Atenção: esta seção atende a uma sugestão sua em nossas pesquisas de qualidade. Para entender todos os conceitos e riscos envolvidos no investimento, é importante que você leia todo o relatório.
Para quem gosta de história, é muito curioso estudar sobre os feitos antigos e como eles perduram até os dias atuais. Um deles é a construção das pirâmides do Egito Antigo. As pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos são as únicas que resistiram ao amargo efeito do tempo e sua construção é tão impressionante que até hoje não existe um consenso único sobre os métodos empregados.
Há algo, entretanto, que não dá margem para discussão: a sábia habilidade dos egípcios em aplicar trigonometria em seus cálculos arquitetônicos, e que foi, indubitavelmente, necessária para erguer as majestosas pirâmides.
Inclusive, um fato muito curioso é que dentro dos inscritos das pirâmides foram encontrados desafios trigonométricos. Deixo aqui um para você, caro leitor ou cara leitora mais bem aventurado, se deliciar também com este desafio secular:
“Se uma pirâmide tem 250 blocos de altura e, o lado de sua base, 360 blocos de comprimento, qual é a sua inclinação?”.
Após titubear um pouco nos cossenos e nas tangentes, confirmei o resultado do livro: a inclinação é de aproximadamente 45 graus. Se fosse na época da escola, poderia ter reprovado pelo tempo que eu levei para descobrir esse resultado.
A trigonometria é usada amplamente no dia a dia em todo tipo de aplicação elétrica ou mecânica. Ela explica desde como funciona a corrente elétrica que carrega o aparelho que você está usando neste momento, bem como o movimento do carro que usamos para trabalhar. Em tudo isso, a trigonometria está presente. Sua praticidade e beleza está em aplicar padrões que se repetem em diferentes ocasiões. E (será que você adivinhou?) também existem padrões que se repetem na economia e no mundo de finanças, e vamos usar um deles a nosso favor.
Padrões
Utilizamos padrões que se repetem em nossos investimentos sem mesmo notar. Assim como a trigonometria, uma das aplicações mais comuns de padrões é a correlação negativa entre os ativos da Bolsa de Valores e os ativos de proteção, tais como dólar e ouro. Aqui, é esperado que o mesmo padrão se repita, à medida que um sobe o outro desça, ou seja, de modo geral, quando ações da Bolsa se valorizam, dólar e ouro tendem a cair.
E aqui reflito, quais outros padrões podemos usar para começar bem os nossos investimentos em 2021?
O fator que veio de forma mais rápida à minha mente foi a retomada da economia depois da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. E esse vai ser o nosso principal motivo para alocarmos mais 2,5% da nossa carteira na Vale (VALE3), chegando ao total de 5% de alocação na nossa carteira da série Renda Total.
As crises e as retomadas
As diversas crises que assolaram o mercado financeiro tiveram origens diferentes. Em 2000, foi a bolha da internet; em 2008, a crise do subprime. Porém, seus impactos e a retomada nos anos posteriores foram diligentemente estudados em todas as ocasiões, e em específico a crise decorrente desta pandemia se diferencia das outras em alguns aspectos:
- Não foi uma crise com início no mercado financeiro;
- Nunca foi feito lockdown em tamanha escala;
- Queda da confiança da indústria em níveis mais vertiginosos que em 2008.
Porém, seus resultados foram similares:
- Desvalorização intensa de ativos de risco;
- Fuga de capital para ativos de proteção;
- Aumento intensivo de gastos públicos.
Os resultados foram sentidos tanto na apreciação do dólar quanto no aumento das incertezas com relação ao comprometimento fiscal. E, através da análise histórica das crises, em situações em que há uma queda da produção global e um aumento no estímulo à economia, como estamos vendo em diversos países, é esperado que quem se beneficie mais nos anos subsequentes sejam os países em desenvolvimento, e o Brasil entra nessa categoria.
Nesse cenário, as empresas que mais se beneficiam são as do setor de commodities, para atender à demanda reprimida com a queda do consumo.
