Relatórios

Uma atualização sobre o Banco Daycoval, seus resultados do 2T23 e ativos disponíveis

Escrito por Guilherme Cadonhotto, Rodrigo Xavier em RENDA FIXA

8 min de leitura

Na série de renda fixa da Spiti, a nossa posição favorita quando o assunto é crédito privado é o Banco Daycoval.

Fonte: Shutterstock
Fonte: Shutterstock

Em pouco mais de 50 anos de história, o Daycoval se tornou um dos maiores bancos brasileiros, e encerrou o segundo trimestre de 2023 (2T23) com R$ 72,7 bilhões em ativos totais, incluindo uma carteira de crédito ampliada com montante de R$ 52,7 bilhões. Já o patrimônio de referência somou R$ 7,0 bilhões.

Hoje, o Daycoval conta com mais de 3.400 colaboradores, a maior parte deles concentrados na sede, na Avenida Paulista, mas também presentes nas 50 agências distribuídas em 21 estados brasileiros mais o Distrito Federal.

E o que esperar do banco para o futuro diante dos resultados recentes apresentados? Além disso, o que fazer com o CDB com liquidez diária, cujo rendimento passou de 110% para 107% do CDI?

Planos conservadores para 2023

No fim de 2022, eu, Gui Cadonhotto, estive na sede do Daycoval e conversei com Morris Dayan, um dos conselheiros do banco, com a pessoa responsável pela área de investimentos e também com o time de relação com investidores (RI).

Ficou claro naquelas conversas que a ideia do banco para 2023 não era aumentar de maneira relevante sua carteira de crédito nem buscar resultados formidáveis. Afinal, olhavam para este ano com receio e expectativa de que a inadimplência subisse e as condições econômicas do país se tornassem mais desafiadoras.

Nesse contexto, sinalizavam uma expectativa de crescimento moderado da carteira de crédito, evitando que essa expansão levasse a uma piora da sua qualidade, e esperavam também uma leve queda em seus resultados com o aumento da inadimplência e a provisão para devedores duvidosos, o famoso PDD.

Mas o que de fato importa ao olharmos para os indicadores de um banco?

Elementos importantes na análise do balanço de instituições financeiros que são diferentes de outros setores incluem crédito, retorno sobre o patrimônio líquido e inadimplência na dívida.

A carteira de crédito do banco é apresentada por segmento, por pessoa jurídica e por pessoa física, bem como por porte de empresa: grande, média e PME (pequenas e microempresas). Mais importante do que o valor dessa conta é a qualidade do crédito em si, ou se o cliente é um bom pagador. Para maus mutuários, as taxas de juros são geralmente mais altas para cobrir o risco de inadimplência.

Empréstimos para empresas podem ser considerados, no geral, mais seguros do que para pessoa física, mas há uma modalidade de crédito para pessoa física que é considerada significativamente mais segura do que a média, o crédito consignado.

O crédito consignado é uma modalidade de crédito em que o valor das parcelas é descontado automaticamente do salário ou benefício previdenciário do cliente.

Dê uma olhada na carteira de crédito do Daycoval hoje:

Fonte: Daycoval - Resultados 2T23
Fonte: Daycoval - Resultados 2T23

Atualmente, o consignado representa 23,1% da carteira de crédito do Daycoval, e fora a modalidade de C.G.I., que é um modelo em que a pessoa concede um ativo financeiro do próprio banco como garantia para um empréstimo, foi a parcela que mais cresceu em percentual nos últimos 12 meses.

Vale ressaltar que, pelo tamanho da modalidade C.G.I. ser muito pequena, um aumento percentual maior é mais fácil de ser atingido, logo desconsideraria o crescimento dessa modalidade e destacaria a de consignado, que cresceu 27,7% nos últimos 12 meses.

Para você ter uma ideia, a carteira de crédito para empresas cresceu apenas 4,5%. Se levarmos em conta que a inflação do período foi muito próxima a esse percentual, podemos concluir que a carteira de crédito ficou praticamente estável.

O desempenho da carteira de crédito está alinhado com a conversa que tivemos no fim do ano passado com o pessoal do Daycoval: interromper o crescimento em linhas que podem passar por um período difícil (empresas) e focar a atenção em créditos mais seguros (consignados).

