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Tese de investimentos de Itaú Unibanco (ITUB4)

Escrito por Aline Tavares, Ana Luiza Erthal em AÇÕES

7 min de leitura

Fonte: Shutterstock

Olá, queridas e queridos assinantes da série Spiti One!

Apresentamos a tese de investimentos em Itaú Unibanco (ITUB4), levando em consideração os últimos resultados, mudanças de perspectivas macroeconômicas e atualização das expectativas de resultado do banco.

Vamos lá?

Relembrando quem é o Itaú

A história da instituição se iniciou em 1924, com a fundação da Casa Moreira Salles em Poços de Caldas (MG), que posteriormente ficou conhecida como Unibanco. Duas décadas mais tarde, em 1943, Alfredo Egydio de Souza Aranha fundou o Itaú, com sua primeira agência na cidade de São Paulo.

Ao longo dos anos, Itaú e Unibanco foram realizando diversas fusões e aquisições, até que no ano de 2008, em meio à grave crise financeira originária nos Estados Unidos, ambas as empresas anunciaram a sua fusão, dando origem ao Itaú Unibanco, maior banco privado do país.

A companhia é listada no segmento Nível I da B3, no qual as empresas podem emitir ações preferenciais (PN) e ordinárias (ON) e devem manter um free float mínimo de 25%. Ela é controlada pela IUPAR, que é indiretamente conduzida pelas famílias Souza Aranha (através da Itaúsa) e Moreira Salles.

Atividades principais

A operação da instituição é dividida em dois segmentos principais: banco de varejo e banco de atacado.

O segmento de varejo oferece serviços como crédito pessoal, cartão de crédito, financiamento de veículos, crédito imobiliário e seguros, de acordo com cada perfil de cliente, classificando-os com base em sua renda mensal. Além disso, também são atendidas as micro e pequenas empresas, através do Itaú Empresas.

No segmento de atacado, com atuação no Brasil e na América Latina, o foco se concentra nas atividades de banco de investimentos e no atendimento a clientes private banking, aqueles com alto patrimônio, como as grandes empresas.

O Itaú BBA é o responsável por realizar as atividades de banco de investimentos, que englobam: (i) auxílio a empresas para captação de recursos por meio de instrumentos de renda fixa e ações nos mercados de capitais; (ii) serviços de consultoria em fusões e aquisições (M&A); e (iii) gestão de investimentos através do Itaú Asset.

Pilares de crescimento

Após passar por um intenso acirramento em termos concorrenciais, com o surgimento e crescimento acelerado de fintechs e bancos digitais, o momento atual sugere que o setor bancário esteja em um momento natural de consolidação, impulsionado pelo movimento global de elevação de taxa de juros, que tende a restringir os investimentos destinados a empresas em fase inicial de operação e favorecer as já consolidadas e lucrativas. 

Ao longo dos últimos anos, de modo a fazer frente aos novos concorrentes, o Itaú focou em realizar uma transformação cultural interna, tendo como pilares a centralidade no cliente, transformação digital, eficiência e crescimento.

Em relação ao primeiro pilar, o banco lançou as plataformas iti, que oferece contas gratuitas para clientes que demandam produtos e serviços simplificados, e a Íon, de investimentos, o marketplace Iupp e o Itaú Meu Negócio, com mais soluções do que apenas os serviços bancários.

Além disso, aproveitando-se do momento atual, a companhia anunciou a aquisição de participação relevante na Avenue, corretora fundada nos Estados Unidos que tem como foco facilitar o investimento de brasileiros no exterior, e a aquisição da Ideal, que atua no mercado brasileiro. Ambas as transações vão ao encontro da estratégia do Itaú de ampliar o seu portfólio de produtos para pessoas físicas.

A instituição também anunciou o início de uma joint venture com a Totvs, a Techfin, especializada em oferecer soluções financeiras de crédito, pagamentos e serviços com foco em tecnologia e dados.

Neste ano, o Itaú também realizou a aquisição de uma participação de 12,82% na Orbia, marketplace voltado para o agronegócio, que comercializa insumos como defensivos, fertilizantes, dentre outros, e tem como sócios a Bayer e a Yara, referências no setor, e a Bravium, plataforma especializada em programas de fidelização.

