Relatórios

Valora Vanguard e CPTI11 se tornam fundos aprovados

Escrito por Rodrigo Xavier, Eduardo Perez em FUNDOS

18 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Os motivos que nos levaram a recomendar o Valora Vanguard, que é uma espécie de versão para o público geral da nossa recomendação já existente, o Valora Guardian.

  •  Todo o embasamento da tese que nos fez recomendar o fundo de infraestrutura listado em bolsa da Capitânia, o Capitânia Infra (CPTI11).

  •  Como ficam as nossas carteiras de investimento com a entrada destas peças na lista de aprovados da Finclass.

Fala, pessoal!

No relatório de hoje trazemos duas novas recomendações.

O Valora Vanguard, que segundo o time de gestão da Valora é o Guardian adaptado ao público geral. Em tempos de spreads de crédito tão apertados, os FIDCs ganham relevância para quem busca superar o CDI com consistência.

Já o outro fundo recomendado é o CPTI11, o fundo de infraestrutura listado em bolsa da Capitânia. Há muito tempo só temos três recomendações de fundos com essa característica, e o CPTI11 chega para ampliar o nosso leque de opções em meio às necessidades que temos para a montagem das carteiras recomendadas da Finclass.

O objetivo do relatório de hoje é explicar como funciona a estratégia e a gestão de cada um desses fundos, apresentando a tese por trás de cada recomendação.

Boa leitura!

Valora Vanguard – trazemos mais uma ótima opção de FoF de FIDC para o público geral

 

O que são os FoFs de FIDC e por que gostamos deles

Os FIDCs funcionam de maneira bem diferente dos fundos de crédito convencionais. Em vez de alocar em títulos como debêntures, esses fundos adquirem direitos creditórios, ou seja, o direito de receber pagamentos que ainda estão por vir de empresas ou pessoas físicas que precisam transformar recebíveis futuros em caixa imediato.

De maneira simplificada, imagine uma empresa que tem a receber R$ 10 milhões no futuro, mas precisa do dinheiro agora. Ela cede esse direito ao FIDC por R$ 8 milhões, obtendo liquidez imediata e transferindo ao fundo o potencial de ganho sobre essa diferença, desde que o pagamento seja efetivamente realizado.

É justamente aí que mora o principal risco da classe: se o devedor da operação final não honrar o compromisso, o retorno esperado não se materializa. Como grande parte desses recebíveis envolve empresas de menor porte ou pessoas físicas, os FIDCs geralmente trabalham com carteiras muito diversificadas para que um caso isolado de inadimplência não comprometa o resultado como um todo.

Analisar um FIDC com a profundidade necessária requer uma estrutura robusta, próxima à de uma instituição financeira, com capacidade de avaliar cada cedente, cada sacado e a qualidade dos recebíveis envolvidos.

Esse nível de especialização vai além do que nosso time de análise de fundos comporta. Por isso, nossa escolha é recomendar FoFs de FIDCs, que são fundos que investem em cotas de outros FIDCs, deixando a análise dos recebíveis na mão de gestores especializados e concentrando nosso esforço na avaliação rigorosa dessas equipes.

Um ponto importante para quem investe nessa classe é entender o comportamento das cotas. Diferentemente das debêntures e outros títulos convencionais, os ativos dentro de um FIDC não passam por marcação a mercado, o que significa que o valor das cotas tende a oscilar muito pouco no dia a dia, independentemente do que acontece com as taxas de juros. Essa estabilidade aparente, no entanto, não deve ser confundida com ausência de risco.

O perigo aqui não está na volatilidade, mas no crédito: esses fundos podem carregar uma exposição a inadimplência igual ou até maior do que a encontrada no crédito privado tradicional, só que de forma menos visível no curto prazo.

De qualquer forma, como detalharemos mais adiante, o Valora Vanguard, nosso recomendado do dia, está sob os cuidados de um dos times mais qualificados na análise de FIDCs do Brasil, o que nos deixa extremamente confortáveis com a recomendação.

 

Breve histórico da Valora

A Valora foi fundada em 2002, mas iniciou as atividades de gestão em 2005 como um "family office". Em 2008, nasceu a gestora de recursos de terceiros, a Valora Gestão de Investimentos (VGI) e o trabalho com FIDCs.

