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Olá, queridas e queridos assinantes da série Spiti One!
No relatório de hoje, apresentamos a tese de investimentos de Vivo (VIVT3), levando em consideração no nosso valuation os últimos resultados divulgados, as atualizações de perspectivas macroeconômicas e setoriais e para a própria companhia, considerando a aquisição dos ativos da Oi Móvel, investimentos na tecnologia 5G e as novas iniciativas para fortalecer seu ecossistema de produtos e serviços.
Vamos lá?
Vivo (VIVT3): o futuro já está aqui
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Já reparou o quanto o nosso dia a dia envolve os smartphones e o acesso à internet?
Seja para nos comunicarmos pelo aplicativo de mensagens instantâneas, dar uma olhada nas redes sociais, fazer movimentações bancárias, tirar fotos, fazer vídeos, escutar música, ler livros, assistir a um filme ou série, seja para realizar as várias outras funcionalidades que se encontram concentradas em apenas um aparelho.
Enfim, a internet e os celulares passaram a fazer cada vez mais parte das nossas vidas em todos os âmbitos.
Quanto a isso, não há dúvidas de que os serviços de telecomunicação se tornaram essenciais em nosso cotidiano.
E a nossa representante do setor que é líder no segmento é a Telefônica Brasil, ou como também é conhecida, a Vivo.
Vamos relembrar as informações sobre a empresa?
O que é a Telefônica Brasil/Vivo?
A Telefônica Brasil, detentora da marca Vivo, é hoje a maior empresa de telecomunicações do país, com 114 milhões de acessos, e líder nos mercados móvel e de fibra ótica, mais de 1.700 lojas (o que a torna comparável aos maiores varejistas do Brasil), 20 milhões de usuários únicos no app da Vivo e 90 TB (terabytes) de dados processados diariamente, um dos maiores lagos de dados do Brasil.
A empresa oferece atualmente o equivalente a um ecossistema digital, fornecendo serviços que vão além de telecomunicações, como serviços de voz (fixos e móveis), dados móveis, banda larga fixa, ultra banda larga, TV por assinatura, tecnologia da informação e serviços digitais (como serviços financeiros, de nuvem, de entretenimento e segurança).
Fonte: Vivo
No segmento móvel, é líder em market share (participação no mercado), o que corresponde a 38,1% do total de linha ativas no Brasil, ou 97 milhões de linhas em operação. A Telefônica Brasil hoje cobre cerca de 95,2% da população com a rede 4G e 85,5% com a rede 4.5G.
No segmento fixo, até junho de 2022 a empresa alcançou 21 milhões de casas passadas (HPs, ou homes passed) com tecnologia de fibra ótica até a casa do cliente (FTTH, ou fiber to the home) em 354 cidades. Todas as cidades que possuem FTTH já contam com a tecnologia de TV sobre fibra (IPTV).
Estrutura de governança
Fonte: Vivo
A Telefônica Brasil/Vivo faz parte do Novo Mercado, que se configura como o mais alto nível de governança corporativa das empresas listadas na B3.
As empresas que fazem parte do Novo Mercado garantem aos seus acionistas minoritários um tag along de 100%, o que significa que, em caso de venda do controle da companhia, possuem o direito de vender suas ações pelo mesmo preço ofertado aos acionistas majoritários.
Atualmente, a Telefônica Brasil/Vivo possui um acionista controlador, que é o grupo espanhol Telefónica, com 74,20%. O restante da composição acionária está em ações em circulação.
Setor de telecomunicações no Brasil
O mercado consumidor brasileiro está cada vez mais conhecedor e exigente, buscando não só a melhor prestação de serviços, como também o melhor custo-benefício. Por isso, as operadoras priorizaram nos últimos anos a expansão e digitalização das interações empresa-cliente.
No mercado de banda larga, o Brasil ainda possui uma penetração relativamente baixa quando comparado a outros países, e o rápido crescimento da fibra parece confirmar o apetite pela conectividade de qualidade.
Fontes: Vivo, Omdia e Anatel
A Vivo se mantém como líder do segmento de fibra e segue expandindo de forma rápida.
Fonte: Vivo
A meta da companhia é atingir 29 milhões de HPs (casas passadas) até 2024, objetivo que deve ser cumprido através da expansão orgânica e estratégias alternativas que melhoram a alocação de capex.
Fonte: Vivo
O Brasil hoje é um país altamente conectado e com uma população cada vez mais digital, segundo dados do Digital 2022 Global Overview Report, elaborado pela agência We Are Social. Observando a penetração de smartphones em relação a outros países, o Brasil possui potencial de crescimento, tanto que já se tornou o terceiro que mais usa as redes sociais através dos celulares em todo o mundo.
