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The Merge: saiba mais sobre a transição do Proof-of-Work para Proof-of-Stake da Ethereum

Escrito por Thales Inada em ALTERNATIVOS

15 min de leitura

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Na última quinta-feira, dia 15 de setembro, ocorreu o The Merge, atualização da rede da Ethereum, considerada um dos eventos mais importantes do universo cripto.

E, após a mudança de Proof-of-Work (PoW) para Proof-of-Stake (PoS) da rede da Ethereum, houve 21% de correção do ativo. Será que a atualização foi um fracasso?

Não. Simplesmente é o mercado seguindo o ditado: “compre no boato e venda no fato”.

É fato que essa foi uma das atualizações mais arriscadas do mundo cripto até hoje, mesmo porque foi aplicada no segundo maior projeto desse universo – uma baita responsabilidade.

Por enquanto, apesar da correção após a mudança, tudo está se desenrolando de forma controlada, mas, como tudo nessa vida, temos tanto o lado positivo quanto o negativo.

No relatório de hoje, vamos ver como foi o planejamento dessa mudança que durou mais de dois anos, quais as vantagens e desvantagens, e como podemos aproveitar esse novo modelo.

O que é o The Merge?

Caso você ainda não tenha lido o primeiro relatório sobre a Ethereum 2.0, recomendo que o faça antes de seguir com este. Como ele foi escrito há quase um ano, poderá comparar as expectativas que tínhamos à época e se todas foram atingidas.

Como abordei naquele relatório, inicialmente essa etapa de transição para o PoS era chamada de Ethereum 2.0, mas, por causa de confusões frequentes no mercado por parte de alguns investidores, que pensavam ser um ativo distinto, mudaram o nome dessa etapa para The Merge (a fusão, na tradução livre).

Como o próprio nome já indica, tal fusão significa a combinação de duas blockchains da Ethereum, a cadeia principal onde tínhamos o PoW com a Beacon Chain, que foi iniciada em 2020 e era onde ocorria simultaneamente o PoS.

Com essa mudança, a rede da Ethereum deixa de depender de supercomputadores e passa a depender dos ativos depositados na rede. Esse novo modelo certamente traz diversos benefícios, mas também alguns potenciais problemas, que vamos ver mais detalhadamente no decorrer deste relatório.

Esse é, de fato, um dos principais eventos da história do universo cripto, que repercutiu até mesmo no mercado tradicional. O número de buscas no Google explodiu dias antes de o The Merge acontecer.

Número de buscas sobre o “Ethereum Merge” no Google

Antes, no modelo PoW era utilizado o termo “mineradores”, mas agora, apesar de o PoS ser um dos modelos de mineração, o termo mais correto a se utilizar agora é “validadores”, pois agora não haverá a necessidade de descriptografar (minerar) um bloco. Agora, a escolha do validador é feita aleatoriamente: quem for escolhido para executar o bloco não precisará de força computacional, por isso dizemos que basta simplesmente “validar”.

Portanto, quanto mais ETH depositados, maiores as chances de a pessoa ser escolhida pela rede para realizar a validação e ser recompensada em ETH por isso. É um modelo muito mais simples e acessível, já que demanda menor investimento.

Como foi a preparação

Podemos partir de dezembro de 2020, quando teve início a cadeia Beacon Chain, indicada em verde no gráfico abaixo. Inicialmente, para incentivar o depósito na rede, o projeto oferecia um rendimento anual de 22%. No entanto, conforme mais pessoas faziam depósitos, esse rendimento foi caindo até se estabilizar por volta dos 5%. Tal processo de captação de ETH durou continuamente até o dia do The Merge.

RoadMap Ethereum

Fonte: Ethereum.org

Em junho deste ano, a rede de teste da Ethereum migrou para o PoS. A implantação na rede de teste é considerada uma etapa final antes de ser implantada na oficial. Mesmo assim, o time rodou mais de três meses em testes antes de aplicarem o PoS na rede principal.

