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Neste relatório, apresentamos nossas estimativas de BTG Pactual, considerando os últimos resultados divulgados e as perspectivas para o setor e a companhia.
Vamos lá?
BTG Pactual (BPAC11): tese de investimentos
Fonte: Shutterstock
Relembrando quem é o BTG
Fundada em 1979, a Pactual Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (Pactual DTVM) tinha como principal atividade a distribuição de títulos e valores mobiliários. Posteriormente, a instituição começou a atuar também na área de gestão de recursos (asset management), até que em 1989 recebeu uma licença para se tornar um banco. Assim nasceu o Banco Pactual, um banco múltiplo, que podia desempenhar operações como banco comercial, de investimentos, entre outras frentes.
No período de 2000 a 2005, a instituição criou diversas empresas como: (i) BTG Pactual Asset Management S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, criada para segregar o setor dos negócios de asset management; (ii) BTG Pactual Corretora de Mercadorias Ltda., dedicada às atividades de corretagem de commodities e futuros; (iii) BTG Pactual Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., uma corretora de valores mobiliários; e (iv) BTG Pactual Gestora de Recursos Ltda., administradora de fundos de investimento e carteira de valores mobiliários.
Em 2006, o Banco Pactual foi adquirido pela UBS AG, tornando-se então o Banco UBS Pactual, com atuação em todos os países da América Latina. Dois anos mais tarde, antigos sócios do Banco Pactual, junto a administradores do UBS AG, criaram a BTG Investments L.P. (atualmente denominada como PPLA Investments L.P. – PPLAI).
Em 2009, a PPLAI adquiriu o UBS Pactual e suas subsidiárias e criou o Grupo BTG Pactual, alterando o nome do Banco UBS Pactual para Banco BTG Pactual. Dois anos mais tarde, adquiriu o Banco Pan, do Grupo Silvio Santos, por R$ 450 milhões.
Cinco anos depois, o BTG Pactual adquiriu créditos e outros direitos detidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) contra o Banco Bamerindus (em liquidação extrajudicial), o que resultou no controle do banco pelo BTG e, posteriormente, a mudança de nome do Bamerindus para Banco Sistema.
No segundo semestre do ano passado, o Banco Sistema adquiriu a participação da CaixaPar no Banco Pan. Com isso, o BTG Pactual passou a deter o controle total da instituição.
Governança corporativa
O Banco BTG Pactual integra o Nível 2 de governança corporativa da B3, que garante que, em caso de mudança de bloco controlador, os detentores de ações preferenciais emitidas pela companhia deverão ter direito à mesma oferta pública oferecida aos detentores de ações ordinárias e nas mesmas condições.
A companhia é controlada pela BTG Pactual Holding Financeira Ltda, veículo de investimento dos sócios controladores Roberto Sallouti, Renato Santos, Antonio Porto, Guilherme Paes e André Esteves.
Modelo de negócios
Além do Brasil, o BTG está presente em países como Chile, Colômbia, México, Peru, Argentina e Estados Unidos, com foco na distribuição de produtos bancários na América Latina e na gestão de recursos de clientes globais. Suas principais áreas de negócio são Investment Banking, Corporate Lending, Sales and Trading, Asset Management, Wealth Management e Consumer lending and insurance.
- Investment Banking (IB): consiste em serviços de assessoria financeira para atividades como fusões e aquisições (M&As), reestruturações, desinvestimentos, entre outros. Nesse segmento, o banco se destaca por sua atuação no mercado de capitais como coordenador em operações de captações de recursos por meio de emissões públicas ou privadas de títulos de dívida e ações.Desde 2018, essa área vem apresentando importante crescimento, passando de uma representatividade sobre a receita total de 8,7% em 2018 para 16,6% em 2021, quando somou R$ 2,3 bilhões ante R$ 464 milhões em 2018. De 2019 até o segundo trimestre de 2022, a instituição figurava na primeira posição em relação à quantidade de assessorias em M&As e atividades de coordenação no mercado de ações e em terceiro lugar no mercado de dívidas. Em relação à distribuição de ofertas de ações no Brasil, a empresa tem se mantido em patamares elevados de participação ao longo dos anos, tendo sofrido uma queda em 2021 por conta da redução no número dessas operações, em razão das condições macroeconômicas mais adversas, com aumento importante nas taxas de juros do país.
