Relatórios

Um resumo das conversas com gestores de fundos na Expert XP + Orientações sobre o fechamento do fundo Augme 45

Escrito por Felipe Arrais, Rodrigo Xavier, Vinicius Kenjiro em FUNDOS

14 min de leitura

Nos dias 1º e 2 de setembro, aconteceu o evento anual organizado pela XP, a Expert, e o time de analistas da Spiti participou ativamente.

Aqui, vale mencionar que não há qualquer intuito de exaltar o nome da instituição que organiza o evento, mas, sim, relatar como um acontecimento desse tamanho evidencia a evolução do mercado e quais insights ele pode trazer para quem investe através de fundos de investimento.

Para nós, do time de fundos, é uma obrigação estar presente na Expert. Afinal, em um único dia podemos conversar com a maior parte das casas recomendadas em um clima descontraído, assim como é importante para reforçar o relacionamento e também perceber algumas nuances que possam afetar a análise qualitativa.

Sabemos o quão caro é montar um stand premium no evento e, portanto, percebemos quem investiu pesado para “aparecer” mais. Gestoras grandes e consolidadas frequentemente optam por um stand à altura. São os casos de Kapitalo, Kinea, SPX, JGP, por exemplo, que possuem dezenas de bilhões de reais sob gestão e conseguem – e até precisam – se posicionar como marca forte investindo bastante. Agora, quando uma gestora pequena aparece figurando com um stand imenso, isso também chama a atenção.

Não é necessariamente um demérito, afinal, é importante investir para trazer visibilidade ao business. Mas sabemos que o momento de mercado nos últimos anos foi difícil, e algumas gestoras que enfrentaram momentos ruins e que perderam patrimônio e colaboradores talvez possam passar do ponto em gastar alguns milhões para ter um lugar de destaque.

Notamos também, em um evento como a Expert, a volatilidade da exposição, como uma gestora que no ano passado tinha um espaço imenso, e em 2023 se recolheu a um pequeno stand, ou até mesmo nem participou da edição.

Esbarramos com profissionais do mercado a cada esquina do evento e nos deparamos com diversas situações, por exemplo, uma pessoa que estava na gestora X hoje está vestindo a camisa da Y e aproveita para defender a nova casa, minimizando o tamanho da gestora que antes defendia.

Por isso, estabilidade de colaboradores é um sinal que procuramos em gestoras para termos convicção no resultado de longo prazo.

Agora, a parte mais valiosa é quando conseguimos encontrar os gestores no evento. O que não é trivial, afinal, essas pessoas precisam trabalhar e não podem se dar ao luxo de passar dois dias inteiros participando de um evento de mercado. Por isso, é comum que muitos não participem e, quando se fazem presentes, fiquem pouco tempo.

Infelizmente, não conseguimos visitar todos os stands que desejávamos, alguns por falta de tempo, outros pelo fato de o gestor principal não ter comparecido ou ter sido extremamente assediado a todo momento, sendo difícil encontrar um espaço para conversar com calma.

Agora, conseguimos conversar com várias casas recomendadas (contidas atualmente na proposta base do Spiti One) e em várias delas conseguimos até mesmo registrar uma rápida opinião sobre as grandes convicções para o resto do ano. Essas rápidas entrevistas com os gestores podem ser conferidas na íntegra em nosso canal do Telegram. Enviamos o vídeo diretamente da Expert, sem qualquer edição, para que fosse entregue a você enquanto o conteúdo ainda estava fresquinho. Vale a pena conferir!

Antes de falarmos com mais profundidade sobre insights de mercado colhidos no evento, permita-nos discutir um pouco sobre a representatividade de eventos de finanças no Brasil.

Embora não tenhamos os números oficiais, a Expert deste ano esperava receber ao longo dos dias de evento algo em torno de 40 mil pessoas. No início de agosto, o Grupo Primo realizou o Finday, evento presencial no Ginásio do Ibirapuera, que contou com mais de nove mil participantes. Inclusive, tivemos o prazer de encontrar com diversos assinantes da Spiti no evento.

A Expert se tornou um evento grandioso e obrigatório para quem é do mercado, no entanto, não é tão proveitoso para pessoas físicas. A Spiti tem foco em atuar junto a investidores de varejo, pois acreditamos que, quando bem orientados, podem investir tão bem ou melhor que profissionais.