Já pensou em ganhar US$ 1 milhão apenas por achar um defeito em algum programa de computador? Pois é isso que a Ethereum Foundation estava oferecendo. O código aberto permite a participação da comunidade e certamente essa estratégia é um dos meios de aumentar a segurança.

Dias antes da fusão, a Beacon Chain atingiu os US$ 20 bilhões em staking, equivalentes a mais de 10% do total de ETH em circulação. Esse valor certamente já é suficiente para uma cadeia PoS segura, pois seriam necessários mais de US$ 10 bilhões para um ataque de 51% na rede.

O The Merge basicamente pode ser dividido em duas etapas: a primeira é chamada de Bellatrix, que é quando a Beacon Chain começa a receber informações da cadeia principal; e a segunda é a Paris, que executa o aumento de dificuldade na mineração de PoW, forçando a migração para PoS. Ao atingir o valor máximo de dificuldade, a Beacon Chain passa a incorporar os novos blocos produzidos, virando assim a cadeia principal.

Consequências positivas

Uma das principais vantagens dessa mudança é a diminuição na produção de ETH. Antes da fusão, na cadeia principal, eram produzidos 13 mil ETH por dia, o que representava uma inflação aproximada de 4%.

Mesmo assim, em alguns momentos de altíssima negociação, a queima de ETH ficava maior do que a sua produção, equivalente a uma emissão negativa, conforme o gráfico abaixo.

Emissão de ETH após a EIP 1559

Fonte: The Block

Durante a transição, também havia o pagamento de 1.600 ETH na Beacon Chain, mas após a fusão da Beacon Chain com a blockchain principal, passaram a ser produzidos apenas essa quantidade de ETH por dia, ou seja, uma queda de quase 90% em relação à produção atual.

No primeiro dia após o The Merge, tivemos, sim, uma diminuição no número de ETH em circulação, mas essa deflação não se manteve.

Fonte: ultrasound.money

A redução no número de ativos depende da quantidade de transações e de quantos ETH são gastos de taxas (fees). Quanto maior o número de transações, mais se queima ETH.

Como podemos ver abaixo, após o dia 15 de setembro, no qual ocorreu o The Merge, tivemos uma queda bem significativa nas taxas. Portanto, a queima de ativos não superou sua produção. Mas já adianto que a queda nas taxas não é o foco dessa fusão, já que isso ocorreu devido a uma diminuição de atividade em todo o mercado cripto.

Taxa da rede da Ethereum em gwei (de 11 a 18 de setembro)

Fonte: ethereumprice.org

Esse evento é tão grande e significativo que estão até chamando de Halving Triplo, pois é muito mais do que diminuir pela metade o pagamento dos mineradores, como é feito no BTC.

No The Merge, é como se tivesse ocorrido cortes pela metade três vezes seguidas, pois a expectativa é uma redução na inflação de 3,8% para menos de 0,5% de novos ativos criados por ano. Além disso, a perspectiva é de que o número de ativos em circulação diminua quando a taxa de transação fique acima de 25 gwei (medida que equivale a 0,000000001 ETH), como aconteceu no dia 15 de setembro (marcado em vermelho no gráfico).

No gráfico abaixo, temos a referência do BTC (em laranja), que apresenta um aumento no número de ativos de 1,72% atualmente, mas que diminui pela metade a cada quatro anos. Em azul, temos a inflação atual do ETH já no novo modelo de PoS.

Inflação de ETH

Fonte: Ultrasound.money

Essa redução basicamente tem duas consequências. A primeira, mais óbvia, é o aumento na escassez do ativo, que, claro, tende a valorizá-lo. A segunda é que a baixa produção pode tornar o ETH deflacionário frequentemente, ou seja, é possível que o número de ativos diminua com uma tendência de queda contínua nos próximos anos, como mostrado no gráfico abaixo.

Fonte: ultrasound.money

Com a diminuição de 90% na emissão de novos ETH, é possível, sim, que o ativo se torne deflacionário, principalmente depois que grande parte da população mundial participar desse ecossistema.