Ao longo do tempo foi ampliando o escopo dos negócios e hoje já conta com fortes frentes de atuação em Renda Fixa Crédito Privado, Renda Fixa Estruturados, Imobiliário e Participações.

Atualmente conta com quase R$ 28 bilhões em ativos sob gestão (AUM) de fundos, o que lhe garante posição de destaque na indústria.

Daniel Pegorini, um dos sócios fundadores e também CEO da casa, é o gestor do Valora Guardian desde o início do fundo, em 2010, e o Valora Vanguard também fica sob os cuidados dele e time. Com passagens por grandes instituições financeiras, como o Banco Garantia e o Credit Suisse First Boston, na área de estruturação de operações de dívida (DCM, sigla em inglês para debt capital markets), a experiência do gestor qualifica bastante todo o contexto do fundo.

Na nossa visão, os processos de investimento da Valora são muito bem consolidados, com regras muito claras e bem definidas.

Em FIDCs multicedentes/multissacados, a análise não para na estrutura: ela vai até o lastro. A equipe faz checagens finas de qualidade e comportamento dos recebíveis e já conseguiu identificar tentativas de fraude ao cruzar informações como domicílio de pagamento de boletos e, em casos específicos, até com verificação presencial de empresas.

Do ponto de vista da operação, a estrutura institucional continua muito similar. O time até cresceu um pouco, com a adição de profissionais mais seniores para elevar o padrão de análise em linha com o crescimento natural da operação.

Um ponto de atenção mencionado pela gestora em nossa última conversa é que os processos ainda são bastante manuais, com grande volume de troca de informações via planilhas. A automatização está em andamento, mas o mercado de FIDCs como um todo ainda opera de forma muito artesanal. Vale destacar que a área de FIDCs da Valora cresceu em outras estratégias, o que amplia a capacidade de originação própria e é um diferencial relevante para o fundo.

No fim do dia, é esse padrão de diligência, operacional, jurídico e de acompanhamento contínuo que aumenta o conforto para investir em uma classe que, por definição, é mais complexa e sensível a detalhe.

 

Valora Vanguard, a versão para o público geral do Valora Guardian

>>> Relembrando como opera o Valora Guardian

Iniciado há mais de 15 anos, em maio de 2010, o Valora Guardian é um FoF de FIDCs com prazo de resgate de 75 dias, destinado a investidores qualificados.

O fundo busca as melhores oportunidades de investimento entre as mais variadas classes de FIDCs. Antes de qualquer aporte, é realizada uma diligência minuciosa na estrutura do ativo. Após o investimento, cada posição é acompanhada mensalmente por meio de mais de 50 indicadores por FIDC, que cobrem desde métricas de pulverização, recompras e recomposições, fluxo de pagamentos e nível de subordinação, até a transparência sobre os dez maiores cedentes e sacados.

Em termos de estrutura de capital, o fundo investe exclusivamente em cotas sênior (classe de cota mais segura de um FIDC) e mezanino (pouco menos segura que a sênior), nunca se expondo a cotas subordinadas (classe menos segura), o que adiciona uma camada extra de proteção à carteira.

Um diferencial relevante da estratégia é que os melhores retornos costumam vir de FIDCs estruturados internamente pela própria gestora. Esses ativos ficam retidos nos fundos da casa em condições mais vantajosas do que as praticadas no mercado, uma vez que as comissões pelo trabalho de estruturação são revertidas em benefício dos próprios fundos — e, portanto, dos investidores.

 

>>> Especificidades do Valora Vanguard

Iniciado oficialmente em março de 2025, o Valora Vanguard apresenta grande sobreposição com o Guardian em termos de estratégia e diversificação, sendo os consignados e as operações multicedentes/multissacados as duas maiores teses de ambos os fundos.

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Fonte: Valora | Ref.: Valora Vanguard em 31/3/26

A principal diferença está no estágio de maturidade: o Guardian opera com cerca de 90 FIDCs em carteira e já inclui cotas mezanino, enquanto o Vanguard possui hoje aproximadamente 40 posições, com plano de expansão gradual até se aproximar do Guardian.

