No relatório de hoje...
- Apresentamos as estimativas de Simpar (SIMH3), incorporando no modelo de valuation os últimos resultados divulgados e as perspectivas para as empresas que compõem o grupo. Mesmo com o forte crescimento apresentado nos últimos trimestres, principalmente em razão das fusões e aquisições (M&As, na sigla em inglês) realizadas, a companhia possui um longo caminho de consolidação a ser trilhado, visto que suas subsidiárias atuam em mercados muito pulverizados, o que confere a ela interessantes oportunidades de crescimento. Em termos de análise relativa, a Simpar negocia a um atrativo EV/Ebitda de 3,9x, descontada em relação à sua média histórica de 5,3x e em relação a seus pares, que negociam em cerca de 7,0x. Reiteramos nossa recomendação de compra para SIMH3, com preço-alvo de R$ 19,00.
Fonte: Simpar
Olá, queridas e queridos assinantes da série Spiti One!
Neste relatório apresentamos nossa tese de investimentos para a holding Simpar (SIMH3), controladora da JSL, Movida, Vamos e outras companhias.
Vamos lá?
Simpar (SIMH3): a holding de logística que não para de crescer
Fonte: Simpar
A cadeia logística permeia praticamente tudo o que fazemos e que consumimos. Os alimentos que chegam no mercado, o transporte dos trabalhadores, os combustíveis nos postos, os produtos que são pedidos online, os produtos que são produzidos no Brasil e exportados, os que chegam no país pelas importações, dentre muitas outras situações.
Já percebeu que a logística é a principal responsável pela facilitação do acesso que temos a uma série de produtos e serviços? E uma das principais empresas que temos no Brasil hoje é a Simpar, holding da Movida, JSL, Vamos e outras companhias que ainda não estão listadas em Bolsa.
Cada uma dessas subsidiárias atende a um público ou uma área da economia específica que necessita de algum serviço de logística.
Vamos relembrar o que essa empresa faz?
Um breve histórico da holding
A história da Simpar começa em 1956, ano em que o imigrante português Júlio Simões fundou a transportadora Júlio Simões Ltda. (atualmente a JSL), após adquirir um caminhão para transportar produtos da indústria de papel e celulose e hortifrutigranjeiros. Em 1970, a JSL realizou sua primeira aquisição, a Transcofer, empresa que na época era três vezes maior que a adquirente. As décadas seguintes foram de muito crescimento e diversificação de negócios para a companhia, que passou a atuar em locação e comercialização de veículos leves, gestão e terceirização de frotas – GTF, locação de veículos pesados e mobilidade urbana.
Em 2009, a empresa consolidou na CS Brasil todas as suas operações junto ao setor público. No ano seguinte, a JSL abriu capital na Bolsa de Valores, e, em 2011, realizou a aquisição da Rodoviário Schio, de transporte e armazenagem de alimentos em temperaturas controladas, aumentando assim a gama de serviços oferecidos pela companhia na época.
Já em 2013, adquiriu a Movida, na época com 29 lojas e uma frota de 2.400 veículos, e centralizou as operações de GTF de veículos leves que eram realizadas pela JSL na recém-adquirida. No ano de 2015, a companhia criou a Vamos, que passou a consolidar toda a operação de locação de ativos pesados (caminhões, máquinas e equipamentos), até então realizada pela JSL, além das concessionárias de caminhões e ônibus da marca Volkswagen/MAN e a rede de seminovos.
No ano de 2017, a JSL realizou o IPO da Movida, e a Vamos adquiriu o Grupo Borgato, empresa de locação e comercialização de máquinas e equipamentos pesados, especializada no setor agrícola.
Além disso, no ano de 2019 a JSL Leasing passou a se chamar BBC Leasing, e houve a criação da BBC Digital, empresa que oferece serviços financeiros para todo o ecossistema da companhia com objetivo de aumentar a fidelização de seus clientes.
