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Três métodos para adequar sua carteira às nossas recomendações + Planilha para ajudar a montar a carteira Renda Total e analisar os seus percentuais

Escrito por Fillipe Colus, Guilherme Cadonhotto, Luciana Seabra em RENDA TOTAL

9 min de leitura

Quando começamos a montagem de uma carteira de investimentos do zero e temos dinheiro disponível para aplicar da forma que queremos, isso costuma ser uma tarefa fácil – ainda mais se tomar como base a que disponibilizamos na série Renda Total. Basta ter em mente a estratégia a ser seguida, os ativos a serem investidos e o montante que será direcionado a cada um deles.

Existem também as pessoas que já possuem uma carteira montada e que gostariam de adequá-la ao que recomendamos aqui na série. E temos ainda um terceiro grupo, formado for pessoas que já chegam à Renda Total com uma carteira montada, mas que não podem ou não querem vender seus ativos, e gostariam de usá-los como se fossem parte daqueles que compõem a nossa carteira – método que não recomendamos, como mostraremos adiante.

E o relatório de hoje vai tratar sobre esse processo de montagem da carteira Renda Total, começando com a apresentação de três métodos de adequação, mostrar quando é necessário fazer ajustes, levando em consideração qualquer um desses procedimentos (lembrando que essa decisão deve ser feita pelo investidor ou pela investidora), e apresentar uma ferramenta que vai auxiliar você no processo.

Essa ferramenta pode ser usada também por quem já investe no Renda Total e queira fazer uma análise da carteira. Nesse caso, o objetivo é verificar se há necessidade de algum ajuste ou movimentação, ou se ela está dentro das nossas recomendações.

Métodos de montagem

Apresentamos inicialmente três opções de montagem da carteira Renda Total, que, na nossa visão, são os principais para que uma pessoa consiga adequar o que já tem à nossa, mesmo tendo outros investimentos que pagam dividendos e que não sejam recomendados aqui:

  • Método 1: desfazer-se dos atuais investimentos e utilizar o montante vendido para construir a carteira Renda Total do zero.
  • Método 2: investir capital novo nos ativos recomendados da série, sem considerar os investimentos que a pessoa já possui. Ou seja, ter duas carteiras separadas, que não se mesclam.
  • Método 3: agrupar os ativos que já possui em carteira dentro da mesma categoria e aí então partir para montar a carteira considerando os ativos antigos como parte do Renda Total.

Esses três métodos têm suas vantagens e desvantagens próprias, e é importante mencionar que não existe a melhor opção. No entanto, a nossa recomendação para montar sua carteira é utilizar os métodos 1 ou 2, pois eles permitem o uso de todo o potencial da carteira Renda Total, tanto em relação ao pagamento de dividendos quanto aos possíveis retornos dos seus ativos.

No entanto, cada carteira é individual, e você é o/a responsável por tomar a decisão pela montagem. Assim, é você que deve decidir qual método seguir, levando em consideração os riscos e benefícios que resumimos a seguir:

 Principal riscoPrincipal benefício
Método 1Processo envolve venda de posições que podem levar à perda de capital, seja renda fixa, seja variável.Utilizar todo o potencial das recomendações do Renda Total.  
Método 2Corre risco de aumentar a exposição em demasia em determinado setor.  Utilizar todo o potencial das recomendações do Renda Total.  
Método 3Opção reduz a efetividade do Renda Total, pois coloca ativos não recomendados dentro da carteira.Menor complexidade operacional.

Vamos lá?

Apresentação da ferramenta

A ferramenta consiste em uma planilha, que é dividida em três partes:

Fonte: Spiti

Parte 1: Divisão macro da carteira ideal

Fonte: Spiti

Na parte 1, chamada “Carteira Ideal”, você pode verificar exatamente qual seria a distribuição ideal do seu dinheiro de acordo com as nossas recomendações. Para isso, preencha o campo “Investimento no Renda Total”, destacado em amarelo, para verificar como esse montante deve ser dividido entre as diferentes categorias de investimento que temos no Renda Total: fundos imobiliários, ações, títulos de dívida corporativa, títulos públicos e proteção.

Parte 2: Sua carteira hoje

Fonte: Spiti

Na parte 2, “Sua Carteira”, você consegue, a partir do preenchimento das células amarelas, verificar como está a distribuição atual da sua carteira Renda Total em termos percentuais.

Após a inserção dos valores, as células que ficarem destacadas em vermelho indicam que você está com exposição acima da recomendada na respectiva categoria, enquanto aquelas destacadas em verde apontam que sua exposição está abaixo do que consideramos ideal.

Já as que ficarem levemente amareladas mostram que, apesar de não estarem com um percentual “cravado” em relação ao recomendado para a categoria em questão, a diferença é pequena e não precisa de ajuste.

Atenção: se o campo destacado em azul indicar “Atenção: ajustar valores das carteiras”, a soma dos valores totais da sua carteira não está batendo com o número indicado na célula “Investimento no Renda Total”, apresentado na parte 1. Porém, o restante dos cálculos é feito de forma independente, ou seja, não afetará a avaliação da sua carteira.