Por ser destinado ao público geral, o Vanguard opera com algumas restrições adicionais em relação ao Guardian. O fundo só pode alocar em cotas sênior, exige rating explícito no regulamento e não permite recebíveis não performados (aqueles que não estão gerando fluxo de pagamento ainda).

A meta é que nenhuma posição individual supere 3% da carteira, e o entendimento da gestora é de que esse patamar deve ser atingido em cerca de um ano.

Essas exigências mais conservadoras também se refletem na liquidez: enquanto o Guardian opera em D+75, o Vanguard trabalha em D+45, o que exige um caixa proporcionalmente maior, entre 25% e 30%, contra 10% do Guardian.

Em termos de retorno esperado, o Vanguard mira CDI mais 1,5%, abaixo do CDI mais 2,5% do Guardian, diferença que reflete justamente o perfil mais conservador e o menor uso de ativos mais complexos como o mezanino.

Ainda que a performance do Vanguard possa ser estruturalmente um pouco menor que o Guardian, gostaríamos de reforçar que ainda assim ele entrega potencial muito competitivo com o restante da indústria possibilitando acesso a qualquer pessoa.

O capacity do fundo não tem um número fixo definido, mas é reconhecidamente mais limitada que a do Guardian.

 

>>> Ajustes recentes na carteira de ativos

Recentemente a gestora reduziu sua exposição a recebíveis corporativos diante do cenário de juros elevados, entendendo que esse perfil de devedor carrega mais risco no ambiente atual.

Os ativos de terceiros e proprietários seguem presentes na carteira, com posição máxima de 5% e tendência de redução.

Do ponto de vista mais conjuntural, a gestora acredita que o período pré-eleitoral deve trazer mais volatilidade ao mercado, o que historicamente favorece os FIDCs em relação a outras classes, dado o perfil de retorno mais estável e descorrelacionado.

 

Quantitativo do fundo

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Fonte: Valora Investimentos

Note que o histórico ainda é curto, o que limita uma análise mais aprofundada.

No entanto, em um período em que muitos fundos enfrentaram dificuldades no crédito corporativo, ter mantido um retorno de 110% do CDI pode ser considerado um resultado bastante expressivo.

Informações essenciais

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Fonte: Valora Investimentos | Elaboração: Finclass 

Capitânia Infra (CPTI11) – o nosso novo FI-Infra

O que são fundos de infraestrutura listados em bolsa e por que gostamos deles

São fundos negociados em bolsa que investem em títulos de dívida privada emitidos por empresas voltadas ao desenvolvimento de projetos de infraestrutura, as debêntures incentivadas.

Apesar de serem fechados estatutariamente, ou seja, só crescem por meio de oferta pública, estão disponíveis para pessoa física no mercado secundário. Logo, o cotista consegue comprar ou se desfazer a qualquer momento utilizando o home broker, como se fosse uma ação ou fundo imobiliário.

Nessa modalidade de investimento, há dois tipos de ganhos possíveis: renda e ganho de capital.

A primeira modalidade refere-se aos ganhos dos proventos pagos por esse fundo (mais uma diferença a destacar, já que fundos abertos não distribuem proventos), enquanto o ganho de capital refere-se à possibilidade de ganho através da valorização das cotas.

Não é regra, mas em média esta categoria pretende manter um certo nível de estabilidade do valor investido e entregar os ganhos na forma de renda.

Outra grande vantagem que não podemos deixar de mencionar é que, por investirem em títulos privados incentivados pelo governo, são isentos de Impostos de Renda, tanto para o dividendo quanto para o ganho de capital na venda das cotas.

Nós temos preferência pelos fundos fechados por conta da maior segurança que esta dinâmica traz ao gestor. Debêntures de infraestrutura possuem prazos muito longos e, em um fundo aberto, em que há entrada e saída de dinheiro com frequência, o gestor precisa incorrer em riscos de liquidez ou manter um maior nível de caixa nos fundos para evitar problemas, o que pode reduzir a rentabilidade potencial.

Nos fundos fechados, o gestor tem o conforto de saber que o dinheiro não sairá e assim consegue tomar melhores decisões, manter um nível maior de concentração em algum ativo de maior convicção e um nível menor de caixa, o que tende a resultar em melhores resultados.

 

Como chegamos no CPTI11?