Um passarinho nos contou que no ano que vem, o Finday será ainda maior, mantendo o DNA de ser voltado a investidores como você. No meio do caminho, será que poderíamos organizar um Spiti Day? Esse não precisaria ser gigante, basta termos um espacinho só nosso para conversarmos em um ambiente descontraído.

Nós adoramos eventos presenciais com assinantes. Se você se interessa por iniciativas como essa, conte pra gente! Basta mandar um e-mail para spitione@invistaspiti.com.br.

Ao longo das próximas páginas, discutiremos insights de mercado que conseguimos colher ao longo da Expert. Vale mencionar que as opiniões expressas pelos gestores fazem sentido dentro do contexto da carteira diversificada que eles possuem. Também é importante dizer que os gestores estão atentos ao mercado e podem mudar de opinião a qualquer momento.

Vamos nessa!

Renda fixa pós

JGP Corporate e Select

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023

Segundo Alexandre Muller, gestor das estratégias de crédito da JGP, tudo indica que estamos caminhando para uma normalização do mercado depois dos eventos do início do ano que trouxeram volatilidade e preocuparam os investidores. Nos últimos meses, a classe como um todo tem se beneficiado da queda dos prêmios de risco e gerado aos cotistas ganhos tanto do lado da marcação a mercado como pelo próprio carrego dos títulos em carteira.

Nesse ambiente de compressão de spreads e ganhos com a marcação a mercado das debêntures, o gestor tem visto com bons olhos papéis do setor de infraestrutura que possuem o benefício da isenção do Imposto de Renda. Isso acontece porque, nesses casos, há isenção tanto no carrego como no ganho de capital.

SPX Seahawk

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023

Para a célula de crédito da SPX, as maiores oportunidades nos próximos meses estão no mercado externo. Segundo Albano Franco, gestor das estratégias de crédito da casa, o ponto de inflexão para uma melhora desse setor deve ser o fim do ciclo de aperto monetário do Federal Reserve, o banco central norte-americano.

Albano reforçou que é bastante comum no fim do ciclo os mercados balançarem um pouco mais do que o normal. No entanto, conforme nos aproximamos de fato desse momento, a volatilidade tende a diminuir e os investidores, retomarem o interesse pela classe.

Hoje, com os juros norte-americanos elevados, o retorno nominal – sem descontar a inflação – dos títulos de crédito de empresas e até mesmo de países da América Latina estão em níveis bastante interessantes. E, com o término da subida dos juros e uma menor incerteza em relação aos próximos passos do Federal Reserve, a classe como um todo tende a se beneficiar.

Vale mencionar que o SPX Seahawk não investe em bonds internacionais, mas Albano também é gestor do SPX Seahawk global, que investe até 40% da carteira fora do Brasil. Importante citar que gostamos muito desta estratégia e que ela está muito próxima de ser recomendada na série de fundos.

Quem sabe em breve não possamos surfar essa oportunidade destacada pelo time de gestão, não é mesmo?

Renda fixa dinâmica

Sparta – JURO11

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023

Dentro da Sparta, a maior convicção hoje são as debêntures incentivadas. Para Artur Nehmi, gestor das estratégias de renda fixa e crédito privado, a maior atratividade da classe se dá especialmente por conta do retorno real – acima da inflação – e pela isenção do Imposto de Renda para quem investe, seja no ganho de capital, seja na parcela do carrego.

Agora, isso não significa que você deveria sair comprando debêntures incentivadas. Como sempre reforçamos, ter uma gestão ativa dentro do crédito é extremamente importante, tanto por conta da diversificação que os fundos proporcionam quanto pelo mercado ser de balcão e demandar um acompanhamento muito próximo do gestor para conseguir os melhores ativos a bons preços.

Multimercados

Absolute Vertex

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023

Fabiano Rios, sócio-fundador e gestor da Absolute Investimentos, continua acreditando na valorização da Bolsa norte-americana para o restante de 2023. A convicção fora do consenso de mercado está refletida na carteira desde o início do ano e foi a responsável por ajudar o fundo a superar o CDI e ter um desempenho acima da média da indústria no período.

Enquanto grande parte dos fundos multimercados mantinham uma visão mais negativa para as ações norte-americanas, a gestora começou o ano comprada na classe via índices. Segundo nos contou, naquele momento, a melhora dos indicadores macroeconômicos e o lado técnico – indústria pouco alocada – eram as principais razões que embasavam a posição.