Fonte: CVM e BTG Pactual
- Corporate lending: é a área responsável por oferecer financiamento, crédito estruturados, empréstimos e garantias de dívidas para empresas, de forma a atender às suas demandas, desenvolvendo soluções adaptadas aos perfis de negócio e objetivos de cada cliente, como gestão de fluxo de caixa e desequilíbrios entre ativos e passivos. Esse segmento tem apresentado importante crescimento, passando de uma receita de R$ 813,7 milhões em 2019 para R$ 3,1 bilhões nos últimos doze meses encerrados em junho de 2022, passando de uma representação de 9,8% da receita total para 19,0%. Já o saldo do portfólio de crédito corporativo passou de R$ 43,8 bilhões para R$ 117,7 bilhões no mesmo período, crescimento de 169%.
- Sales and trading: segmento especializado em oferecer produtos e serviços financeiros aos seus clientes, como operações com ações, derivativos, taxas de juros, câmbio e commodities. Assim como as demais, essa área também tem apresentado crescimento robusto ao longo dos anos, passando de uma receita de R$ 2,8 bilhões em 2019 para R$ 5,0 bilhões no acumulado dos últimos doze meses encerrados no mês de junho, representando 31% da receita total no período.
- Asset management: serviços de gestão de recursos para clientes locais e internacionais, que incluem pessoas de alta renda, fundos de pensão, empresas, entre outros. A companhia oferece tanto fundos de investimento destinados a um público mais amplo, através dos canais de distribuição a terceiros, como fundos exclusivos ou restritos a um número limitado de clientes. Nesse segmento também são oferecidos serviços de administração de fundos para terceiros. No fim do segundo trimestre de 2022, o banco detinha R$ 605 bilhões em ativos sob gestão (AuM) e ativos sob administração (AuA), alocados em fundos de investimento de renda fixa, de renda variável, multimercados, estruturados e de private equity, o que representa um crescimento de 21% em relação ao 2T21.Nos últimos doze meses encerrados em junho, a receita desse segmento totalizou R$ 1,4 bilhão, representando cerca de 8% da receita total do período.
Fonte: BTG Pactual
- Wealth management: serviço de gestão de fortunas, focado em investimentos e planejamento financeiro de clientes de alta renda, principalmente residentes no Brasil, Chile, Peru, Colômbia, México e Argentina. No 2T22, esse segmento gerenciava aproximadamente R$ 463 bilhões em ativos wealth under management (WuM), aumento de 22% em relação ao mesmo período no ano anterior. A receita dos últimos doze meses encerrados em junho atingiu R$ 2,0 bilhões, representando 13% da receita total da companhia no período.
Fonte: BTG Pactual
- Consumer lending and insurance: concessão de financiamentos, empréstimos e seguros a pessoas físicas, principalmente através das participações no Banco Pan e na Too Seguros (antiga Pan Seguros), que atualmente oferece serviços de seguro prestamista para aquisição de automóveis e crédito consignado, principalmente através do Banco Pan.
Perspectivas para o setor
O mercado bancário global passa por um momento de grande transformação graças a avanços tecnológicos. No Brasil, a expansão das plataformas digitais começou por iniciativa de players independentes, seguida por movimentos de bancos de varejo tradicionais.
Além disso, a tecnologia acelerou mudanças na arquitetura da intermediação financeira. Clientes dos bancos tradicionais de varejo buscam alternativas para realizar suas transações bancárias e de investimentos, com foco na maior usabilidade, praticidade e oferta de produtos.
Segundo dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2022, as transações bancárias com movimentação financeira por mobile banking cresceram 75% entre 2020 e 2021, o que corresponde a um aumento de 7 bilhões de operações efetuadas nesse canal.
Fonte: Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2022
Esse crescimento, segundo a pesquisa, é subsequente a um expressivo aumento das transações com movimentação financeira, tais como crédito, pagamento de contas e Pix, sedimentando uma nova forma de clientes se relacionarem com os bancos.
As transações com movimentação financeira realizadas pelo internet banking, por sua vez, apresentaram um crescimento de 5% no mesmo período.
Atualmente, a maioria dos brasileiros já realiza suas transações bancárias pelo mobile banking, com constante diminuição da importância da rede de agências e transações físicas, fenômeno que se reflete na diminuição no número de agências bancárias desde 2016.
Fonte: Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2022
Segundo dados do Banco Central do Brasil, o número de agências bancárias no país oscilou de 19,3 mil em 2020 para 18,3 mil em 2021, enquanto o número de Postos de Atendimento Bancário (PABs), por sua vez, passou de 18,5 mil para 19,2 mil no período. Na soma, portanto, o número total de agências tradicionais no Brasil se manteve em um patamar similar ao ano anterior.