De acordo com o Itaú, a empresa, lançada ao final de 2019, ultrapassou os R$ 200 milhões de faturamento em seu primeiro ano de operação, alcançou R$ 902 milhões em 2021 e espera que atinja R$ 3,0 bilhões em vendas em 2022. Essa operação traz sinergias para ambas as partes, uma vez que o Itaú poderá oferecer soluções de crédito aos clientes da Orbia e aumentar sua exposição ao setor do agronegócio, e esta poderá ampliar sua atuação no setor, com um novo patamar no acesso do crédito ao produtor. 

Perspectivas do setor

Mais do que nunca, a tecnologia está presente em nosso dia a dia. E o setor bancário é um dos segmentos que mais a visualizamos e utilizamos: transações realizadas em tempo real, utilização de aplicativos, atendimento online etc.

De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2022, a indústria bancária é um dos setores que mais investe em tecnologia, tanto no Brasil quanto no mundo. Segundo levantamento realizado pela Gartner, o setor bancário fica apenas atrás dos governos na composição dos dispêndios em tecnologia em 2021. Este é o primeiro ano em que a indústria bancária brasileira ultrapassa a média global na proporção de investimento em tecnologia.

Fonte: Febraban

Não à toa, os investimentos em tecnologia têm sido grandes e intensos ao longo dos últimos anos para oferecer melhores atendimento e experiência para os clientes, além de promover a competitividade entre as instituições.

Segundo a pesquisa, tornou-se padrão da indústria proporcionar uma melhor experiência para os clientes nos canais digitais e a eficiência através da digitalização das operações, levando o setor a explorar uma série de temas que complementam as estratégias de investimentos em tecnologia. Boa parte dessas prioridades buscam alavancar ainda mais os canais digitais e suas capacidades de relacionamento e geração de negócios.

Ainda sobre a pesquisa, seis temas foram destaques dos executivos das instituições financeiras: inteligência artificial (para melhorar a experiência do cliente), automação (para ganhos de eficiência e controle de segurança), adoção e implementação do cloud, segurança cibernética e privacidade de dados, além do Open Finance.

Nessa mesma pesquisa, foi identificado que em 2021 o orçamento dos bancos para tecnologia foi de R$ 30,1 bilhões, valor 13% superior ao apurado em 2020. A estimativa é a de que esse orçamento chegue a R$ 35,5 bilhões em 2022, 18% a mais do que em 2021. Várias são as prioridades dos bancos para 2022: segurança cibernética, inteligência artificial, 5G, cloud pública e big data.

Fonte: Febraban

Segundo os dados, o Open Finance é um dos principais responsáveis por todo esse crescimento dos orçamentos dos bancos para tecnologia em 2021, dado que investimentos em cloud, inteligência artificial e segurança cibernética são necessários para responder à quantidade de dados que transitam e que transitarão nos sistemas.

De acordo com o Banco Central do Brasil, o número de agências bancárias no país oscilou de 19,3 mil em 2020 para 18,3 mil em 2021, enquanto o número de postos de atendimento bancário (PABs) teve alta, de 18,5 mil para 19,2 mil no período. Na soma, portanto, o número total de agências tradicionais no Brasil se manteve em um patamar similar ao do ano anterior.

A distribuição das agências pelo território nacional também se manteve sem grandes oscilações em relação ao ano anterior. O crescimento dos PABs decorre de uma estratégia dos bancos de investir em estruturas mais enxutas e direcionadas, a fim de manter a presença estratégica e capilaridade em um território de dimensões continentais, como o Brasil.

Fonte: Febraban

Analisando os dados da última Pesquisa Febraban de Economia Bancária e Expectativas, o levantamento captou nova melhora nas projeções para o crédito em 2022. A projeção de crescimento da carteira total passou de 10,4% na pesquisa anterior (junho) para os atuais 11,4%. A melhora das expectativas pode ser atribuída aos bons números correntes conhecidos até o momento, crescimento maior que o esperado da atividade e algumas medidas de estímulo (ampliação margem do consignado, por exemplo).

