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Uma planilha prática para comparar rendimentos de ativos de renda fixa

Escrito por Felipe Arrais, Fillipe Colus, Guilherme Cadonhotto em RENDA TOTAL

9 min de leitura

Fonte: Shutterstock

Começo este relatório com uma menção mais do que honrosa a pessoas muito importantes e que fazem nosso trabalho ter sentido: vocês, assinantes da série Renda Total.

Vocês são comprometidos com suas escolhas e saúde financeira, e os dados de presença em nossas lives e as perguntas enviadas não nos deixam mentir. Vocês procuram sempre as melhores opções de reserva, ativos e estratégias de investimento, e isso reflete em sua capacidade de tomar decisões acertadas para médio e longo prazos.

Além disso, o engajamento e a dedicação desde que começamos a série nos mostram que vocês confiam em nosso produto, o que é um sinal de que estamos no caminho certo.

É notável a dedicação de vocês em se manterem atualizados com a leitura dos relatórios, participação nas lives e questionamentos sobre nosso posicionamento. E isso é o que nos mais incentiva a trazer o melhor conteúdo para vocês e as melhores oportunidades para suas finanças pessoais.

Para auxiliar vocês na sua jornada de investimentos, traremos no relatório de hoje uma ferramenta para vocês que também possui investimentos em renda fixa e tem, assim como nós, um apreço pela das taxas.

Na planilha, que poderá ser baixada ao final do texto, é possível calcular e comparar o rendimento entre opções de reserva de emergência em renda fixa, LFTS11, fundos DI taxa zero recomendados, CDBs, LCAs e LCIs para diferentes taxas e prazos. Além disso, teremos um tutorial de como utilizar e interpretar os resultados.

Importante notar que compararemos apenas as taxas dos títulos, e não a qualidade ou capacidade creditícia do emissor, que é ainda mais importante de ser feita na hora de investir em renda fixa.

Portanto, inicialmente vamos lembrar quais são as características de um ativo para ser considerado em sua reserva de emergência:

  • Liquidez diária: a reserva de deve ser composta por ativos financeiros que possam ser resgatados rapidamente, sem perda significativa de valor, em caso de necessidade.
  • Baixo ou nenhum risco de mercado: a reserva deve ser investida em ativos que não sofram variações significativas de valor em função das oscilações do mercado.
  • Baixo ou nenhum risco de crédito: ela deve ser investida em ativos que ofereçam baixo ou nenhum risco de inadimplência ou calote.

As instituições privadas que já recomendamos aqui na série e que possuem ativos que respeitam as características de bons ativos de reserva são: BTG Pactual, Itaú e Daycoval.

Em que consiste a planilha

A planilha vai ajudar você a comparar cinco alternativas de investimento em renda fixa: CDBs, LCIs/LCAs, fundo DI taxa zero, ETF LFTS11 e Tesouro Selic.

Com ela, você poderá comparar as taxas de cada um desses investimentos de acordo com as encontradas no mercado. Isso permitirá que você tome uma decisão informada sobre qual a melhor opção entre aquelas que você estiver analisando.

Na sequência, trazemos um tutorial e um passo a passo para que você entenda como usar a planilha e tirar o máximo proveito dela. Assim, você poderá comparar rendimentos e taxas em diferentes prazos de vencimento e outras informações importantes para ajudar a tomar uma decisão de investimento sólida.

Abrindo a planilha

Quando você abrir a planilha, você verá que há pelo menos duas células que precisam ser preenchidas para que ela possa fornecer as comparações de investimento desejadas: o valor aplicado, a taxa dos investimentos em questão e a Selic.

A primeira célula que precisa ser preenchida é o valor aplicado, importante para que a planilha possa calcular os rendimentos esperados de cada investimento.

A segunda célula que precisa ser preenchida é a taxa dos investimentos que você deseja comparar. Essa informação é crucial para que a planilha possa calcular e fazer uma comparação precisa entre eles. É importante que esses dados sejam preenchidos corretamente.

Por fim, a terceira célula é para a taxa Selic, essa taxa é uma referência para a taxa de juros básica da economia brasileira e é usada para comparar os rendimentos das aplicações.

Certifique-se de inserir as taxas atuais e as taxas esperadas para cada investimento, pois isso vai ajudar a ter uma comparação mais precisa e te ajudar na sua decisão.

Você pode ter a sua própria estimativa ou utilizar de fontes confiáveis do mercado para as perspectivas futuras da taxa Selic, que são disponibilizadas semanalmente no Boletim Focus.

O que é o Boletim Focus?

O Boletim Focus é um importante instrumento de análise econômica publicado semanalmente pelo Banco Central do Brasil. Ele reúne as estimativas de mais de 100 instituições financeiras e economistas sobre as principais variáveis econômicas do país, como o Produto Interno Bruto (PIB), a inflação e a taxa básica de juros (Selic).