Agora, a virada de chave aconteceu logo depois do caso do Silicon Valley Bank em março. O ambiente negativo gerado pela quebra do banco e a perspectiva de resultados acima do esperado das empresas deram ainda mais conforto para o gestor e o fez até aumentar a alocação. Desde lá, o fundo tem carregado uma fatia relevante do patrimônio em ações ora em empresas ligadas à tecnologia através do índice Nasdaq, ora em índice mais amplo, como o S&P 500.

Ibiuna Hedge STH

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023

Segundo Rodrigo Azevedo, sócio-fundador e gestor dos fundos macro da Ibiuna, o tema principal dos próximos três a seis meses deve ser o provável fim do ciclo de alta de juros nos Estados Unidos. O aperto monetário feito pelo Federal Reserve até aqui foi responsável por aumentar a volatilidade dos ativos, e no momento que isso terminar, deve gerar muitas oportunidades de alocação.

Para o gestor, possivelmente, o fim do ciclo abre espaço para posições aplicadas em taxa de juros nos mais de 30 países que são acompanhados pela equipe da Ibiuna. Para quem não se lembra, uma posição aplicada em juros aposta na queda da taxa, ou seja, os ganhos com a posição vêm quando os juros caem mais do que está precificado no mercado.

Kapitalo Kappa e Zeta

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023

Para Carlos Woelz, sócio-fundador e um dos principais gestores da Kapitalo, a maior aposta hoje é na desaceleração global. Ainda não é uma grande convicção ou um posicionamento muito relevante dentro dos fundos, contudo, dados divulgados recentemente apontam nessa direção e dão cada vez mais conforto para o gestor.

Grande parte das incertezas do cenário externo e o receio de uma retomada da inflação e de mais altas adiante ficaram para trás. No entanto, como ressaltou Woelz, fim de ciclos de aperto monetário são sempre muito difíceis e podem mudar muito rápido. Por isso, o gestor está esperando uma maior clareza em relação à atividade global para tomar posições maiores.

Agora, as dúvidas não significam que o fundo está fora do mercado. A gestora viu uma janela positiva diante da diminuição dos riscos e abriu posições para ganhar com o tema da desaceleração das economias, especialmente na parte de juros com viés aplicado (apostar na queda) e ficar vendido em ativos de risco que dependem de uma aceleração da atividade.

No mercado local, a visão de Woelz é que esse ambiente de queda na atividade ao redor do mundo deve ser ruim para o Brasil. Até existe uma janela mais benigna para os ativos locais caso o cenário do pouso suave (soft landing) se concretize – aquele em que a inflação desacelera sem levar as economias para uma recessão. O gestor está monitorando, contudo, o ambiente ainda é muito incerto.

Sendo assim, por enquanto, há pouca convicção e um certo receio em alocações no mercado brasileiro. Preocupações em relação ao cenário fiscal são o principal ponto de atenção para o gestor. Os fundos têm carregado uma pequena posição aplicada na parte curta da curva olhando principalmente a trajetória de queda de juros.

JGP Strategy

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023

Para Eduardo Cotrim, gestor da JGP, ainda restam muitas dúvidas em relação ao fim do aperto monetário nos Estados Unidos e os seus impactos nas economias emergentes, especialmente o Brasil. Por essa razão, pelo menos por enquanto, a gestora não tem uma grande convicção olhando para a frente e segue com um posicionamento mais leve e tático.

Na visão da gestora, já há sinais de que o trabalho do Federal Reserve tem surtido efeito e desacelerado a economia norte-americana, porém, os níveis de atividade ainda se mantêm elevados. A principal questão é a pouca clareza se a inflação irá arrefecer sem uma desaceleração brusca da economia ou se somente uma recessão terá o efeito desejado pela autoridade monetária de normalizar os preços.

Se a desinflação ocorrer de maneira organizada, a tomada de risco global deve pegar tração e as economias emergentes vão se beneficiar do movimento. Agora, caso a economia norte-americana entre realmente em uma recessão mais intensa diante do aperto monetário, os efeitos para o restante do mundo devem ser menos benignos.

Legacy

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023

O cenário à frente da Legacy é de desaceleração e desinflação das economias ao redor do mundo. Nesse ambiente, segundo Felipe Guerra, sócio-fundador da gestora e quem está no comando da estratégia macro da casa, a principal convicção é a renda fixa e os possíveis ganhos com o ciclo de queda de juros.

