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Vivo (VIVT3): alô, alô, tem recomendação nova chegando na carteira

Escrito por Fillipe Colus, Guilherme Cadonhotto em RENDA TOTAL

8 min de leitura

Existem algumas coisas que parecem ser eternas. Uma delas foi meu primeiro celular, um modelo antigo da Nokia. Ele foi uma ótima companhia durante muito tempo graças ao famoso e clássico “jogo da cobrinha”.

Mas quem me via com o aparelho na mão não sabia da grande dor de cabeça que foi convencer meus pais a deixarem eu comprar o celular. Parecia uma coisa de outro mundo: “onde já se viu criança com celular na mão?”. Mas um olhar atento nos jogos das crianças de hoje em dia vemos que isso é algo que veio para ficar, não é mesmo?

O tempo passou e, aqui em casa, o jogo virou. Hoje, sou eu que preciso avisar meus pais sobre os perigos da internet e de passar muito tempo no celular.

Outra coisa que veio para ficar foram os avanços na qualidade do serviço de telefonia. Lembro claramente a luta que era para conseguir algum sinal com meu antigo celular ao andar na rua. Hoje, é possível ver pelo smartphone até vídeos ao vivo fora de casa.

Por mais nostálgico que possa parecer, ninguém quer mais sofrer com falta de sinal hoje. E quem também sabe que sinal fraco não tem mais espaço é a empresa que traremos hoje como recomendação, a Vivo (VIVT3).

A Vivo é conhecida como a maior detentora de mercado no Brasil no setor de telefonia móvel e segunda maior em internet de fibra ótica. Antes de entrar no detalhe do porquê gostamos desse nome para a série, vou explicar sobre a linha de receita e de crescimento da empresa.

Serviço móvel

A telefonia móvel é o carro-chefe das receitas da Vivo, representando 71% da receita operacional da empresa. Ela provém dos planos de celulares, tanto pós quanto pré. Importante pontuar que essa foi a linha de receita que mais sofreu com os efeitos da pandemia, mas já está dando sinais de retomada com crescimento no terceiro trimestre de 2020 (3T20).

Para demonstrar o porquê disso é só pensar no que aconteceu com nossos hábitos> Eu, Filipe, por exemplo, por ficar mais tempo em casa, parei de pagar minha telefonia móvel, afinal, tinha sempre meu sinal wi-fi disponível.

Outro exemplo: empresas pararam de usar serviço de ligação móvel ao passo que seus funcionários passaram a ficar mais em casa. Esses efeitos, por mais mundanos que possam parecer, foram sentidos no demonstrativo de resultados da Vivo.

Além disso, com a adesão de muitas empresas ao home office, as linhas móveis de telefone devem ser mais demandadas do que as linhas fixas de telefone, ou seja, parte das linhas fixas corporativas tende a migrar para móveis. Nesse quesito, a Vivo se destaca como uma das mais bem posicionadas no quesito cobertura no território nacional.

Serviço fixo (banda larga e fibra ótica)

A menina dos olhos e grande diferencial da Vivo está no segmento de internet de fibra ótica: de acordo com dados da Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações, a empresa é a segunda maior detentora desse mercado, perdendo apenas para as pequenas provedoras de internet somadas.

Por ser um mercado pulverizado, a Vivo tem grande espaço para "roubar" participação de mercado dos pequenos provedores. E ela tem demonstrado interesse em adquirir justamente essas empresas menores de rede de fibra ótica para se tornar o maior provedor do Brasil.

Fonte: Tecnoblog

Além disso, a participação de mercado de outros grandes competidores – Oi, Claro e TIM – é muito baixa, ou seja, com as aquisições de pequenos provedoras de internet por parte da Vivo, existe a possibilidade de concentrar o fornecimento de rede de fibra ótica no Brasil. E isso criaria diversas barreiras (de preço e de entrada de novos competidores), a fim de se firmar como líder de uma vez por todas.

Outro ponto que favorece o segmento de fibra ótica como um todo (não apenas Vivo) é a maior adesão ao home office. Com o aumento no número de empresas que têm colocado seus funcionários para trabalhar em casa, haverá um aumento cada vez maior na demanda de internet de qualidade, e companhias com foco nesse segmento poderão ter um crescimento considerável nos próximos anos.

Nem tudo são flores...

Para uma empresa entrar no mercado de telefonia no Brasil, a aquisição de licença para instalação de torres e equipamentos requer intenso investimento – aqui nem estou considerando as barreiras legais de se empreender no ramo.