Além disso, há outros fatores importantes para avaliar quando olhamos para os resultados de uma instituição financeira, como a diferença entre as taxas de juros, conhecida como spread, que é a margem líquida de juros, referida em inglês como NIM (Net Interest Margin).

Quanto maior a margem líquida de juros, melhor a operação do banco, ou seja, maior a diferença entre o seu custo de captação e a taxa de juros de concessão de crédito, o que gerará um retorno maior para a instituição com tudo o mais constante.

A NIM do primeiro semestre de 2022 estava em 8,3%, sendo que a do primeiro semestre de 2023 ficou em 8,1%, uma queda de 0,20 p.p.

Por outro lado, é importante monitorar o indicador de inadimplência ao longo do tempo para determinar se está aumentando ou diminuindo, a fim de entender a capacidade dos clientes de cumprirem com seus pagamentos em relação ao total de empréstimos da carteira.

O indicador de inadimplência mais observado pelo mercado é o de 90 dias, que representa a porcentagem de empréstimos que possuem pelo menos uma parcela em atraso por três meses ou mais.

Esse indicador de inadimplência continuou subindo. No 1T22, atingiu o percentual de 1,6% e chegou agora a 2,1%, uma alta razoável.

Segundo os dados das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN), que são disponibilizados pelo site do Banco Central (BC), podemos definir que 5% de inadimplência é uma taxa aceitável.

Essa elevação da inadimplência impactou o PDD, que cresceu 13,2% nos 12 meses encerrados em junho deste ano.

O chamado Índice de Cobertura de Inadimplência (ICI), que é o PDD/Créditos vencidos há mais de 90 dias, caiu de maneira significativa, de 226% para 173%. Mas vale ressaltar que, apesar da queda, o índice não está em um patamar preocupante.

O aumento do índice de inadimplência leva a um aumento do PDD, que reduz a rentabilidade da instituição. Uma queda do NIM também gera um efeito semelhante. Esses são os principais motivos pelos quais observamos uma queda do lucro líquido com relação ao primeiro semestre de 2022 assim como uma queda do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), saindo de 22,6% para 20,6%.

Apesar dessa queda no indicador, vale ressaltar que, em 2022, o ROE mediano dos quatro maiores bancos do Brasil, Itaú, BB, Bradesco e Santander, foi de 17,1%, ou seja, precisamos destacar o retorno extremamente atrativo que o Daycoval ainda mantém.

Por fim, é importante lembrar que a maior parte dos recursos financeiros da maioria das pessoas está depositada em bancos, e a falência de uma instituição financeira pode desencadear crises significativas.

Como podemos prevenir essa situação?

A resposta está no Índice de Basileia (IB), uma métrica internacional que avalia a reserva de liquidez das instituições financeiras. De acordo com as diretrizes do Banco Central, o nível recomendado para a relação entre o capital próprio e os fundos de terceiros de um banco é de 11%. Instituições que mantêm uma proporção igual ou superior a essa são considerados mais sólidos e seguros.

O IB do Daycoval estava em 13,4% e subiu no fim do primeiro semestre deste ano para 14,2%.

O recado final observando os resultados do Daycoval é:

Apesar de piora na margem, ela era esperada, mas nem de perto coloca o banco em uma situação financeira desconfortável.

Seguimos o jogo!

Agora vamos falar dos ativos à disposição na plataforma do Daycoval. Será que eles estão em patamar atrativo?

O fim do CDB 110% do CDI com liquidez diária?

Parece que o Daycoval interrompeu, ao menos por ora, a emissão do CDB com liquidez diária que pagava 110% do CDI para seus clientes.

Muitas pessoas me perguntaram por que isso ocorreu e se novas reduções podem continuar acontecendo, e a resposta é sim.

A redução na taxa pode acontecer mais vezes por alguns motivos, mas os três principais que vejo são:

1 – Não necessidade de caixa

Um banco é basicamente um intermediador financeiro eficiente, ou seja, ele capta recursos a uma taxa e os repassa com outra ainda mais alta.