Fontes: We Are Social e Vivo
No mercado de telefonia móvel, a Vivo continua liderando em participação de mercado, com 38,1% de participação de acordo com informações da Anatel em junho de 2022. Neste ano, a competição permaneceu intensa na expansão da cobertura das redes 4G e 4.5G, e agora com a implantação da nova tecnologia 5G nas principais capitais do país.
A Vivo permanece com uma base de clientes crescente, com conectividade de qualidade no segmento móvel e fixo para aumentar o Lifetime Value (LTV) dos clientes.
Fonte: Vivo
Em serviços digitais, a digitalização será o principal vetor de crescimento e transformação do Brasil, dado o aumento da penetração de serviços e bens essenciais, como serviços financeiros, educação, saúde e o e-commerce.
Fonte: Vivo
Segundo a companhia, os serviços digitais de B2B (business-to-business) terão um crescimento expressivo nos próximos anos, e o Brasil ainda tem muitas oportunidades a serem capturadas.
Fonte: Vivo
Tecnologia 5G
O 5G é a mais recente tecnologia dos serviços móveis que vem para suceder o 4G. A letra G se refere à geração, logo estamos falando da quinta geração, que promete mudanças ainda mais intensas na sociedade.
Enquanto a tecnologia 1G tinha velocidade de 2kbit/s e o 4G garantia tráfego de 1 Gbit/s, o 5G terá velocidade para baixar informações de até 1.001 Gbit/s. Enquanto a latência (diferença na resposta na transmissão de dados) era de 60-98 milissegundos no 4G, no 5G ela será reduzida para menos de 1 milissegundo. Já a capacidade de conectar dispositivos poderá abranger até um milhão de aparelhos por quilômetro quadrado.
Um fator relevante é que a tecnologia do 5G se relaciona fortemente com a tecnologia de fibra ótica utilizada em banda larga fixa e em toda a rede de infraestrutura. Ela possibilita que a comunicação entre as torres de transmissão seja feita de maneira mais veloz quando comparada com a transmissão via cabos de cobre, que possui menor qualidade e maior interferência. Assim, o 5G deve acompanhar uma tecnologia compatível, que no caso seria a fibra.
Com essa nova tecnologia, a gama de serviços oferecidos pode aumentar ainda mais. Ideias que eram consideradas distantes podem estar cada vez mais próximas de ser tornarem uma realidade, como veículos autônomos e aplicações vinculadas à Internet das Coisas (IoT).
Enquanto o 3G e 4G são considerados evoluções da mesma tecnologia, o 5G será uma revolução, alcançando 2,6 bilhões de acessos em todo o mundo até 2025, segundo dados da Ericsson.
Fonte: Vivo
Perspectivas para a empresa
Além dos serviços de acessos móveis, a companhia também tem investido em diversas frentes para agregar valor ao seu negócio, visando tanto o crescimento da base de clientes quanto o aumento do potencial do cross sell (vendas cruzadas).
A Vivo Money, por exemplo, oferece serviços de empréstimo pessoal, de forma totalmente digital e com taxas de juros competitivas, já tendo concedido mais de R$ 110 milhões em créditos. O Vivo Pay, por sua vez, consiste em uma conta bancária digital gratuita, aberta ao público, em que os clientes podem realizar o pagamento de contas, realizar recargas pré-pagas, transferir dinheiro a outros bancos via Pix, dentre outras funcionalidades.
No setor de educação, a companhia formou uma joint venture com a Ânima, chamada Vivae, com foco na criação de cursos digitais voltados à empregabilidade e educação contínua. A plataforma digital vai oferecer cursos em áreas como ciência de dados, programação, TI etc.
O Vida V, que também é uma iniciativa aberta para o público em geral, tem como foco criar um hub de saúde e bem-estar, oferecendo soluções de plano de saúde para a população de menor renda, com planos a partir de R$ 9,90. Dentre os serviços oferecidos estão consultas médicas, descontos em farmácias e pedidos de exames.
Na parte digital, a companhia conta com o Vivo Shopping, marketplace que oferece produtos como celulares e eletrodomésticos, e o casa inteligente e conectada, que aproveita a conectividade da fibra para oferecer serviços residenciais de tecnologia e automação, como produtos smart, suporte técnico, dentre outros.