Devido a essa necessidade de elevado capital e aos aspectos legais no Brasil, existe um grande entrave na entrada de novos participantes, e pode ter certeza que a Anatel está de olho nisso.

Dado o risco de um monopólio, a agência reguladora impõe diversas limitações de reajuste de preços e regulamentações. Isso aumenta o risco político do setor de telecomunicações, um fator externo que pode impossibilitar o aumento das receitas e que sempre merece nossa atenção.

Mas o futuro é belo (de novo)

Antes de entrar em mais detalhes sobre por que gostamos tanto da Vivo, vou explicar um pouco sobre os participantes da cadeia de valor de telecomunicações e os seus desempenhos após a ascensão do 4G.

Telecomunicações sem fio: são os principais construtores de redes, incluindo cada geração sucessiva (por exemplo, 3G, 4G e 5G). Esses provedores de serviço gastam bilhões em despesas de capital para atualizar a infraestrutura de rede e atender aos novos padrões globais da indústria.

Provedores de equipamentos de comunicação: são os fornecedores de hardware de infraestrutura de telecomunicação que possibilitam a criação de redes capazes de processar velocidades delineadas por padrões globais. Essas empresas costumam ser os destinatários diretos dos gastos de capital em telecomunicações sem fio. No caso do Brasil, o parceiro comercial mais relevante é a China.

Telefones celulares: foram os precursores, ou seja, os primeiros dispositivos inteligentes da era iminente da Internet das Coisas (IoT). Antes do 4G, os telefones celulares ofereciam apenas chamadas de voz, mensagens de texto e, eventualmente, chamadas de vídeo de baixa qualidade. Com o advento do 4G, os telefones celulares se tornaram o portal para os consumidores acessarem mídias sociais, navegação na internet e streaming de vídeo em tempo real.

Semicondutores: criam os chips de computação que permitem a conectividade de dispositivos, telefones e, cada vez mais, o resto da IoT. Os fabricantes de chips são cruciais para certos aplicativos, como unidades de processamento gráfico móvel (GPUs), evidentes na ascensão das mídias sociais, jogos móveis e chamadas de vídeo.

Mídia social: refere-se a aplicativos e sites do usuário final que permitem acesso a redes sociais e compartilhamento de conteúdo. A mídia social foi uma das inovações que primeiro colocou o “inteligente” nos smartphones. Com a maior funcionalidade habilitada pelo 4G, a indústria se transformou de basicamente voltada ao desktop (computadores pessoais) para uma que agora prioriza os dispositivos móveis.

Quando surgem novas tecnologias de telecomunicação, ocorre também uma alteração no comportamento no valor das companhias dessa cadeia de valor, e estamos na iminência de outro evento similar com a chegada do 5G no mercado.

Para quantificar o quanto tais ascensões tecnológicas afetam o preço das ações da Vivo, usarei o melhor comparativo para esse mercado: o Índice de Serviços de Telecomunicação Global MSCI (MSCI World Wireless Telecommunications Services).

Veja como, na média, as empresas globais por segmento performaram depois da ascensão do 4G, em 2012, e como a Vivo se comportou comparada ao índice global:

Fontes: Bloomberg elaborado por Spiti

Para você entender, no gráfico acima estamos comparando o retorno da Vivo com o Índice MSCI, que é o retorno das maiores provedoras de internet do mundo. Selecionamos o final de 2012 até a atualidade por ser a data em que o 4G foi introduzido, para entender como foi o desempenho da empresa com a introdução de uma nova tecnologia – vale sempre lembrar que não é garantido que o 5G traga resultados semelhantes (ganhos passados não garantem ganhos futuros).

À primeira vista, a ação da Vivo parece apenas ter andado de lado – não subiu na mesma intensidade nem próxima ao índice. Mas aqui trago duas reflexões:

- A primeira é que o índice MSCI reflete as maiores empresas de telecomunicações do mundo, então era esperada uma diferença na performance.

- A segunda: desde 2014, o Brasil patina em seu crescimento, com dois anos consecutivos de queda forte da atividade (2015 e 2016), que foram exclusividade do Brasil, desde então, com crescimento pífio, sempre perto de 1% ao ano. Isso prejudica a performance das empresas brasileiras e, consequentemente, dos ativos internos.