Parte 3: Ajustes necessários

Fonte: Spiti

Na parte 3, “Ajustes necessários”, com base nas informações fornecidas na etapa anterior, você verá os ajustes que deve realizar em cada uma das categorias para ter a exposição percentual adequada em cada uma das categorias de ativos.

A partir disso, você vai ter informações importantes, como quais categorias de ativos você deve vender ou comprar para rebalancear sua carteira e qual o valor exato de cada uma dessas compras e/ou vendas a serem realizadas com base no patrimônio a ser investido.

Se a diferença entre a situação atual da sua carteira e como ela deveria estar não for relevante, a tabela e o gráfico de ajuste não indicarão valor de compra ou venda para aquela categoria em específico.

Extra: Parte 4 – Socorro! Me perdi

Podemos considerar como uma parte extra da planilha. Se você ainda tiver dificuldade em relação aos termos apresentados, acesse o link em azul na parte de baixo do arquivo, que você terá acesso a um relatório com bastante conteúdo explicativo para entender mais sobre as categorias de investimentos que recomendamos na série.

Agora que apresentamos cada uma das seções da nossa ferramenta, vamos mostrar como usá-la na prática. Para isso, trazemos três simulações:

  • Montagem de uma carteira a partir do zero;
  • Adequação de uma carteira já montada, mas sem uma estratégia definida;
  • Realização de um novo aporte em uma carteira já ajustada à nossa recomendação.

Exemplo 1: começando a investir na carteira Renda Total

Imagine que você se tornou assinante da série Renda Total há pouco tempo e vai começar a montar sua carteira de investimentos. Tem R$ 30 mil para aplicar na carteira e quer entender qual direção seguir.

O primeiro passo que você deve dar é preencher a célula destacada em amarelo, na parte 1: “Investimento no Renda Total”, com o valor a ser investido no Renda Total.

Ao fazer isso, você terá agora um ponto de partida. Na coluna “Valor (R$)”, consegue ver qual o montante que cada uma das categorias dentro do Renda Total deve ter do seu dinheiro.

Nesse caso, temos o seguinte:

Fonte: Spiti

Com tais valores em mãos, você pode dar o segundo passo: consultar os ativos recomendados em nossa aba de recomendados e fazer a divisão por ativo!

Dentro dessa seção, que está na página da série Renda Total, temos listados os ativos recomendados por nossa equipe e qual o percentual que indicamos para cada um dos ativos individualmente.

Fonte: Spiti

Para encontrar os FIIs recomendados, basta abrir a opção desejada entre as que estão embaixo do gráfico. Em seguida, uma lista com os ativos vai aparecer e você pode começar a alocar por ativos, levando em consideração o percentual de cada um:

Fonte: Spiti

Você deve realizar os mesmos passos com todas as categorias dos investimentos que temos em Renda Total para alocar nos ativos recomendados.

Detalhe importante: se os valores ficarem levemente afastados da alocação ideal, não se preocupe. A ideia é oferecer um guia, e não um caminho obrigatório para seguir à risca, em que qualquer passo fora pode fazer você cair.

Exemplo 2: adequação de uma carteira já montada, mas sem uma estratégia definida

Neste exemplo, é fundamental ressaltar um ponto: os ativos que aparecem na aba Recomendados são as nossas únicas recomendações de compra para a nossa carteira. Ou seja, não há substituições.

Mas entendemos a dificuldade que vamos trazer neste exemplo, isto é, se você já tiver uma carteira montada há muito tempo, mas queira se adequar à nossa recomendada. Desfazer-se de posições antigas pode ser bastante complicado, porque você pode realizar prejuízos de determinada posição ou mesmo lidar com a falta de liquidez, como é o caso de debêntures.

Então, vamos simular que você tenha sua própria carteira de renda, ou seja, composta apenas por ativos que paguem dividendos recorrentes e que, após uma análise da sua situação, decidiu não se desfazer deles. Como exemplo, vamos usar o portfólio a seguir, que possui ativos que não recomendamos (sinalizados com nomes genéricos) e alguns recomendados, como KDFI11 e IFRA11:

Fonte: Spiti

A partir desses dados, vamos ao próximo passo, que é agrupar os ativos por categoria, como mostramos na tabela 2. Se tiver alguma dúvida sobre como fazer esse agrupamento, sugerimos consultar nosso guia dos ativos publicado neste relatório para auxiliar na tarefa. Mas aqui o processo é simples: analisar a sua carteira de dividendos e agrupar os montantes investidos nas devidas categorias.

Em seguida, vamos adicionar os dados dessa carteira hipotética na nossa planilha, cujo resultado será o seguinte:

Fonte: Spiti

A partir dos resultados obtidos, podemos fazer a seguinte análise:

  • A carteira está com exposição muito acima do que recomendamos em dívida corporativa, ações e títulos públicos (células em vermelho);
  • E está com a exposição muito abaixo do que recomendados em fundos imobiliários e proteção (células em verde).