A distribuição das agências pelo território nacional também se manteve sem grandes oscilações em relação ao ano anterior. O crescimento dos PABs decorre de uma estratégia dos bancos de investir em estruturas mais enxutas e direcionadas, para manter a presença estratégica e capilaridade em um território de dimensões continentais, como o Brasil.
Fonte: Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2022
Segundo o BTG Pactual, a mudança de preferência dos consumidores e a aplicação de tecnologia serão catalisadores de um grande potencial de expansão dos seus negócios. O BTG Pactual acredita que essa expansão ocorrerá mediante digitalização de suas atividades, permitindo-lhe atingir uma maior base de clientes e expandindo a abrangência geográfica de sua atuação, por meio da oferta de produtos de investimento e de crédito por canais digitais, sem a necessidade de grandes investimentos em ativos físicos ou rede de distribuição.
Além da maior presença em regiões ainda não atendidas, o BTG Pactual poderá ampliar a sua participação nos segmentos de varejo tradicional e de alta renda, em especial na oferta de produtos de investimento, em que possui marca estabelecida e histórico reconhecido de desempenho.
Essas medidas poderão gerar ganhos de participação de mercado nos segmentos de fundos, títulos e valores mobiliários, renda fixa e renda variável.
O BTG Pactual acredita estar bem posicionado para tirar proveito da esperada melhoria no cenário macroeconômico, com continuidade da convergência das taxas de juros domésticas e maior sofisticação dos investidores, propiciando uma migração de carteiras de investimento de produtos tradicionais de poupança para instrumentos de renda fixa e variável com retornos mais atrativos, suas áreas de maior expertise e reconhecimento de mercado.
A instituição acredita que seu crescimento se dará principalmente através das seguintes frentes:
- Crescimento e sofisticação dos mercados em que atua;
- Ampliação de seu market share, principalmente em asset management e wealth management;
- Expansão de suas atividades principais nos diferentes mercados da América Latina, utilizando a expertise adquirida nas operações brasileiras;
- Evolução tecnológica constante, que permite a expansão geográfica de suas atividades principais;
- Proficiência na rápida identificação de tendências e oportunidades de mercado, que, aliada à sua estrutura interna ágil e capacitada, permite a oferta de novos produtos e soluções modernas dentro dos seus segmentos core.
Adicionalmente, o BTG Pactual pretende aproveitar as condições de mercado favoráveis da América Latina, consolidando ainda mais suas franquias e alavancando sua reputação entre atuais e futuros clientes, latino-americanos e globais, interessados em oportunidades relacionadas a mercados emergentes. Grandes oportunidades de investimento foram criadas ao longo dos últimos anos em países da América Latina, inclusive em conexão com investimentos em infraestrutura no Brasil, México, Peru, Argentina e Colômbia, entre outros.
Valuation
Devido à diversificação e resiliência de seu modelo de negócios, além de sua execução premium, o BTG tem conseguido fazer jus à nossa tese de investimentos de entregar crescimento e rentabilidade, navegando por diferentes cenários macroeconômicos.
Os últimos resultados foram consecutivamente recordes. No segundo trimestre desse ano, a instituição alcançou receita líquida de R$ 4,5 bilhões, 20% superior à do 2T21, e retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ajustado de 21,6%, aumento de 0,6 p.p. ante o mesmo período. Destaque para os segmentos de Corporate Lending e Asset Management, que apresentaram crescimentos sólidos, aproveitando-se da dinâmica de taxa de juros mais elevada e do crescimento de sua plataforma digital, o que mais que compensou o desempenho mais fraco de Sales & Trading, afetado pelo menor desempenho do mercado de ações.
Com a melhora do cenário macroeconômico e provável redução das taxas de juros em 2023, esse movimento tende a se inverter. Porém, no todo, o resultado continua a ser favorável para o banco, uma vez que a performance de Sales & Trading deve mais que compensar possíveis reduções em outros segmentos.
Na análise relativa, o BTG Pactual negocia a um P/VP de 2,5x, descontado tanto em relação à sua própria média histórica de 2,8x, quanto ao seu principal concorrente, a XP, que negocia a 3,1x. No indicador P/L para 2023, o banco negocia a 12,5x, também descontado em relação ao seu histórico de 16,0x e à XP, que negocia a 13,6x.
Reiteramos nossa recomendação de compra para BPAC11, com preço-alvo de R$ 32,00.
Abraços,
Aline Tavares e Ana Luiza Erthal