Outra vantagem que não podemos deixar de citar é a economia no consumo de energia. Por não depender mais de supercomputadores para mineração, o consumo deve cair mais de 99,95% e, claro, também causar uma diminuição relevante de emissão de carbono, sendo assim muito mais compatível com um assunto que está em alta, o ESG (sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa).

Consumo de energia em terawatt-hora (TW/h) por ano

Fonte: Ethereum.org

Desse modo, a Ethereum passa a se enquadrar como um investimento sustentável, o que, para muitos investidores, é um critério fundamental. Mas, na minha visão, essa característica não deve favorecer muito os preços, pois, como sabemos, o BTC também é sustentável, apesar do seu alto consumo de energia.

E, por fim, antes de o PoS ser implantado na cadeia principal, ele rendia por volta de 4,2% ao ano, e isso tende a aumentar para 7% nos próximos meses, conforme a utilização da rede.

Porém, nem tudo é positivo. É provável que enfrentaremos também algumas dificuldades.

Consequências negativas

A superconcentração dos validadores é a maior crítica ao novo sistema: apenas três instituições, Lido, Coinbase e Kraken, são suficientes para controlar mais de 50% do PoS, o que abre portas para que possam se unir e criar um novo ativo (fork). E, como pode até mesmo ser uma cadeia maior, outros mineradores também poderiam migrar.

Além disso, os blocos precisam ser aprovados por mais de 66,66% dos validadores para ser aceito. E como a Lido já está bem próxima de ter ⅓ da rede, isso aumenta o risco do sistema, pois, apesar de não conseguir atacar a rede, pode ter alguma influência, como recusar um bloco apenas para atacar um concorrente, por exemplo.

Caso isso aconteça, a rede é paralisada para que sejam analisados os motivos de uma fatia relevante da rede (⅓) ter recusado a aprovação do bloco. Se isso ocorrer por um tempo prolongado, esses validadores que estão recusando as transações perdem aos poucos seu poder com o passar do tempo.

Comparação dos mineradores do PoW com o PoS

Fonte: Etherscan.io

A verdade é que por não precisar mais de um supercomputador para ser feito, mas simplesmente depositar dinheiro na rede, o PoS é mais fácil de ser atacado. Mas pode ficar tranquilo ou tranquila: mesmo assim, o investimento precisaria ser extremamente alto: no momento, cerca de 11% de ETH estão em staking, e são necessários pelo menos US$ 10 bilhões para atacar a rede da Ethereum com uma força de 51%, agora que foi feita a mudança para PoS.

Se esse valor fosse adquirido dias antes, especificamente para que algum grupo realizasse um ataque, o mercado iria detectar um aumento repentino no volume de compra e também aumentaria o preço do ativo e, consequentemente, deixaria um possível ataque mais custoso.

Por outro lado, o PoS também facilita a defesa de ataques, pois é muito mais fácil adicionar ativos em staking do que colocar novas máquinas na rede, como seria necessário no PoW. Por isso, devido à facilidade de staking, a descentralização tende a aumentar com o passar do tempo, já que é bem menos trabalhoso que as pessoas simplesmente depositem seus ativos na rede do que comprar e manter as mineradoras antigas.

Além desse fator de segurança, também existe a ferramenta de slashing do modelo PoS, que pode bloquear o capital investido do possível atacante caso tente afetar a rede. Essa é uma característica que não se aplica ao PoW, pois também seria impossível confiscar máquinas.

Outra questão importante é que ainda não é possível sacar seus ativos deixados em staking diretamente na rede. Os ativos só estarão disponíveis depois da etapa chamada Shanghai, cuja estimativa é que seja realizada entre seis meses e um ano. Porém, como vamos ver neste relatório, algumas plataformas disponibilizam esse serviço no mercado secundário.