Além disso, podemos notar que a Vivo passou esses períodos de estresse com relativa segurança, inclusive pela crise provocada pela pandemia atual. Essa é uma forte característica do setor de empresas chamado defensivo, o qual é mais protegido de fatores externos e possui receita relativamente mais previsível.

Um exemplo muito prático – e diferente – de um setor defensivo é a indústria de fraldas: independentemente do que acontece na economia, a utilização de fraldas só depende do número de bebês. Outros setores que entram nessa categoria são alimentação, telecomunicações, saúde e energia.

A chegada do 5G marca a entrada de uma futura tecnologia e, com isso, a possibilidade de novos negócios para a Vivo, assim como foi o 4G. Também é um marco para novos investimentos em infraestrutura, o que torna importante analisar os múltiplos da empresa.

Bem como a equipe da série O Melhor da Bolsa, nós aqui gostamos do que vemos, em específico no quesito índice P/L (Preço/Lucro).

O índice P/L reflete o quão barato estamos pagando pelo lucro de uma ação. E, ao comparar com seus competidores nacionais, a Vivo se destaca nesse quesito.

Fonte: Análise Spiti

A pandemia trouxe um aumento da necessidade de conexão, principalmente de alta velocidade, e a Vivo se destaca com o serviço de fibra e a sua estratégia de se tornar líder desse mercado nos próximos anos.

Além disso, a empresa mostrou que caminha a passos largos para esse objetivo, na divulgação de seu balanço do terceiro trimestre de 2020, no qual registrou um aumento de 34,2% ao ano dos usuários da sua rede de fibra ótica, atingindo recordes de crescimentos anuais de usuários nesse segmento.

Para finalizar a nossa recomendação, o índice que mais nos agrada é, por razões óbvias, o do pagamento de Dividend Yield, outro ponto em que a Vivo não deixa a desejar. Mesmo em meio à época turbulenta pela qual estamos passando, a Vivo continuou pagando dividendos. Em seu último comunicado oficial, garantiu que em 2021 serão pagos R$ 900 milhões em dividendos.

“Mas, Fê, por que a Vivo pode pagar tantos dividendos se ela demanda muito capital de investimento?”

Essa é uma ótima pergunta. Afinal, como uma empresa que precisa de muito capital pode distribuir tantos dividendos? Normalmente, quando uma companhia precisa de capital de forma intensiva (caso da Vivo), não é comum vermos o pagamento tão recorrente de dividendos.

Para mostrar como ela consegue pagar fartos dividendos, trago dois pontos que mencionei logo no início deste relatório. O primeiro é que o setor de telecomunicações é praticamente regido por um monopólio controlado por poucos participantes. Esse é o melhor dos cenários econômicos que uma empresa pode pedir, já que, por não haver tantos participantes no mercado, ela pode decidir o preço e deter muito controle com os seus fornecedores e seus clientes.

Quem aqui nunca se viu tentando fugir de um serviço de internet até descobrir que ele é a único que pode ser instalado na sua casa?

E o segundo ponto: a Vivo é uma empresa sólida e consolidada no mercado. A maturidade mostra que ela tem capacidade de trabalhar suas operações com grande automação e processos bem-definidos, facilitando a escalada de suas operações.

Assim, o fato dela ser madura e líder do mercado de telecomunicações no Brasil ajuda a prever a demanda e melhorar o planejamento financeiro, trazendo previsibilidade por ser este um setor de ações defensivo.

Fontes: Vivo e análise Spiti

Conclusão e recomendação

Após ponderar todos os riscos, a chegada de novas tecnologias, as mudanças nos hábitos por conta da pandemia, índices saudáveis e pagamentos de dividendos recorrentes, a Vivo (VIVT3) se mostra uma ótima opção para incluir na nossa carteira da série Renda Total.

Sendo assim, acreditamos que uma exposição de 5% em VIVT3 em nossa carteira de dividendos da série faça sentido para o momento atual.

Abraços,

Guilherme Cadonhotto e Filipe Colus

Sobre os analistas

Fillipe Colus

É especialista em renda fixa da Spiti, bacharel em Engenharia Mecânica e especialista em Finanças. Auxiliou mais de 15 empresas com recomendações financeiras e operacionais em dois anos de consultoria estratégia e trabalhou na KPMG, ao lado de executivos e diretores de empresas líderes de segmentos, bem como no mercado público, auxiliando órgãos federais. Acredita que conhecimento bom deve ser repassado de uma forma simples e direta. Por isso, adora falar de finanças para quebrar tabus, e faz isso até nas horas vagas.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.