Como citamos no tópico anterior, preferimos os fundos listados em bolsa para nos expor ao segmento de fundos de infraestrutura. Ocorre que, por conta desse filtro inicial, reduzimos bastante o leque de opções, e é justamente por isso que há muito tempo temos apenas três fundos recomendados nessa classe.

Na data de divulgação deste relatório, existem apenas 38 fundos de infraestrutura listados em atividade. Dentro dessas opções, poucos cumprem as exigências mínimas para que possamos nos sentir confortáveis em recomendá-los.

Os filtros que aplicamos para chegar ao CPTI11 foram os seguintes:

  • Ter característica de um ativo de renda fixa indexada à inflação, pois o IMA-B é o referencial da classe que o fundo irá ocupar. Logo, um fundo com o CDI como benchmark não seria foco desta prospecção.
  • Volume médio negociado superior a R$ 1,5 milhão por dia, para garantir que o ativo não terá muitas distorções de preço em tela.
  • No mínimo 24 meses de atividade, para que possamos avaliar o histórico de performance. Por ser um setor relativamente novo, isso acaba sendo um critério importante.
  • Ter uma carteira de ativos com boa qualidade de crédito. Podemos ver essas informações nos relatórios gerenciais que os fundos publicam todos os meses.
  • Ter uma estrutura de taxas de administração e performance compatíveis com o que o produto oferece.

Após esses filtros iniciais chegamos a algumas poucas opções, com as quais conversamos com os gestores e fizemos toda a diligência qualitativa até chegar ao CPTI11 como o nosso preferido para o momento.

Se tiver interesse em entender como funciona nossa diligência qualitativa com mais detalhamento, sugiro a leitura do relatório em que explicamos como funciona uma análise profissional de fundos (aqui).

 

Breve histórico da Capitânia

A Capitânia Investimentos é uma gestora independente fundada em julho de 2003 por um time de executivos oriundos das equipes de trading, estruturação e vendas de produtos da área de tesouraria do Bank of America.

Entre seus sócios-fundadores estão Arturo Profili, Ricardo Quintero e César Lauro, profissionais com longa trajetória nos mercados financeiros locais e internacionais.

Atualmente, Ricardo Quintero é o CEO da gestora, Christopher Smith lidera a área de crédito privado e Caio Conca, a gestão imobiliária. Além deles, destacamos Monik Dourado e Rogério Lino, que têm atuação bastante relevante no braço de infraestrutura.

Ao longo dos anos, a gestora foi se consolidando e dando maior foco às áreas de crédito privado e imobiliário, tornando-se uma das principais gestoras do país nesses segmentos. A casa já nasceu com um certo foco em crédito privado, por isso é vista também como uma das pioneiras do setor.

Um marco importante na trajetória recente foi a entrada da XP Inc. como sócia em 2021. A XP adquiriu participação de 20% na Capitânia quando a gestora já contava com mais de R$ 11 bilhões em ativos sob gestão. A parceria estratégica ajudou a fortalecer sua flexibilidade financeira e a diversificar sua base de investidores.

Atualmente, a Capitânia gere pouco mais de R$ 20 bilhões em ativos, contando com uma equipe de 42 profissionais envolvidos na gestão dos fundos.

O processo de investimentos da casa segue uma sequência clara:

1 - Research: avalia o cenário macro, os setores e as possibilidades de negócio.

2 - Estruturação: realiza contato com bankers e empresas para definir os prestadores de serviço envolvidos e conduzir a due diligence.

3 - Decisão: todo ativo passa pela aprovação em comitê/conselho.

4 - Desembolso: processo de avaliação detalhada pelo compliance para garantir uma aquisição segura dos ativos que irão compor os portfólios.

5 - Gestão de portfólio e monitoramento: com o ativo em carteira, ele é monitorado constantemente tanto pelo time de gestão quanto pelo compliance, com verificações de enquadramento, avaliação de riscos potenciais e acompanhamento de rating, entre outros.

6 - Workout: definição e execução de action plan, sempre discutido previamente em comitê.

Como é possível perceber, a casa tem longevidade, profissionais qualificados e processos bem estruturados, o que nos leva a respeitá-la muito.

Um ponto delicado ocorrido recentemente foi a saída de Arturo Profili, uma das referências da casa. O processo se deu de maneira tranquila e respeitosa, e acreditamos que toda a estrutura e os processos de investimento construídos na longa jornada da gestora garantem que a casa siga consistente no futuro.

