Uma explicação sobre o fechamento do Valora Vanguard;
Valora Vanguard fecha para captação: o que muda nas carteiras
Escrito por Rodrigo Xavier, Matheus Nascimento em FUNDOS
Neste relatório, você encontrará:
O que fazer caso você tenha o Vanguard na sua carteira;
O motivo pelo qual decidimos aumentar o Solis Antares Pioneiro;
A nossa forma de investir em FIDCs;
Como fica a carteira de valorização por fundos.
Fala, pessoal!
Toda vez que a gente recomenda um fundo existe o risco dele captar tanto que acaba fechando para novos aportes. Não é de fato um problema, mas mexe com a carteira e obriga a gente a se movimentar.
Nesse relatório, vamos tratar de um ajuste na classe de renda fixa pós da carteira de valorização por fundos, com a saída do Valora Vanguard que fechou para captação e o aumento do Solis Antares Pioneiro, que já estava entre os nossos recomendados.
E, aproveitando o tema, vamos usar o relatório para reforçar uma parte que por vezes pode gerar algumas dúvidas, que é o papel dos FoFs de FIDC dentro da carteira e o motivo pelo qual escolhemos os FoFs em vez de FIDC diretamente.
Boa leitura!
Valora Vanguard fechou para captação
O Valora Vanguard, que entrou nas nossas carteiras em abril, atingiu o seu limite de capacity e fechou para novas captações. Na prática, quem ainda não tem o fundo não consegue mais fazer novos aportes, e é justamente isso que nos “força” a efetuar um ajuste.
Como a nossa carteira base também serve para quem está montando a alocação do zero, não faz muito sentido manter nela um fundo que não está aceitando novos aportes. Por isso, os 5% que estavam no Valora Vanguard passam para o Solis Antares Pioneiro, que já tinha 5% e agora fica com 10%.
Fora essa troca, nada muda.
O que fazer caso tenha o valora vanguard?
Se você já tem o Vanguard na carteira, a resposta é simples, não precisa fazer nada.
O fechamento para novas captações vale para novos aportes, não para quem já está investido. O patrimônio que está no fundo continua sendo administrado normalmente pela equipe de gestão
Por isso, não recomendamos vender o Valora só porque ele deixou de fazer parte da carteira base. Quem já está posicionado pode continuar com ele.
Na prática, a diferença está apenas em como a carteira é implementada. Tanto o Solis Antares Pioneiro quanto o Valora Vanguard cumprem a mesma função dentro da alocação, então não existe motivo para movimentar a posição só para deixar os percentuais iguais aos da carteira base.
E tem mais um ponto. Se vender o Valora, você pode ter imposto sobre o ganho e ainda precisar esperar o prazo de resgate para ter o dinheiro disponível. Ou seja, seria uma troca que gera custo sem trazer nenhum benefício relevante para quem já está investido.
Por que um fundo fecha, e por que isso pode ser bom sinal
Capacity nada mais é do que o tamanho máximo que uma estratégia consegue atingir sem começar a perder qualidade. Em um FoF de FIDC isso fica ainda mais claro, porque para colocar dinheiro novo para trabalhar o gestor precisa encontrar operações boas e com uma estrutura adequada. E esse tipo de oportunidade não aparece na esteira todo dia.
No Vanguard, havia ainda um agravante que a gente já tinha comentado no relatório de recomendação. Por ser um fundo voltado para o público geral, ele só compra cotas seniores, exige rating no regulamento e não investe em recebíveis não performados. Isso reduz bastante o universo de operações disponíveis quando comparado ao Guardian, que também pode trabalhar com mezanino.
Na época, a própria gestora já sinalizava que o capacity do Vanguard era mais limitado, e foi exatamente o que acabou acontecendo. Conforme o patrimônio cresce, chega um momento em que simplesmente não existem oportunidades suficientes que façam sentido para continuar colocando dinheiro novo na estratégia.
Quando isso acontece, o gestor basicamente tem duas opções. Pode começar a ''baixar a régua'' e aceitar operações que antes não entrariam na carteira, ou pode fechar o fundo e continuar trabalhando apenas com o patrimônio que já está lá, que foi o que eles escolheram.
O resultado do Valora vanguard no período
O fundo entrou na nossa carteira em 16/4, e neste curto período desde que foi recomendado, o fundo se manteve sempre acima do CDI, como podemos ver abaixo.
No período, o fundo entregou retorno de +5,69%, contra 5,26% do CDI, o equivalente a 108% do CDI.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
O Solis Antares Pioneiro passa para 10%
A primeira pergunta quando fazemos uma realocação dessas é se precisamos trazer algum fundo novo para a carteira?
Neste caso, não!
O melhor candidato para receber esse espaço já estava na nossa seleção, o Solis Antares Pioneiro, nosso outro FoF de FIDC aprovado, disponível para o investidor em geral e que recomendamos justamente pela consistência dos resultados.
No ano, o Solis Antares Pioneiro acumula 10,33%, contra 9,38% do CDI, equivalente a 110% do CDI. É um resultado bastante atrativo, especialmente considerando o elevado nível de juros da nossa economia e o momento de mercado.