O próximo passo é verificar quais os ajustes a planilha recomenda para cada categoria, que você pode encontrar na parte “Ajustes necessários para adequar sua carteira”:

Fonte: Spiti

Exemplo 3: realização de novos aportes

O exemplo a seguir leva em conta uma pessoa que montou uma carteira seguindo à risca as nossas recomendações, e agora deseja fazer um aporte novo (como exemplo, vamos imaginar um valor de R$ 2 mil), mas não sabe como dividir esse montante entre as categorias.

Para isso, vamos utilizar inicialmente a parte 1 da planilha e colocar o valor (R$ 2 mil) na célula amarela:

Fonte: Spiti

A tabela vai mostrar como dividir esse dinheiro entre as categorias sem fugir dos percentuais recomendados – lembrando que estamos considerando que a carteira já está balanceada.

Veja, por exemplo, que a planilha mostrou que R$ 250 do total deve ir para a categoria de dívida corporativa. Assim, o próximo passo é abrir esta seção na aba Recomendados na área de assinantes e checar quais são os ativos indicados e a porcentagem de cada um na carteira, comparar com o que já tem e investir o montante no que estiver mais distante do recomendado.

Fonte: Spiti

Não é necessário investir em todas as opções em todos aportes que fizer, uma vez que você pode não ter o valor para aplicação mínima em determinado ativo. Por exemplo, nesse caso não é possível investir na LCA do BTG Pactual, cujo mínimo é de R$ 1 mil, mas é possível comprar KDIF11 e/ou IFRA11.

É importante que você se atente à proporção que cada ativo terá depois dos aportes para que possa programar os próximos investimentos de modo a completar a sua carteira. Se você quiser uma ajuda para fazer uma análise de cada recomendação, temos também uma planilha específica para isso, que você pode encontrar neste relatório.

Mas e se o valor do novo aporte for muito pequeno para ser dividido em várias categorias, como, por exemplo, R$ 100?

Nesse caso, você pode utilizar a parte 2 da planilha e verificar em qual das categorias um acréscimo de R$ 100 não vai causar um desequilíbrio em relação à carteira recomendada. Por exemplo, uma aplicação desse valor em FIIs vai causar uma mudança relevante?

Usando aqui o exemplo de carteira com R$ 12 mil investidos após ter sido balanceada conforme recomendado pela planilha, temos a seguinte divisão:

Fonte: Spiti

Aqui, escolha uma categoria para adicionar os R$ 100 e observe se o novo percentual vai ficar muito fora do valor recomendado. No nosso exemplo, escolhemos FIIs:

Fonte: Spiti

Note que a planilha não apontou que o percentual está fora do recomendado (células em amarelo claro), ou seja, pode dar sequência e adicionar a cota do FII escolhido por você.

Conclusão

Muitas pessoas nos questionam se é possível considerar algum investimento que paga dividendos sem ser recomendado nosso como parcela da categoria do Renda Total. Assim como os economistas gostam de falar, nossa resposta pra esse caso é: depende.

Por um lado, ao fazer isso adicionam-se ativos que não são recomendados para a carteira Renda Total e que podem causar problemas em relação à performance. Por outro, é uma opção mais trivial de ponto de vista operacional, pois não precisa se desfazer de nenhum ativo.

As outras duas opções que mostramos no começo do relatório envolvem se desfazer das compras antigas e investir de forma diversificada na carteira Renda Total, Método 1, o que pode inibir algumas pessoas, pois isso costuma envolver pagamento de impostos (no caso de renda variável) ou realizar prejuízos (no caso de títulos sem liquidez) ou criar a carteira do Renda Total em paralelo com a carteira antiga, Método 2.

Mesmo sendo mais complexos operacionalmente, esses dois outros métodos que apresentamos e que envolvem a venda dos ativos antigos são, na nossa visão, os melhores caminhos no médio e longo prazos para construção da carteira do Renda Total.

Também mostramos como fazer a gestão de sua carteira de renda de forma mais eficiente, usando a ferramenta de controle que elaboramos, independentemente do método que você decidir seguir. Caso queira manter seus ativos, a ferramenta mostra como está sua divisão setorial, assim como ela mostra como dividir os novos aportes nas categorias recomendadas.

E se você já segue todas as recomendações do Renda Total por completo, pode usar a ferramenta para verificar se seus investimentos estão dentro do que indicamos.

Clique abaixo para fazer o download da planilha e bom proveito!

Planilha-Controle-Renda-Total-e-Alternativa

Abraços,

Fe Colus e Gui Cadonhotto

Sobre os analistas

Fillipe Colus

É especialista em renda fixa da Spiti, bacharel em Engenharia Mecânica e especialista em Finanças. Auxiliou mais de 15 empresas com recomendações financeiras e operacionais em dois anos de consultoria estratégia e trabalhou na KPMG, ao lado de executivos e diretores de empresas líderes de segmentos, bem como no mercado público, auxiliando órgãos federais. Acredita que conhecimento bom deve ser repassado de uma forma simples e direta. Por isso, adora falar de finanças para quebrar tabus, e faz isso até nas horas vagas.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.

Luciana Seabra

Fundadora

Fundadora da Spiti, uma das maiores casas de análise do Brasil, Luciana Seabra é reconhecida por sua abordagem clara e acessível para explicar assuntos complexos relacionados ao mundo financeiro para o público em geral.