 

A estratégia do CPTI11 (Capitânia Infra)

O CPTI11 é o único fundo de infraestrutura listado em bolsa da Capitânia, com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, dentro de uma plataforma total de R$ 3 bilhões em infraestrutura que a casa possui incluindo fundos exclusivos e de outras modalidades.

O fundo teve sua primeira emissão em 2021, captando R$ 100 milhões inicialmente junto a um grupo restrito de investidores, como ponto de entrada no mercado.

Seu objetivo de rentabilidade é entregar entre 1,50% e 2,50% acima dos títulos do Tesouro indexados à inflação com duration similar a sua carteira de investimentos.

 

>>> Características do fundo

A carteira é altamente diversificada, tanto por emissor quanto por setores. Na posição de fechamento de fevereiro, o fundo detinha 97 ativos, sendo que nenhum deles passava do limite máximo de 1,5% por posição, e sua carteira total de certa forma acompanha a curva de capex do Brasil em infraestrutura pelo ponto de vista setorial, contemplando também setores pouco convencionais como parques, escolas e hospitais, além dos segmentos mais tradicionais.

Atualmente, a carteira está precificada a aproximadamente IPCA mais 9,3%, com distribuição de dividendos estável na faixa entre R$ 1,10 e R$ 1,15 por cota, acima do patamar anterior de R$ 1,00 que vinha sendo mantido até dezembro de 2025.

Ainda na temática de dividendos, no fechamento de fevereiro de 2026, o dividend yield estava em 13,54% na referência dos últimos 12 meses.

A estabilidade na distribuição de dividendos é tratada com cuidado na gestão, ao manter a distribuição previsível, o fundo consegue reduzir a volatilidade das cotas negociadas a mercado, o que é importante para um produto listado em bolsa muito acessado por pessoas físicas.

Do ponto de vista de estratégia, o fundo investe exclusivamente em ativos indexados ao IPCA, sem hedge, e utiliza os 15% fora da lei 12.431 (limite de alocação que um fundo FI Infra pode aplicar em ativos não incentivados) para alocações em CDI e caixa, garantindo flexibilidade operacional.

Uma das características mais marcantes da gestão é a divisão da carteira em dois books: um de carrego, voltado para a manutenção de posições de longo prazo, e um de giro, que é na verdade o maior foco da equipe e permite capturar oportunidades de mercado com mais agilidade.

O benchmark oficial é o IMA-B, e a duration da carteira é ajustada pontualmente conforme o momento de mercado. Cerca de 20% da carteira conta com rating interno da própria gestora, o que permite acessar oportunidades em emissores sem rating externo, onde os prêmios tendem a ser mais atrativos pois os custos de colocação do ativo ficam reduzidos.

Outro ponto que vale mencionar é que o fundo não tem cobrança de taxa de performance, o que maximiza o retorno do investidor no longo prazo.

Por fim, um dos filtros que julgamos importantes para a recomendação de produtos listados em bolsa é o volume negociado no dia a dia, justamente para evitar problemas na hora da compra por conta de preços distorcidos. O CPTI11 vem rodando há bastante tempo com volume médio pouco superior a R$ 1,5 milhão, em 2026 já está pouco acima de R$ 2 milhões, o que está dentro do nosso critério mínimo.

 

>>> Processos

A estrutura de governança é robusta. Os cases de investimento passam por um conselho composto por cinco membros da alta liderança da gestora, com exigência de unanimidade para aprovação, o que eleva o nível de critério nas decisões.

Este conselho é composto por Ricardo Quintero (CEO), César Lauro da Costa (Risco e Compliance), Caio Conca (Gestão Imobiliária), Christopher Smith (Gestão de Crédito Privado) e Flávia Krauspenhar (Relação com Investidores).

Após a entrada dos ativos na carteira, um comitê específico acompanha os ativos com cuidado e reavalia os ratings periodicamente. Todos os ativos da carteira são grau de investimento (alta qualidade do crédito), seja por avaliação externa ou pelo modelo proprietário de avaliação da gestora.