Essa centralização aumenta o risco regulatório, pois algumas dessas grandes empresas podem ser alvos de regulação. Além disso, o ETH agora pode ser considerado como uma “ação que paga dividendos”, podendo sofrer pressão da SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos.

Por último, como sempre digo, o risco de atualização de código sempre existe, mas, por ser do tipo aberto, essa ameaça diminui bastante. Além disso, também estava sendo oferecido US$ 1 milhão para quem encontrasse uma falha no código antes do The Merge. De forma geral, apenas falhas mínimas ocorreram inicialmente, por isso podemos dizer que a etapa mais crítica já passou.

Fake news

Muitos boatos foram espalhados sobre esse assunto. Para evitar que você caia em alguma polêmica, vou esclarecer algumas das principais dúvidas que surgiram referentes ao PoS da Ethereum.

1- “As taxas vão cair.”

Atualmente, a rede da Ethereum é capaz de processar aproximadamente 14 transações por segundo, e isso não muda com o PoS. A expectativa dessa mudança é só para o ano que vem, quando a fragmentação da blockchain (shardings) for implantada ou as soluções de agrupamento de transações em outras camadas (rollups) evoluírem. Por isso, não haverá mudança significativa nas taxas por enquanto.

2- “Os investidores vão vender seus ativos quando liberarem os saques.”

Ainda não está definido quando serão liberados os saques, mas estima-se que seja em até um ano. Atualmente, cerca de 11% do total de ETH está em staking, sendo o maior ativo em valor. Porém, em comparação ao percentual dos outros criptoativos, ainda tem muito o que crescer, como podemos ver na última coluna da tabela abaixo.

Raking de Staking por Marketcap

Fonte: stakingrewards

Portanto, quando os saques forem liberados, é possível inclusive que aumente o número de ativos, pois os investidores terão mais flexibilidade de investimento e maior confiabilidade da rede.

3- “ETH 2.0 é um novo ativo.”

Justamente por conta dessa confusão que o nome Ethereum 2.0 foi modificado para The Merge, já que não é um novo ativo. Mas alguns mineradores, revoltados com o fim do seu fluxo de receita, fizeram um fork. Justin Sun, fundador da TRON e da exchange Poloniex, contou com o apoio de grandes mineradores da China e de outras empresas do setor, como BitMex, Bitfinex e Huobi para a negociação de um novo ativo, o ETHW.

Gráfico de preço do ETHW

Fonte: Coinmarketcap

Desde a sua origem antes do The Merge, já podemos considerar que o ativo caiu mais de 90% em relação ao seu topo histórico em poucos dias. De fato, o mercado não surfou essa onda.

Isso porque todos os projetos que pertenciam à rede da Ethereum seguiram com a Ethereum PoS, pois não podem ser duplicados, como acontece com stablecoins e oráculos. Sem os demais projetos, o ETHW se tornou praticamente inútil.

4- “O ETH vai se valorizar a partir de agora.”

Como diz o famoso ditado popular, “compre no boato e venda no fato”, e é isso que estamos observando no momento. Mas, no longo prazo, certamente vai se mostrar uma mudança importante que tende a valorizar o ativo no longo prazo. Inclusive, é possível que aumente seu valor até mais do que o BTC no próximo período de alta.

Próximos passos

Pode ter certeza de uma coisa: o trabalho no mercado cripto não tem fim, já que sempre haverá um próximo passo de evolução.

Como vimos anteriormente, essa atualização não teve como foco baixar as taxas das operações, mas promover uma mudança no meio de mineração.

De acordo com os apoiadores da Ethereum, agora o projeto está cerca de 55% completo, sendo que os próximos passos são:

  • Shanghai Upgrade

A próxima etapa está prevista para acontecer em até um ano, o que possibilitará a retirada gradativa dos ETH que foram colocados em staking. A princípio, o limite diário de saques disponibilizados por dia será de 40 mil ETH.

Essa quantidade visa evitar o saque em massa e o despejo do ativo no mercado. Depois da liberação dos saques, teremos mais algumas etapas no roadmap do projeto.