Os FoFs de FIDC seguem com dois terços da classe
A passagem do Solis para 10% não aumenta a exposição aos FIDCs. Essa participação já era de dois terços da renda fixa pós, que representa 15% da carteira. Antes, eram 5% em Solis, 5% em Valora e 5% em SPX. Agora, ficam 10% em Solis e 5% em SPX. O que muda, portanto, é apenas a divisão entre os gestores.
Solis e SPX também têm exposições diferentes. O SPX Seahawk trabalha com crédito high grade, enquanto o FoF de FIDC investe em recebíveis de empresas pequenas e médias, de forma mais pulverizada e com prazos curtos. São fontes de risco diferentes, o que ajuda na diversificação da carteira.
Com a troca, perdemos um pouco de diversificação entre gestores dentro dos FIDCs, mas seguimos com uma boa diversificação entre os ativos. A estratégia do Antares, que o Pioneiro replica com o filtro de cotas seniores, costuma ter diversos FIDCs em carteira, com limite por ativo, então existe uma carteira bastante pulverizada.
A nossa “regrinha de bolso” diz que até 10% em um mesmo gestor está liberado, contanto que seja uma casa super diligente e de alta convicção nossa. E esse é exatamente o caso da Solis, que já tem um histórico de mais de uma década de atuação exemplar. Desa forma preservamos a alocação com 10% em FoF de FIDC e 5% de fundo de crédito mais conservador.
Por que FoF de FIDC e não FIDC direto
Analisar um FIDC com a profundidade necessária requer uma estrutura robusta, próxima à de uma instituição financeira, com capacidade de avaliar cada cedente, cada sacado e a qualidade dos recebíveis envolvidos.
Esse nível de especialização vai além do que nosso time de análise de fundos comporta. Por isso, nossa escolha é recomendar FoFs de FIDCs, que são fundos que investem em cotas de outros FIDCs, deixando a análise dos recebíveis na mão de gestores especializados e concentrando nosso esforço na avaliação rigorosa dessas equipes.
Com isso, criamos uma camada extra de segurança, diante de um tipo de ativo que já tem muito risco embutidos nos ativos subjacentes da carteira.
Um ponto importante para quem investe nessa classe é entender o comportamento das cotas.
Diferentemente das debêntures e outros títulos convencionais, os ativos dentro de um FIDC não passam por marcação a mercado, o que significa que o valor das cotas tende a oscilar muito pouco no dia a dia, independentemente do que acontece com as taxas de juros.
Essa estabilidade aparente, no entanto, não deve ser confundida com ausência de risco.
Nossa convicção na Solis
A Solis nasceu em 2015, mas o time já trabalha com FIDCs desde 2005. Hoje, a gestora tem mais de R$ 30 bilhões sob gestão e já trabalhou com mais de 100 originadores, o que ajuda a explicar nossa confiança na casa.
Também temos contato próximo com o time e seguimos confortáveis mesmo após a entrada do Pátria como sócio, com 51% da companhia.
O Pioneiro foi criado em 2024 para atender o investidor em geral, seguindo as regras da CVM 175 e investindo apenas em cotas seniores. Por isso, ele tende a rodar um pouco abaixo do Antares original, mas ainda apresenta um resultado extremamente competitivo.
Como fica a classe de renda fixa da carteira por fundos
Por fim, o total da classe continua em 35% da carteira, exatamente como antes. A mudança aconteceu apenas dentro dela, com o Solis Pioneiro passando de 5% para 10% e o Valora Vanguard saindo da carteira base.
A renda fixa dinâmica, com KDIF11 e IFRA11, continua igual, assim como a parte passiva ligada ao IMA-B.
Nas faixas acima de 1 milhão, nada muda, já que acima desse patrimônio, a exposição à Valora acontece por meio do Valora Guardian, que é voltado para investidor qualificado e não fechou para captação.
Também vale reforçar que a carteira de valorização por ativos não teve nenhuma alteração neste relatório.
Ficamos por aqui
Esse tipo de ajuste faz parte da nossa gestão das carteiras e provavelmente vai acontecer outras vezes.
Um fundo bom pode crescer bastante, chegar ao limite da estratégia e fechar para novas captações. Quando isso acontece, a nossa lista e o nosso processo de acompanhamento existem justamente para encontrar uma alternativa que faça sentido, sem que você precise sair procurando sozinho.
Então, para deixar tudo bem simples, quem ainda não tem Valora Vanguard deve seguir a carteira nova, com 10% no Solis Antares Pioneiro. Quem já tem Valora pode continuar com o fundo normalmente e não precisa fazer nenhuma mudança. E, para quem está nas carteiras de valorização por fundos acima de R$ 1 milhão, nada muda.
Se ficou alguma dúvida, estamos por aqui.
Um grande abraço e bons investimentos!
Rodrigo Xavier CNPI 8996
Matheus Nascimento CNPI 10124
Sobre os analistas
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.
Matheus Nascimento
Analista CNPI
É analista CNPI e integra a equipe de Fundos de Investimento da Finclass. Formado em Gestão Empresarial, construiu sua trajetória no mercado financeiro com foco em análise e acompanhamento de estratégias de investimento. Acredita que o acesso à informação de qualidade é um dos principais diferenciais para o investidor pessoa física e, por isso, busca contribuir com análises claras e responsáveis, auxiliando cada investidor a tomar decisões mais conscientes e alinhadas aos seus objetivos.