A importância do Boletim Focus reside no fato de que ele oferece uma visão geral e consolidada das expectativas do mercado financeiro sobre a economia brasileira. Além disso, ele é uma fonte confiável de informações econômicas e financeiras, sendo amplamente utilizado por investidores, economistas e outros profissionais do mercado financeiro, além de ser uma fonte de informações aberta ao público.

A relevância do Boletim Focus está relacionada ao seu papel na formação de expectativas e na condução da política monetária do Banco Central. Ele ajuda a avaliar a evolução da economia brasileira e a pode trazer insumos para analisar tendências futuras, o que é fundamental para tomadas de decisões financeiras.

O Boletim Focus pode ser usado de várias maneiras, tais como: avaliar a evolução de indicadores econômicos e as expectativas do mercado financeiro, para identificar tendências e oportunidades de investimento, monitorar as expectativas inflacionárias e avaliar a efetividade da política monetária do Banco Central.

As fontes de informações utilizadas no Boletim Focus incluem instituições financeiras, economistas, consultorias e instituições de pesquisa econômica. O boletim é disponibilizado no site do Banco Central do Brasil e pode ser acessado nesse link.

Para facilitar seu entendimento, no seu relatório mais atual, as perspectivas previstas no Focus para a Selic em 2023, 2024, 2025 e 2026 são, respectivamente: 12,50%, 9,50%, 8,50% e 8,50%. Com isso já notamos que os economistas veem margem de corte na taxa de juros para 2023 em diante e a média da taxa Selic, de 2023 até 2026, é de 9,738% (média geométrica).

Agora, voltemos à planilha.

Abrindo a planilha

Quando você abrir a planilha, você verá que há pelo menos duas células que precisam ser preenchidas para que ela possa fornecer as comparações de investimento desejadas: o valor aplicado, a taxa dos investimentos em questão e a Selic.

A primeira célula que precisa ser preenchida é o valor aplicado, importante para que a planilha possa calcular os rendimentos esperados de cada investimento.

A segunda célula que precisa ser preenchida é a taxa dos investimentos que você deseja comparar. Essa informação é crucial para que a planilha possa calcular e fazer uma comparação precisa entre eles. É importante que esses dados sejam preenchidos corretamente.

Por fim, a terceira célula é para a taxa Selic, essa taxa é uma referência para a taxa de juros básica da economia brasileira e é usada para comparar os rendimentos das aplicações. Aqui podemos usar a média geométrica para os anos subsequentes, ou criar seu próprio cenário, no nosso exemplo, simulamos a Selic como a atual, em 13,75%, mas sinta-se a vontade de alterar a planilha para fazer suas simulações.

Certifique-se de inserir as taxas atuais e as taxas esperadas para cada investimento, pois isso vai ajudar a ter uma comparação mais precisa e te ajudar na sua decisão.

Fonte: Spiti

Note que o retorno das aplicações financeiras está descrito como “ao ano”, ou seja, se o investimento que você quer analisar, seja ele um CDB, seja LCI/LCA relacionado ao CDI deve ser feito um pequeno cálculo conforme iremos mostrar.

Mais comumente chamado de “percentual do CDI”, para obter uma boa estimativa da taxa desse título, é necessário aplicar a regra de percentual para o índice estimado de CDI e calcular o valor do rendimento da LCI ou CDB.

Por exemplo, hoje, a taxa de CDI está em 13,75% ao ano, e você está considerando investir em uma LCI do Itaú com rendimento de 96,5% do CDI e quer comparar se é melhor que outras opções:

Fonte: Itaú

Usando a regra de percentual, você pode calcular que o rendimento anual esperado para essa LCI seria de 13,28%.

Para chegar a esse valor, você pode usar a fórmula:

(taxa de CDI) x (rendimento do investimento em relação ao CDI / 100) = rendimento anual.

Nesse caso: (13,75) x (96,5 / 100) = 13,27%.

Isso significa que, se você investir nessa LCI do Itaú, você espera obter um rendimento anual de 13,27%. Novamente, é importante lembrar que essa é apenas uma estimativa e que a taxa Selic pode variar no meio do caminho. Por isso, é sempre importante verificar as informações mais atualizadas.

É importante salientar também que a LCI é um investimento líquido de Imposto de Renda, ou seja, o rendimento obtido não é tributado. Então, o rendimento anual esperado de 13,27% a.a. que foi mencionado anteriormente já é líquido de imposto. Isso significa que esse é o valor real que você poderá esperar receber ao investir nesse título, o que já está incorporado na nossa planilha.