Como JSL virou Simpar?
Após todas essas aquisições, no ano de 2020 a companhia passou por uma reestruturação societária de modo a simplificar sua estrutura, fazendo com que a JSL deixasse de atuar também como holding e focasse apenas em suas operações de transporte e logística. Optou-se por utilizar a estrutura da holding Simpar, que já existia, mas até então era apenas da família Simões.
Dessa forma, a Simpar iniciou um novo capítulo de sua história, baseando-se na premissa de ter empresas independentes, tendo cada uma sua própria gestão e plano de metas estabelecido pelo conselho de administração.
Como vocês já devem ter notado nos relatórios anteriores, o ano de 2021 foi muito importante para a companhia. Ela conseguiu: (i) realizar o IPO da Vamos (após algumas tentativas frustradas); (ii) aprovar a incorporação da frota de GTF da CS Brasil pela Movida; (iii) as empresas do grupo realizaram uma série de aquisições; (iv) ocorreu a aprovação da incorporação da CS Infra, subsidiária responsável pelas concessões de longo prazo do grupo, que antes fazia parte da JSP (holding controladora da Simpar); e (v), por fim, a cereja do bolo: a aquisição da Ciclus, empresa que atua no setor de gestão e valorização de resíduos sólidos.
Vale ressaltar que a Simpar transferiu os ativos de infraestrutura da CS Brasil (concessões portuárias e de rodovias) para a CS Infra. Dessa forma, a CS Brasil atuará apenas nos contratos de transporte municipal de passageiros e GTF de veículos pesados no setor público.
Abaixo seguem os organogramas do antes e depois da reorganização societária para ajudar a visualizar a estrutura atual da Simpar:
Antes
Fonte: Simpar
Depois
Fonte: Simpar
Em 2022, a Original se tornou a Automob, holding do grupo Simpar responsável pelas concessionárias autorizadas de veículos leves.
Outro ponto muito positivo na reestruturação societária foi a melhora observada na gestão de passivos da companhia. Historicamente, a Simpar mantinha um nível de alavancagem financeira, medida pelo indicador dívida líquida/Ebitda, muito elevado para financiar seus projetos de crescimento e expansão de negócios, o que acabava penalizando o desempenho das ações da companhia na Bolsa.
Desde a reestruturação, a Simpar assumiu a meta de alcançar um nível de alavancagem de 3,0x dívida líquida/Ebitda, que já está bem próxima de ser batida, visto que no 2T22 foi de 3,1x.
Fonte: Simpar
Além disso, a companhia reforçou sua estrutura de capital, captando recursos no mercado via follow-on (último em 3T21) e alongando o perfil de suas dívidas. No fim do segundo trimestre de 2022, a companhia tinha R$ 10,3 bilhões em caixa, suficientes para cobrir débitos até meados de 2025.
Fonte: Simpar
Crescimento, crescimento e mais crescimento!
Desde sua fundação, a Simpar utilizou a estratégia inorgânica para expandir seus negócios e capturar sinergias. Ao longo dos anos, construiu um histórico bem-sucedido de fusões e aquisições em setores essenciais que possuem um baixo grau de substituição.
Após a reorganização societária, e em um momento econômico oportuno para dar continuidade a essa estratégia, a companhia realizou uma série de aquisições.
Fonte: Simpar
Segundo a companhia, mais de 220 oportunidades foram analisadas e 17 contratos assinados nos últimos 18 meses. Entretanto, os resultados atuais ainda não refletem a magnitude do crescimento da companhia via M&As.
Fonte: Simpar
Em relação ao planejamento estratégico de crescimento da empresa, cada subsidiária tem seus objetivos individuais, seja por crescimento orgânico, seja inorgânico:
- Vamos: aquisições estratégicas e complementares nas suas diversas linhas de operação, gerando ganhos de escala.
- JSL: continuação da agenda de consolidação do mercado brasileiro através de crescimentos orgânico e inorgânico.