O fundo nunca registrou um caso de default em sua história, isto é, o não pagamento de uma obrigação por parte do emissor, e a gestora destaca ter sido capaz de identificar antecipadamente problemas que posteriormente se materializaram no mercado, o que, embora difícil de verificar com precisão, é um indicativo qualitativo relevante.

 

>>> Time

O time de gestão é enxuto e experiente, pois a Capitânia enxerga que operar dessa forma faz mais sentido para o propósito do produto. São quatro pessoas dedicadas, com dois profissionais focados em cada setor da carteira. Rogério Lino e Monik Dourado lideram a gestão do dia a dia há cinco anos juntos.

Rogério tem uma década de atuação na área e entrou no CPTI11 após seis meses do fundo iniciar, enquanto Monik está desde o início e migrou para infraestrutura nesse período.

A longevidade e a estabilidade nos resultados do time são pontos positivos em nossa visão, especialmente em uma classe que exige conhecimento específico de cada setor e emissor. A combinação de uma equipe coesa, processos de governança rigorosos e um histórico limpo de inadimplência são os principais argumentos qualitativos que sustentam nossa decisão de recomendação.

Importante dizer que a Capitânia é uma casa muito sólida e respeitada pelo mercado, tanto no segmento de crédito privado quanto no de fundos imobiliários, e isso nos traz uma confiança adicional que vai até mesmo além dos ótimos profissionais que tocam a estratégia no dia a dia.

 

>>> P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial)

O P/VP calcula o valor de mercado do fundo (preço negociado na bolsa) sobre o valor da sua cota patrimonial, que funciona como uma referência de “preço justo” segundo a política de apreçamento do administrador.

  • P/VP abaixo de 1: pode indicar que o fundo está sendo negociado com desconto em relação ao seu valor patrimonial. Em alguns casos, isso representa uma oportunidade de compra.
  • P/VP acima de 1: sugere que o mercado está pagando um prêmio, o que pode indicar que a cota está relativamente cara naquele momento.
  • P/VP igual a 1: indica que o preço de mercado está alinhado ao valor patrimonial.

Observação: o P/VP não deve ser analisado de forma isolada e possui limitações. A cota patrimonial nem sempre reflete perfeitamente o valor justo dos ativos, já que muitos deles não foram efetivamente negociados no mercado, o que torna sua precificação um processo não tão preciso.

Ainda assim, é uma métrica importante para evitar pagar caro demais.

Considerando que as carteiras dos fundos que recomendamos costumam ter alta qualidade e que fundos de infraestrutura contam atualmente com isenção tanto no ganho de capital quanto nos dividendos, entendemos que um P/VP de até 1,05 pode ser aceitável para se comprar fundos com benchmark atrelado ao IMA-B.

Dito isso, veja como se comportou o P/VP do CPTI11 desde o seu início de atividade:

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

O último ponto do gráfico indica que o P/VP está em 0,94, logo, possivelmente em 6 pontos percentuais abaixo que está precificado na cota patrimonial, se configura um bom momento para entrar no fundo por esta métrica.

>>> Como o CPTI11 está posicionado neste momento

A casa vê que o mercado está em um momento de maior estresse e para garantir a consistência que sempre procura está com a carteira um pouco mais defensiva, porém bem posicionada para capturar oportunidades em um cenário de compressão nos juros reais.

A carteira também se mantém bem diversificada, com 97 ativos e exposição média de 0,92 % por ativo, preservando perfil defensivo sem abrir mão da qualidade de crédito.

O carrego atual da carteira está na faixa de IPCA + 9,26 % a.a., equivalente a 194 pontos-base de spread, com duration média de 4,63 anos e rating médio AA.

Para informações mais detalhadas, inclusive entrando nos detalhes dos ativos, compartilhamos a carta de gestão do fundo (link).

 

Quantitativo do fundo

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

 

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

 

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

Por ser negociado em bolsa, o fundo pode apresentar quedas pontuais mais acentuadas que o IMA-B. Ainda assim, mostrou grande consistência frente ao referencial, acumulando retorno de 82,3% desde o início, contra 44,3% do benchmark. Além disso, em todos os anos o fundo superou o índice.