  • The Surge

É o início da implantação das shard chains, que basicamente dividem o blockchain da Ethereum em 64 partes. Como atualmente seu blockchain está por volta de 500 Gb, com essa divisão, não será necessário armazenar todo o blockchain para rodar um nó.

Essa fragmentação facilitará bastante o acesso de novos nodes, pois diminui os requisitos de hardware, facilitando que novos nós façam parte da rede e, consequentemente, aumentem a segurança. Quem sabe será possível fazer isso até mesmo por meio de um celular, que, além de serem aparelhos mais acessíveis do que computadores com alto potencial de armazenamento, possuem um baixíssimo custo de manutenção.

  • The Verge

Essa etapa modifica a estrutura de armazenamento e o formato de validação das transações, fazendo com que essas informações ocupem menos espaço, sejam processadas mais rápidas e, assim, aumentem a eficiência da rede.

  • The Purge

Aqui haverá uma remoção de informações que não são mais necessárias para o consenso da rede. Essa etapa evitará que o blockchain cresça infinitamente e deixe de ser acessível a todos. Ela vai se tornar mais importante quando o mercado atingir uma grande massa da população, o que pode provocar um aumento astronômico no armazenamento do blockchain.

  • The Splurge

Nessa etapa, será feito apenas um acabamento e melhorias finais nas etapas anteriores, a fim de aumentar ainda mais a eficiência do sistema.

De forma geral, essas etapas focam bastante na diminuição do armazenamento dos dados, o que vai agilizar o processamento, facilitar o acesso de novos investidores com equipamentos mais simples, aumentando, assim, a descentralização do projeto e, consequentemente, a sua segurança. Além disso, todas essas mudanças aumentarão a capacidade de processamento e, por tabela, vão diminuir as taxas.

Inicialmente, as shard chains vão ser focadas para transações em segunda camada, com a implantação das rollups (um agrupamento de transações executadas de uma só vez). Assim, o time da Ethereum estima que será capaz de realizar 100 mil transações por segundo.

Portanto, só a partir da etapa The Surge é que o foco será a redução de taxas e, por isso, também será uma atualização extremamente importante para a comunidade, ainda mais que nos próximos anos podemos ter a entrada de boa parte da população no mercado e aumentar a demanda da rede.

O objetivo final é que as shard chains possuam as mesmas características da blockchain principal, inclusive os smart contracts. Essa etapa está prevista para 2023, mas pessoalmente acho que o prazo está apertado.

Por enquanto, os planos de Vitalik Buterin, fundador da Ethereum, acabam por aqui, mas ele também tem grande interesse em adicionar algum nível de privacidade na rede.

Como fazer o staking de ETH

Se você gosta do projeto, confia no time e nas suas infinitas usabilidades, e pretende segurar alguns ETH para o longo prazo, fazer o staking dos seus ativos pode ser uma opção.

Atualmente, o rendimento está por volta de 5% ao ano, nada demais, mas melhor do que simplesmente holdar seus ativos. A tendência é que esse rendimento aumente a partir de agora, podendo chegar por volta dos 7,5%, patamar em que começa a ficar interessante.

Existem alguns meios de se fazer o staking:

  • Staking individual

Se você tiver 32 ETH (cerca de R$ 250 mil na cotação de hoje), uma ótima conexão de internet, um bom computador e algum conhecimento de programação, você consegue por conta própria ser um validador diretamente na rede da Ethereum sem depender de mais ninguém como intermediário.

Nesse modelo, a recompensa é a maior possível disponibilizada pela rede. Por outro lado, também existem penalidades para os validadores que ficarem offline, podendo até mesmo perder seus ETH. Obviamente, esse exemplo não é viável para a grande maioria dos investidores, então não vamos nos aprofundar nesse processo.

  • Pool de staking

Caso você tenha menos de 32 ETH, você pode se juntar a um pool de staking, administrado por alguém que fica como intermediário, conduzindo toda a operação citada no item anterior e dando acesso ao mercado para os investidores menores.