- Movida: aquisições pontuais com oportunidades de geração de sinergias, além de explorar novos mercados com escala e potencial de crescimento.
- Automob: consolidação do mercado de concessionárias de veículos leves do Brasil.
- BBC: desenvolvimento do banco com novos produtos e serviços que explorem o ecossistema do grupo Simpar.
- CS Infra: contratos de longo prazo com resiliência, previsibilidade de receita, foco na prestação de serviço e retornos atrativos.
Valuation
Sabem aquelas promoções do tipo “ao levar três unidades, a quarta sai de graça”? Pois bem, podemos dizer que, aos preços atuais, Simpar é um exemplo desse tipo de promoção na Bolsa.
O valor de mercado da companhia atualmente é de cerca de R$ 9,0 bilhões, enquanto as participações em suas subsidiárias de capital aberto, Vamos, Movida e JSL, somam R$ 14,8 bilhões, o que equivale a um desconto de holding de cerca de 40%.
Além desse desconto, que entendemos ser exagerado, o/a acionista de Simpar leva para casa as opcionalidades dos outros negócios da holding sem pagar nada a mais por isso, como Automob, Cs Infra, Cs Brasil e Ciclus, que, nos últimos doze meses encerrados no mês de junho, somaram receita líquida de R$ 2,2 bilhões e Ebitda de R$ 474,1 milhões.
Desde o seu IPO em 2010, ainda como JSL, a empresa cresceu a sua receita líquida a um CAGR (taxa de crescimento anual composta) de 25%, o Ebitda em 31%, e o lucro líquido em 25%, seguindo a sua estratégia de crescimentos orgânico e inorgânico.
Especialmente nos dois últimos anos, em razão das condições econômicas decorridas da pandemia e de sua estrutura de capital robusta, a companhia aproveitou as oportunidades de mercado para acelerar sua agenda de M&As, adquirindo empresas a preços muito atraentes. Isso se refletiu na redução dos múltiplos de suas subsidiárias e, consequentemente, na geração de valor aos seus acionistas.
Fonte: Simpar
Considerando o histórico de alocação de capital bem-sucedido, consideramos em nosso modelo de avaliação o guidance disponibilizado pela companhia, que estabelece um CAGR de 20% ao ano até 2024, alcançando R$ 35,0 bilhões em receita líquida. Vale ressaltar que, apesar do forte crescimento nos últimos anos, os setores em que a companhia atua são altamente pulverizados. JSL e Vamos possuem cada uma 1% de participação em seus respectivos mercados, enquanto Automob, 0,2%, e Movida, 16%.
Outro fator interessante a se destacar é que, apesar de os seus negócios serem intensivos em capital, a Simpar possui flexibilidade em seus investimentos, podendo se ajustar conforme a demanda de mercado, ao contrário de outros setores que também são intensivos em capital, e por possuírem uma parcela relevante de custos fixos, não conseguem desfrutar de tal dinâmica.
Essa flexibilidade pode ser percebida através da evolução do Ebitda quando comparado com o capex líquido (despesas de capital) ao longo dos anos. Na figura abaixo, percebe-se que ambos possuem uma forte correlação, ou seja, conforme a empresa aumenta seus investimentos, mais robusto fica o seu lucro operacional, o que pode se refletir também na expansão do ROIC (retorno sobre o capital total investido).
Fonte: Simpar
Em termos de análise relativa, a Simpar negocia a um atrativo EV/Ebitda de 3,9x, descontada em relação à sua média histórica de 5,3x e em relação a seus pares, que negociam em cerca de 7,0x. O múltiplo P/L atual é de 8,1x, também descontada em relação à sua média histórica, de 11,1x.
Dessa forma, reiteramos nossa recomendação de compra para SIMH3, com preço-alvo de R$ 19,00.
Abraços,
Aline Tavares e Ana Luiza Erthal