Em relação à Oi Móvel, o último resultado divulgado pela companhia foi o primeiro em que os clientes da adquirida foram consolidados em seu resultado. Segundo o contrato firmado, a base de clientes adquiridos da Oi Móvel foi de 12,5 milhões, o que elevaria a base de clientes da Vivo para cerca de 112 milhões. O espectro adquirido na transação reforçou o portfólio de banda média, permitindo à Vivo aumentar a sua qualidade no serviço de dados e complementar as aquisições das frequências 2.3 e 3.5 GHz, que serão utilizadas na implementação do 5G.
De acordo com a Vivo, os clientes da Oi Móvel devem somar R$ 135 milhões de receita líquida mensal para a companhia, ou R$ 405 milhões por trimestre, equivalente a cerca de 3,5% da receita líquida do 1T22. A companhia espera que, com a qualidade superior dos serviços ofertados, a fidelização desses novos clientes seja alta, fato que foi reforçado pelo resultado do 2T22, em que o churn (porcentagem de clientes que cancelam seus contratos), atingiu seu menor patamar histórico.
O custo de aquisição foi de aproximadamente R$ 5,4 bilhões, sendo que 90% foram pagos no fechamento do negócio no mês de abril, e os 10% restantes (R$ 500 milhões) seriam pagos após 120 dias. Posteriormente, no mês de agosto, a Vivo, junto com a Claro e a Tim (que também adquiriram ativos da Oi Móvel), fizeram um acordo com a Oi e estenderam esse prazo por mais um mês. No mês seguinte, a Vivo, ao lado das demais compradoras, entrou com pedido de desconto de R$ 3,186 bilhões, alegando que a Oi havia descumprido determinados parâmetros operacionais e financeiros, o que foi negado pela vendedora.
Como as partes não chegaram a um acordo, o trio entrou com um processo de arbitragem contra a Oi na Câmara de Arbitragem do Mercado da B3, que segue em segredo de justiça. Paralelamente, a Oi conseguiu junto à 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro uma liminar para que as compradoras pagassem cerca de R$ 1,5 bilhão, referente aos valores retidos na aquisição da Oi Móvel, dos quais R$ 500 milhões são referentes à Vivo.
O desfecho desse caso ainda é incerto, mas entendemos que o impacto para a Vivo seja marginal, uma vez que esse valor já havia sido considerado no investimento inicial. Além disso, a companhia encerrou o segundo trimestre com uma posição de caixa de R$ 3,1 bilhões, mais do que suficiente para fazer frente a esse montante requerido.
Valuation
Revisamos nosso modelo de valuation para Vivo, incorporando os últimos resultados divulgados, atualizando as premissas macroeconômicas e considerando as perspectivas para a empresa e para o setor, incluindo a aquisição da Oi Móvel e os compromissos relativos ao leilão do 5G.
Mesmo com os investimentos mais elevados nesse período de implementação da tecnologia 5G e os desembolsos referentes à aquisição da Oi Móvel, a Vivo tem conseguido manter uma geração de caixa robusta, com cerca de 50% do Ebitda sendo convertido em fluxo de caixa operacional no primeiro semestre do ano, patamar em linha com o observado em 2019.
Isso tem permitido com que a companhia financie seus projetos e mantenha uma alocação de capital saudável, já que a dívida bruta EX-IFRS 16 passou de R$ 1,8 bilhão no 2T21 para R$ 3,8 bilhões no 2T22, e a alavancagem passou de caixa líquido (posição em caixa maior do que a dívida) para uma relação dívida líquida/Ebitda de 0,2x.
No curto prazo, entendemos que a distribuição de dividendos possa sofrer algum impacto negativo, uma vez que no segundo trimestre a companhia encerrou o seu balanço com R$ 424 milhões em lucros acumulados, o que significa que a maioria do lucro acumulado em seu balanço já foi pago aos acionistas.
Entretanto, devido ao perfil de negócio resiliente, com forte geração de caixa e baixo endividamento, além da execução premium da companhia, que pode ser percebida também pelo baixo churn, entendemos que a Vivo segue com uma tese de investimento sólida, em um setor de fortes barreiras à entrada.
Em relação à análise relativa, a companhia negocia a um múltiplo EV/Ebitda de 4,0x, em linha com sua principal concorrente, a Tim, e descontada em relação à sua média histórica, de 4,4x. Além disso, o DY atual (dividend yield, relação entre os proventos pagos e o preço da ação) é de 8,46%, mais atraente do que sua média histórica, de 7,40%.
Reiteramos nossa recomendação de compra para VIVT3, com preço-alvo de R$ 50,00.
Abraços,
Aline Tavares e Ana Luiza Erthal