Aqui, já é de se esperar que o administrador cobre parte do lucro pelo serviço, que gira por volta de 20%. A maior pool de mineração é a Lido, conforme indicado na comparação dos gráficos dos mineradores de PoW e PoS.

Na página inicial da Lido, você já consegue ver quais ativos eles disponibilizam e quanto o site repassa do lucro.

Fonte: Lido.fi

Indo em “stake now”, você será direcionado para outra página. Depois basta seguir os passos indicados abaixo.

Fonte: Lido.fi

1- Conecte sua MetaMask;

2- Defina o valor que deseja colocar em staking;

3- Envie a ordem e aprove na MetaMask a operação;

4- Você receberá a mesma quantia em stETH.

A Lido é considerada uma plataforma de staking líquido, ou seja, com esse stETH, você consegue recuperar seus ETH a qualquer momento, ao contrário de quem depositou os 32 ETH como no modelo anterior, que não tem a possibilidade de sacar seus ETH antes de liberarem a opção.

Caso você queira seus ETH de volta, você pode vender os stETH nas principais DEX ou até mesmo na MetaMask. Por meio desse tipo de plataforma de investimento, você mantém a custódia dos seus ativos na sua carteira, tendo mais segurança do que na opção a seguir.

  • Exchanges centralizadas

Outro intermediário que presta o serviço de staking são as exchanges, como Binance, Kraken, Coinbase, entre outras. Além de serem mais práticas do que os pools, cobram parcelas menores dos lucros. Por outro lado, deixar na exchange também tem um risco mais elevado.

Para depositar na Binance, por exemplo, vá na aba “Earn” e depois na opção “ETH 2.0”.

Fonte: Binance

Em seguida, abrirá a seguinte tela:

Fonte: Binance

1- Inicialmente, veja que o rendimento oferecido é de 5,2%;

2- Clique em “Faça Staking agora”;

3- Defina o número de ETH que deseja depositar;

4- Você receberá a mesma quantidade em BETH.

O BETH é equivalente aos stETH da Lido. Caso desista do staking, é possível vender seu BETH na própria Binance. Para isso, basta procurar o ativo e negociar pelo par BETH/ETH.

Fone: Binance

Perceba que, mesmo recebendo a quantidade igual em BETH quando depositou ETH, agora o BETH vale menos do que o ETH, oscilando por volta de 0,97 ETH.

Isso acontece porque o mercado pune quem quer se desfazer da operação antes de a rede da Ethereum liberar os saques. Como teoricamente o saque ainda não está disponível, esse é o prejuízo a ser assumido.

Ainda assim, é o jeito mais fácil e ainda pode render um pouco mais do que as plataformas de staking líquido. Em contrapartida, a concentração de ativos da exchange é um grande risco, pois pode ser alvo de uma falha no sistema e torná-la vulnerável a ataques ou bugs.

Conclusão

Depois do The Merge, o ETH já corrigiu mais de 21%. A lição que fica é o ditado: “compre no boato e venda no fato”. Certamente, a mudança já estava precificada e provavelmente até mais do que deveria, pois a alta ainda foi intensificada pela entrada do investidor institucional. Outro sinal foi o aumento no seu volume de negociação, que, por alguns momentos, passou o do BTC.

Além disso, o inverno cripto ainda deve durar mais alguns meses, o que não vai causar um alto volume de transações na rede da Ethereum para torná-la deflacionária no curto prazo.

Porém, daqui a dois anos, devemos ter a entrada de grande parte da população mundial, aumentando assim a retomada no volume de negociação, ao mesmo tempo que a rede deve estar mais preparada com as próximas atualizações. Por isso, as expectativas seguem ótimas para o médio e longo prazos.

Essa foi a primeira vez que um ativo fez a mudança de PoW para PoS, e assim se tornou uma referência de execução para todo o mercado.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.