Fonte: Febraban

Para 2023, a média das projeções para a expansão da carteira total ficou praticamente estável, em 6,9% (versus 7,0% da projeção do mês anterior). O resultado pode ser entendido como um efeito da taxa Selic mais alta em boa parte do ano, além da redução das projeções para a expansão do PIB em 2023.

Valuation

Incorporamos em nosso modelo de avaliação os resultados do primeiro semestre no ano, as perspectivas para o setor financeiro e o novo guidance divulgado pela companhia, que prevê um crescimento da carteira total de crédito entre 15,5% e 17,5% contra 9,0% a 12,0% do guidance anterior, e um crescimento da margem financeira com clientes entre 25,0% a 27,0% versus 20,5% a 23,5%.

Nos últimos trimestres, o Itaú acelerou sua estratégia de crescimento pautado na expansão da carteira de crédito pessoa física, que somou R$ 372,4 bilhões no 2T22 (+7,2% versus 1T22 e +33,1% versus 2T21), oferecendo serviços como cartão de crédito e crédito pessoal. Por possuírem um spread mais atrativo, essas operações têm resultado em um crescimento robusto na margem financeira com clientes, que somou R$ 22,6 bilhões no trimestre encerrado em junho, aumentos de 9,7% em relação ao trimestre anterior e 30,9% versus 2T21. Vale destacar que essa linha também tem sido beneficiada pela melhor remuneração do capital de giro devido à elevação da taxa Selic.

Esse mix de serviços mais rentáveis tem se refletido na expansão do ROE (retorno sobre o patrimônio), que passou de 18,9% no 2T21 e 20,4% no 1T22 para 20,8% no 2T22, e na melhora do índice de eficiência, que mede a relação entre despesas administrativas e as receitas operacionais, que atingiu 40,8% no 2T22 versus 41,8% no 1T22 e 44,5% no 2T21.

Como já era esperado, devido ao encarecimento do crédito, o índice de inadimplência acima de 90 dias aumentou, passando de 2,3% no 2T21 e 2,6% no 1T22 para 2,7% no 2T22, puxado pela carteira de pessoas físicas, o que fez com que a instituição revisasse seu guidance de custo de crédito para R$ 28,0 bilhões e R$ 31,0 bilhões. Apesar dessa deterioração, acreditamos que o cenário à frente se mostra mais benigno devido ao indicativo de encerramento do ciclo de alta de juros no Brasil com viés de baixa para o ano que vem.

Além disso, o índice de inadimplência do banco tem se mantido em linha com o do Sistema Financeiro Nacional, o que torna a relação de risco versus retorno interessante em nosso ponto de vista.

Em termos de análise comparativa, o Itaú negocia a múltiplos atrativos com um P/VP de 1,7x, ligeiramente acima da média histórica de 1,6x, e com P/L para 2023 de 8,7x, descontado em relação à sua média histórica, de 9,2x.

Reiteramos nossa recomendação de compra para ITUB4, com preço-alvo de R$ 35,50.

Abraços,

Aline Tavares e Ana Luiza Erthal

Sobre os analistas

Aline Tavares

É analista de ações da Spiti. Analista CNPI e formada em Economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tem MBA em Finanças pelo Ibmec-RJ e MBA de Gestão de Investimentos pela PUC-Rio. Atuou na área de análise fundamentalista da Ágora Corretora e, por quase sete anos, esteve na área de gestão de investimentos do Infraprev, o fundo de pensão da Infraero. Acredita que conhecimento tem que ser compartilhado e, consequentemente, o acesso aos investimentos, democratizado. Tem como missão desmistificar a Bolsa de Valores e mostrar que todo mundo pode, sem medo, investir em ações.

Ana Luiza Erthal

Ana Luiza é especialista em ações da Spiti. Graduada em Economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e com especialização em Finanças pela Alumni Coppead, atuou em auditoria externa na KPMG e, na área de finanças corporativas com enfoque em valuation, na KPMG e na EY. Entende que investimentos de longo prazo em boas empresas têm um enorme poder de transformação na qualidade de vida das pessoas e de toda a sociedade. Por isso, pretende ajudar investidoras e investidores nessa importante jornada.