A Vale em 2021
Atualmente, a China é a maior parceira comercial da Vale e representa boa parte de sua receita. Apesar da crise mundial, o ano de 2020 ainda terminou relativamente bem para a economia chinesa, que teve seu PIB acrescido em 2%.
Fonte: Valor
Atualmente, a China está utilizando quase toda sua capacidade produtiva para atender à demanda reprimida, e sua fome por commodities fez o preço do minério de ferro atingir as máximas históricas de US$ 160/ton no fim de 2020, totalizando uma apreciação no seu preço por tonelada no ano de 74%.
Fonte: Financial Times
Dessa forma, vemos quatro motivos pelos quais acreditamos que o cenário futuro da Vale é promissor a ponto de nos levar a aumentar a nossa exposição.
- 1. Por já estar utilizando quase toda sua capacidade produtiva não vemos a China, que usa 70% de todo minério produzido, aumentando vertiginosamente seu consumo de aço. Por outro lado, vemos que o restante do mundo, que consome os outros 30%, deve retomar crescimento e aumentar a demandar de minério, ou seja, é esperado um aumento da demanda global por aço para acompanhar a retomada da economia. Esse fator, junto com a máxima nos preços, resulta num cenário positivo para a Vale.
Fonte: FMI
- 2. As atuais relações diplomáticas entre China e Austrália, outro grande exportador de minério de ferro, estão se enfraquecendo. Nesse cenário, a Vale pode sair como a grande campeã desse embate de gigantes.
- 3. Outro fator que nos anima muito a aumentar nossa exposição da mineradora na nossa carteira é algo que eu trago da série O Melhor da Bolsa, em que a Aline Tavares demonstrou que, quando comparamos Vale com seus pares, dois múltiplos se mostram abaixo dos seus competidores: o P/E e o EV/Ebitda.
- De maneira prática, como expliquei no relatório da Vivo, assim como o múltiplo P/E, o EV/Ebitda também reflete o quão barato estamos pagando pela ação da empresa usando outras métricas – e no caso de Vale, ao compararmos com seus competidores, estamos pagando mais barato por ela. O fato de esses dois indicadores estarem abaixo dos seus pares na indústria mineradora demonstra que a Vale está subvalorizada e que possui rampa para decolar seu valor de mercado.
- 4. E o último fator que animou muito nossa escolha foi que os executivos da Vale afirmaram que, se notarem um excesso de caixa junto com a diminuição do endividamento da empresa, haverá em 2021 a distribuição de dividendos para correção o caixa. Além disso, já podemos notar, como mencionado pelos executivos, uma melhora nos seus indicadores de endividamento, aumentando ainda mais a possibilidade de pagamento de dividendos extraordinários.
Fontes: Vale e Spiti
Gran Finale
Para nos guiarmos com relação a 2021, segue também o valor que foi calculado através da análise de método de fluxo de caixa descontado na série O Melhor da Bolsa para a taxa de dividendos de 2021 e o novo preço-alvo:
Mas a taxa anual de dividendo por si só não nos diz muita coisa, não é mesmo? Por isso, trago duas comparações para auxiliar na sua decisão: o CDI e o IPCA acumulado para o ano de 2021.
Lembre-se de que estamos falando apenas do dividendo sem levar em consideração a valorização do ativo. De prontidão, a nossa previsão para o valor do dividendo de 2021 é 200% do valor acumulado do IPCA e mais de 300% do CDI acumulado no ano de 2021.
Conclusão e recomendação
Após trazermos padrões de crises passadas junto com as características únicas da crise do novo coronavírus e uma análise mais profunda da nossa empresa, a Vale (VALE3) se mostra uma ótima opção para aumentarmos a nossa posição na carteira da série Renda Total e aproveitarmos o movimento de retomada da economia em 2021.
Os reflexos únicos da crise que vivemos junto com o aprendizado de crises passadas nos confere segurança em confiar num aumento da nossa exposição em VALE3. No momento, temos apenas 2,5% alocado em VALE3, dados as nossas previsões vemos que podemos aumentar nossa participação em mais 2,5%, resultando numa exposição no valor de 5%.
Abraços,
Guilherme Cadonhotto e Filipe Colus