos poucos, você poderá alinhar sua carteira.
Passamos, agora, para a antiga carteira de “Small Caps”.
Small Caps
Guararapes (GUAR3)
Na quarta-feira, 14 de agosto, fizemos uma publicação no Circle recomendando a VENDA de Guararapes (GUAR3).
Depois de um bom resultado, as ações de GUAR3 dispararam mais de 20% e chegaram a R$ 8,79, batendo nosso preço-alvo após a atualização do modelo de Valuation.
Por mais que ainda haja espaço para a empresa melhorar seus resultados com os aprimoramentos tanto na operação quanto na área financeira, não achamos que a empresa esteja com um desconto suficiente para compensar o risco do investimento.
Por conta disso, decidimos recomendar a VENDA para as ações da Guararapes (GUAR3) da antiga carteira Small Caps da Spiti.
Após essa recomendação, das 13 ações que tínhamos na carteira Small Caps, sobrou apenas uma para acompanharmos: Jalles (JALL3).
Segue abaixo seu preço máximo de compra e preço-alvo da única ação restante:
Abraços,
Time VAROS.