A retirada dos estímulos pelos países e a política monetária restritiva dos bancos centrais, tanto nas economias desenvolvidas como nas emergentes, devem ser os principais catalisadores dessa aposta da Legacy. A expectativa é que tais movimentos desacelerem o crescimento econômico, aumentem a taxa de desemprego e, consequentemente, contribuam para a desinflação das economias.

O foco está em países onde a taxa de juros está em níveis muito restritivos, economias que já estão sentindo os efeitos do aperto monetário feito nos últimos meses ou em que os preços estão arrefecendo. Só para você ter ideia, o fundo possui posições na renda fixa em México, Coreia do Sul, Brasil, Nova Zelândia, Canadá e até mesmo nos Estados Unidos, após os números do mercado de trabalho divulgados na semana retrasada.

Ações

Ibiuna Equities

Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023

André Lion, gestor das estratégias de ações da Ibiuna, reforçou que neste momento a procura é por empresas que se beneficiem do ciclo de corte de juros no mercado local. São dois pontos principais em que a equipe está de olho, tanto do lado da redução do custo de capital das empresas como também a própria diminuição da despesa financeira.

E aqui, vale reforçar que não é qualquer empresa que possa se beneficiar da queda nos juros. A gestora não enxerga uma aceleração do crescimento nos próximos 12 a 18 meses da economia local, por isso, a procura do time de gestão é por companhias que não dependem do avanço econômico do país.

Nessa linha, o Ibiuna Equities mantém uma carteira bastante diversificada entre empresas e setores. E ainda que o portfólio mude bastante dependendo do cenário e do preço, hoje, a estratégia está entre 96% e 97% alocada e com um caixa de aproximadamente 4%.

A estratégia conta com alocações nos setores de utilidades públicas, energia, algumas construtoras, setor financeiro e consumo. Entre as companhias investidas, podemos citar B3, Copel, Cury, Direcional, Eletrobras, M. Dias Branco, Petrobras, Sabesp e Vale.

Internacional

Oaktree Global Credit

Fonte: Bloomberg | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023 *Dados referentes ao fundo sediado no exterior computando a apreciação cambial no período
Fonte: Bloomberg | Elaboração: Spiti | Data de referência: 31/8/2023 *Dados referentes ao fundo sediado no exterior computando a apreciação cambial no período

Quando avaliamos estratégias internacionais, precisamos levar em conta que os ativos são cotados em outra moeda. Em um ano em que o gestor performe bem, mas o dólar recue frente ao real, podemos ter a percepção de que o espelho brasileiro tem uma performance reduzida. Gostamos de observar o retorno em dólares, como seria observado, por exemplo, por um investidor norte-americano.

Portanto, na tabela anterior, retratamos a performance do fundo com exposição cambial detalhando o ganho do fundo acima do retorno do dólar contra o real brasileiro.

Diferentemente do que foi observado nos últimos dez anos, a renda fixa internacional tem ganhado cada vez mais espaço no portfólio dos investidores. O momento de juros elevados no mundo todo, especialmente nas economias desenvolvidas, trouxe oportunidades de alocação em ativos com ótima qualidade de crédito e, ao mesmo tempo, com retorno de dois dígitos.

Como comentou David Rosemberg, gestor da Oaktree, surpreendentemente, hoje conseguimos retornos parecidos com o de ações investindo em crédito. O maior atrativo disso tudo é que geralmente oportunidades como essa só aparecem em momentos de muito estresse do mercado e não é o que a gestora observa adiante.

Outro ponto importante é a atratividade da renda fixa em detrimento do mercado de ações. Investir em Bolsa requer uma perspectiva de crescimento das companhias, e olhando para os últimos cinco anos, a valorização das empresas foi resultado do baixo custo de capital para financiar esse crescimento.

Hoje, diante dos juros elevados, isso não é mais uma realidade, o que dificulta o potencial de valorização das ações. Agora, em contrapartida, dentro do universo de crédito, investidores não precisam que a empresa cresça para ganhar dinheiro, o único ponto de atenção é que a geração de caixa seja suficiente para pagar as despesas financeiras.

Portanto, o mais importante nesse momento para usufruir destes ganhos é evitar a inadimplência das empresas. Como reforçou Wayne Dahl, diretor e gestor da Oaktree, para conseguir isso a principal preocupação deve ser a diversificação da carteira através da exposição em diferentes setores, produtos e/ou geografias.