Além disso, imagine que você encontrou outro ativo que parece atraente, um CDB prefixado do mesmo banco que oferece uma rentabilidade anual de 14,8% e vencimento em 3 anos.

Diante disso, você deseja analisar essas opções juntamente com outros investimentos, como o Tesouro Selic, fundo DI taxa zero e o ETF LFTS11, para poder tomar uma decisão fundamentada e escolher a melhor entre elas.

Analisando os resultados

Fonte: Spiti

Quando comparamos as opções com base nas taxas, pode parecer que o CDB é a melhor escolha.

No entanto, é importante lembrar que a liquidez, ou seja, a capacidade de se desfazer do ativo, é um fator crucial a ser considerado ao investir em sua reserva de emergência. Veja se o CDB nesse caso oferece liquidez diária, pois isso garante que você possa resgatar seu dinheiro rapidamente em caso de necessidade.

Se o ativo não oferecer isso, ele pode ser uma opção para investimentos de longo prazo, por exemplo.

Agora, vamos imaginar que você decidiu voltar a procurar um CDB do Itaú com liquidez diária e encontrou uma opção que paga 99,5% do CDI. Para calcular o rendimento anual esperado, podemos utilizar a fórmula anterior;

Aqui, temos: (13,75%) x (99,5 / 100) = 13,68%.

Substituindo os valores na planilha, teremos os seguintes resultados:

Fonte: Spiti

Agora, com todas as opções de investimento tendo liquidez diária, é possível observar que a LCI do Itaú é a melhor escolha para os próximos anos. No entanto, vale destacar que essa decisão pode variar dependendo do período avaliado.

Por exemplo, ao avaliarmos apenas o primeiro ano, a segunda melhor opção é o ETF LFTS11, mas se considerarmos um período mais longo, de 4 anos, aí estamos falando do Tesouro Selic – até porque a LCA e o CDB do Itaú já terão vencido.

Além disso, é importante lembrar que o cenário de melhor opção pode mudar caso a taxa Selic sofra alterações. Desde 2020, quando a taxa Selic atingiu seu mínimo histórico de 2%, as condições de mercado mudaram drasticamente, e isso pode afetar os rendimentos dos investimentos pós-fixados.

Para essa simulação, vamos manter a proporção da LCI pagando 96,5% do CDI e o CDB pagando 99,5%, mas agora considerando a Selic nas mínimas de 2020, que foi de 2%.

Fonte: Spiti

Nesse cenário, a LCI continuaria sendo a melhor opção, pois o rendimento anual esperado seria de 1,93%. Mas precisamos observar como as outras opções de investimento também mudariam. 

O fundo DI taxa zero, que antes era considerado uma escolha menos vantajosa para longo prazo, agora seria a terceira melhor opção. Isso mostra como as expectativas e as variações na taxa Selic podem afetar significativamente os rendimentos dos investimentos.

Conclusão

Usar uma planilha para comparar as diferentes opções de investimento é essencial para tomar decisões financeiras informadas e alcançar seus objetivos. E, assim como um navegador sábio não se aventura no mar sem uma bússola, um investidor ou uma investidora inteligente precisa contar com uma ferramenta eficiente para tomar suas decisões financeiras.

Com a planilha que trouxemos aqui, você pode comparar diferentes opções de investimento em renda fixa, como CDBs, LCIs/LCAs, fundo DFI taxa zero, ETF LFTS11 e Tesouro Selic, de acordo com as taxas encontradas no mercado.

É importante notar que esses investimentos são opções para reserva de emergência, desde que respeitem as características principais para essa finalidade: liquidez diária, baixo ou nenhum risco de mercado e baixo ou zero risco de crédito.

Também é fundamental ter em mente que a qualidade de crédito do emissor do título também precisa ser altamente considerada antes de tomar qualquer decisão. Já avaliamos algumas instituições e trouxemos algumas recomendações que gostamos da qualidade de crédito das instituições. São elas: BTG Pactual, Itaú e Daycoval.

Caso encontre algum título desses bancos e queira avaliar a taxa deles frente a outras opções para sua reserva, use e abuse da ferramenta que entregamos hoje.

Para baixar a planilha, clique em Baixar:

Planilha Baixar

Abraços,

Gui Cadonhotto e Filipe Colus

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Fillipe Colus

É especialista em renda fixa da Spiti, bacharel em Engenharia Mecânica e especialista em Finanças. Auxiliou mais de 15 empresas com recomendações financeiras e operacionais em dois anos de consultoria estratégia e trabalhou na KPMG, ao lado de executivos e diretores de empresas líderes de segmentos, bem como no mercado público, auxiliando órgãos federais. Acredita que conhecimento bom deve ser repassado de uma forma simples e direta. Por isso, adora falar de finanças para quebrar tabus, e faz isso até nas horas vagas.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.