Acontece que, em determinados períodos, a demanda das pessoas e das empresas por crédito oscila bastante. No geral, o melhor momento de conceder crédito é quando menos pessoas está precisando dele, afinal, devem estar em situação financeira mais favorável, e assim necessitam de menos recursos financeiros de terceiros.

Por outro lado, quando há demanda por mais recursos, isso pode indicar algum tipo de problema com suas finanças, o que pode sugerir um aumento do risco da carteira de crédito se o banco não souber equilibrar esse aumento da demanda sem que eleve o risco de crédito da carteira.

É importante identificar empresas que estão tomando os recursos para investir em seus negócios, dado que observam perspectivas positivas à frente, assim como outras que tomam recursos por uma situação complicada em suas operações.

Apesar de a operação ser semelhante, a finalidade do recurso e a situação financeira das empresas é diferente, assim como a perspectiva de pagamento dessa dívida.

Acontece que se o Daycoval está em um momento em que não observa aumento de demanda de crédito por boas empresas e pessoas que possuem capacidade de pagamento relevante de suas dívidas a médio e longo prazos, ele não precisa captar tantos recursos no mercado.

Com a redução da demanda de captação de recursos, o banco pode reduzir a atratividade de seus títulos de crédito privado com o objetivo de literalmente captar menos recursos.

2 – Número de clientes satisfatório em suas plataformas

Uma plataforma de investimentos, além de ser um modo de captação de recursos mais barato, pode ser também uma excelente forma de remuneração, ou seja, uma nova linha de negócios.

O CDB do Daycoval a 110% do CDI sempre teve um importante papel de chamariz para a plataforma do banco, e se ele atingiu um determinado número-alvo de clientes, pode ter reduzido a taxa a fim de evitar um custo de captação de recursos e clientes mais elevado.

Isso também pode ser uma estratégia de marketing, afinal, você pode continuar com um CDB pagando 107% do CDI com liquidez diária gerando escassez do produto que paga 110% e oferecê-los apenas em ocasiões especiais.

No marketing digital, a estratégia de escassez é muito utilizada, e provavelmente no mercado financeiro também, e isso pode ser observado mais uma vez aqui no caso do Daycoval.

3 – Redução do custo de captação e aumento da perspectiva do CDI

Vamos imaginar que o CDI médio anual seja de 10% para os próximos dez anos. Uma rentabilidade de 110% do CDI geraria um custo de captação acima do CDI de aproximadamente 1%, enquanto um CDB de 107% do CDI geraria um custo de captação acima do CDI de 0,7%.

Se estamos falando de uma carteira de crédito de R$ 50 bilhões em dez anos, essa pequena diferença de 0,3 p.p. em termos de custo de captação significará uma diferença de nada mais nada menos que R$ 150 milhões, um valor muito significativo.

Um outro fator é: se há a expectativa por parte dos times de economia e tesouraria do Daycoval de que o CDI seja mais alto nos próximos dez anos do que eles previam anteriormente, pode ser mais vantajoso reduzir a emissão de ativos indexados a outras opções.

Com o fim (ao menos por enquanto) dos 110% do CDI, o que fazer?

Simples, invista no CDB pagando 107% do CDI do Banco Daycoval.

Como vimos ao longo do relatório, a saúde financeira do banco continua parruda, e 107% do CDI continua sendo uma taxa excelente para a parcela de pós-fixados da sua carteira de investimento.

Fonte: Daycoval
Fonte: Daycoval

Eu poderia colocar outros ativos aqui para mostrar que vale a pena possuir uma conta na plataforma digital do Daycoval, mas provavelmente você já se deu conta disso, não?

Lembrando que não recebemos absolutamente nada por indicar a plataforma do Daycoval para vocês. O fato é que ela é simplesmente muito boa, assim como os ativos que estão disponibilizados nela, fato que sempre ressaltarmos quando falamos do banco.

Abraços,

Gui Cadonhotto

Sobre os analistas

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de Estrategista da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como um grande especialista em Renda Fixa. Bacharel em Economia pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, além de ter mais de 10 anos na gestão de fundos de investimento de Renda Fixa, Crédito Privado e Multimercado, hoje ele ensina seus alunos e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.