Fechamento do fundo Augme 45, representante da renda fixa pós-fixada

Conforme mencionado pela própria Augme em comunicado ao mercado em 28/8/2023, os fundos Augme 45 e Augme 45 Advisory foram fechados para captação por tempo indeterminado com o objetivo de preservar o valor dos investimentos de seus cotistas atuais. Caso tenha o interesse de entender um pouco mais sobre quais são as motivações que levam os gestores a fecharem seus fundos, sugerimos a leitura do início do relatório de 3/7/2023 (link).

Sendo assim, as solicitações de resgates podem continuar sendo efetuadas normalmente, mas novos aportes não podem ser realizados.

Como muitos já sabem, gostamos de manter em nossa alocação base (lista de recomendados) apenas os fundos que estejam abertos para captação. Entendemos que fazer dessa forma facilita tanto para os novos assinantes que estão montando suas carteiras do zero quanto os antigos que podem estar ajustando seus portfólios à medida que seu patrimônio cresce.

Portanto, o Augme 45 está sendo retirado de nossa proposta base. Isso não significa que o fundo tenha perdido seu potencial, pois continuamos acreditando muito nele, e aqueles que já investem no Augme 45 não precisam resgatar.

Apenas estejam cientes de que, neste momento, novos aportes não são permitidos. O fundo estava presente em todas as carteiras para valores de até R$ 1 milhão, e para ajustar nossa proposta, optamos por aumentar o peso dos fundos que permaneceram na carteira proporcionalmente à saída do Augme 45.

Você pode estar se perguntando por que não fizemos o movimento de retirada do fundo antes, e nossa resposta é que, às vezes, algumas corretoras ainda têm um pequeno espaço de capacity disponível devido a resgates recentes de clientes.

Portanto, como não se tratava de uma perda de fundamentos do fundo, optamos por segurar por mais alguns dias antes de efetuar o “ajuste” por aqui.

Veja como ficaram as nossas carteiras construídas por fundos com a saída do Augme 45:

Elaboração: Spiti
Elaboração: Spiti

Ao sugerir uma proposta de carteira, nós precisamos cuidar de uma série de situações, como o equilíbrio entre as peças sugeridas, situações de abertura e fechamento dos fundos recomendados pela equipe, analisar se a aplicação mínima inicial do fundo é compatível com o que propomos alocar na carteira em seus variados tamanhos, entre outros.

Dado as questões citadas, nos sentimos seguros e confiantes com a nossa proposta explicitada na tabela.

Ficamos por aqui

Nosso objetivo como analistas profissionais de fundos é trazer conforto para que você possa investir em boas estratégias. Manter a convicção em uma recomendação exige uma constante análise quantitativa e qualitativa. A primeira é mais fácil de ser executada para quem entende de análises de risco e retorno, agora, a qualitativa é subjetiva e necessita de proximidade.

Estamos sempre muito próximos dos gestores recomendados para poder trazer informações pertinentes em momentos bons e ruins. Vale lembrar que, por melhor que seja o time de gestão, todos são passíveis de passar por momentos de dificuldade prolongados. E, em horas em que o quantitativo tropeça, o qualitativo precisa estar em dia.

A Expert é um evento especial no qual podemos nos aproximar, fazer network, observar nuances dos bastidores do mercado e, justamente por isso, quisemos fazer este relatório para compartilhar com você um pouco desse sentimento.

Aliás, sabemos que muitos de vocês se interessam pelos bastidores de nosso dia a dia de análise. Se você tem interesse nesse tipo de conteúdo, adoraríamos que desse seu feedback mandando um e-mail para spitione@invistaspiti.com.br.

Toda opinião é lida e usada como combustível para pautar nossas decisões de produção de conteúdo.

Um grande abraço,

Felipe Arrais, Vinicius Yoshida e Rodrigo Xavier

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Vinicius Kenjiro

Fund Research Analyst

É especialista de fundos da Spiti. Bacharel em Administração pela USP, com passagem pela Erasmus University Rotterdam, Vinícius atuou na análise financeira e social de um fundo de impacto social, nas áreas de agricultura e inclusão financeira. Fascinado pelo mercado financeiro, traz na bagagem a experiência de ter estado do outro lado da indústria e a vontade de impactar a vida das pessoas por meio da educação financeira e dos investimentos.