Apesar da maior volatilidade, entendemos esse comportamento como esperado dentro da proposta do produto. Inclusive, os outros dois fundos que recomendamos com o mesmo objetivo de superar o IMA-B também apresentam volatilidade superior. Nesse contexto, o CPTI11 registrou volatilidade de 11,4% desde o início, enquanto o IFRA11 e o KDIF11 apresentaram 14,4% e 13,4%, respectivamente, no mesmo período.

Observação: o cálculo da rentabilidade prevê o reinvestimento dos dividendos para se traduzir em um retorno total auferido. Como parte relevante dos lucros é distribuída na forma de dividendos, é importante olhar para o retorno dessa forma.

 

Informações essenciais

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Fonte: Capitânia Investimentos | Elaboração: Finclass

Como ficam as nossas carteiras?

Ambos os fundos recomendados passam a integrar a lista de aprovados da Finclass, aquela que fica na parte inferior da área de carteiras.

Neste momento, porém, iremos incluir nas carteiras apenas o Valora Vanguard. O CPTI11 fica “apenas” na lista de  aprovados por enquanto e poderá entrar a qualquer momento tanto nas carteiras de valorização quanto na de renda, por meio de proposta do time de renda fixa.

Ainda sobre o CPTI11, trata-se de uma recomendação conjunta do time de fundos e do time de renda fixa da Finclass. Isso ocorre pela natureza ambígua do produto, já que fundos de infraestrutura listados em bolsa cabem bem nas duas “áreas”.

 

Ajuste na renda fixa pós-fixada das carteiras de valorização por fundos

Recentemente observamos uma compressão muito grande nos spreads de crédito no mercado, tornando cada vez mais difícil gerar excesso de retorno em relação ao CDI sem incorrer em riscos demasiadamente altos.

Os FIDCs surgem como uma alternativa interessante nesse cenário mais desafiador. Mesmo sabendo que existem riscos marginalmente maiores do que os do crédito privado convencional, quando conduzidos por times extremamente qualificados e com altíssima diligência, é possível acessá-los sem maiores problemas.

Por isso, neste momento, além da entrada do Valora Vanguard na carteira base, também estamos propondo um aumento na parcela de FIDCs, que representava 50% da classe e passará a representar dois terços da proposta, com a outra parte alocada em posições high grade, atualmente por meio do SPX Seahawk.

Veja como fica a distribuição a partir de agora, considerando que a renda fixa pós representa 15% da carteira de valorização por fundos.

 

Carteiras de até R$ 1 milhão

- SPX Seahawk reduz de 7,5% para 5%.

- Solis Pioneiro reduz de 7,5% para 5%.

- Valora Vanguard entra agora com 5%

 

Carteiras maiores que R$ 1 milhão

- SPX Seahawk reduz de 7,5% para 5%.

- Solis Antares aumenta de 3,75% para 5%.

- Valora Guardian aumenta de 3,75% para 5%

 

Ficamos por aqui

O relatório de hoje, que decorre de prospecções e estudos feitos com muito cuidado, teve o objetivo de ampliar nossas possibilidades nas recomendações da renda fixa, com isso, conseguimos estar mais preparados para a construção de um portfólio cada vez mais versátil e completo.

Como já sabem, não medimos esforços para estar sempre com que há de mais atual e consistente para a construção das nossas carteiras recomendadas.

Caso tenha alguma dúvida, sinta-se à vontade para compartilhá-la em nossa comunidade ou nas lives semanais. Estamos por aqui.

Um grande abraço e bons investimentos!

Rodrigo Xavier e Eduardo Perez

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Eduardo Perez

Especialista em Renda Fixa

Eduardo Perez é analista CNPI-P, com certificações CGA e CGE da Anbima, e especialista em renda fixa na Finclass. Formado em Economia e Gestão Financeira, construiu sua trajetória no mercado financeiro passando por diferentes áreas, desde o atendimento ao cliente na Easynvest até o research de renda fixa e análise macroeconômica no Nubank, onde também contribuiu com recomendações e conteúdos para o portal InvestNews. Posteriormente, atuou na mesa de operações de renda fixa, integrando a equipe de gestão do book proprietário. Acredita que o mercado de capitais brasileiro ainda tem um amplo espaço para crescimento e amadurecimento, especialmente do ponto de vista do investidor pessoa física, e vê a educação financeira como o principal caminho para transformar esse potencial em decisões de investimento mais conscientes e eficientes.